Botafogo recebeu pelo menos R$ 4 milhões da patrocinadora Telexfree

Quantia destinada ao time é superior ao que a empresa, acusada de pirâmide, faturou com a venda de pacotes VoIP

De terno, James Merrill (esq.) e Carlos Wanzeler (dir.), donos da Telexfree, com representantes do Botafogo: pagamento de US$ 4 milhões. Foto: Divulgação
De terno, James Merrill (esq.) e Carlos Wanzeler (dir.), donos da Telexfree, com representantes do Botafogo: pagamento de US$ 4 milhões. Foto: Divulgação

O Botafogo recebeu ao menos US$ 1,7 milhão – ou R$ 4 milhões à época –, da Telexfree, acusada por autoridades americanas de ser uma pirâmide financeira bilionária. O valor supera o que a empresa faturou com a venda de pacotes VoIP, sistema de telefonia por internet usado como fachada para esconder a fraude, de acordo com as denúncias.

A Telexfree e o Botafogo anunciaram contrato de parceria em 9 de janeiro, com duração até o fim deste ano. O valor do acordo, entretanto, nunca foi divulgado.

Em 30 de dezembro, o clube recebeu cerca de R$ 4 milhões, pelo câmbio da época, segundo documento da Securities and Exchange Comission (SEC, equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil) do Estado americano de Massachusetts, onde fica a sede da empresa.

Essa quantia é maior que o US$ 1,3 milhão, ou R$ 3 milhões no mesmo câmbio, que a Telexfree faturou com a venda de pacotes VoIP de agosto de 2012 a março de 2014 – o negócio começou a operar de fato em novembro de 2012, nos Estados Unidos, e em março de 2013, no Brasil.

No mesmo período, a empresa arrecadou mais de US$ 302 milhões, ou R$ 707,28 milhões, em taxas de adesão pagas pelos divulgadores, como são chamadas as pessoas que investiram dinheiro no negócio. Os dados constam de denúncia feita pela SEC federal contra a empresa.

O fato de a Telexfree depender, sobretudo, das taxas de adesão pagas pelos divulgadores é justamente o que faz o negócio ser uma pirâmide financeira, segundo a SEC, que pediu o congelamento dos bens do grupo nos EUA, e o Ministério Público do Acre, responsável pela solicitação de bloqueio no Brasil.

Procurados, os representantes do Botafogo e da Telexfree não quiseram se pronunciar. O clube sempre defendeu a legalidade da transação, e os representantes da empresa, a regularidade do negócio.

Pagamento chamou atenção de autoridades americanas

Quando anunciou o patrocínio ao Botafogo, o grupo Telexfree já estava com as contas e atividades bloqueadas no Brasil sob acusação de ser uma pirâmide financeira.

Questionado sobre o fato, o presidente do clube, Mauricio Assumpção, argumentou à época que o contrato foi firmado com a sede da Telexfree nos EUA.

Como já havia sido mostrado, entretanto, os responsáveis pelos negócios da empresa no Brasil e nos Estados Unidos são os mesmos: o brasileiro Carlos Wanzeler e o americano James Matthew Merrill, que fizeram o anúncio da parceria junto com os diretores do Botafogo (veja foto).

Wanzeler e Merrill fundaram a Telexfree nos EUA em 2002. O negócio, entretanto, ganhou fôlego em 2012, quando os dois empresários o trouxeram ao Brasil com apoio de Carlos Roberto Costa.

Em 15 de abril deste ano, a SEC de Massachusetts acusou a Telexfree de ser uma pirâmide financeira. O pagamento de R$ 4 milhões ao Botafogo foi uma das transações financeiras que chamaram a atenção dos investigadores, e constou da denúncia.

Dois dias depois, a SEC federal anunciou o congelamento de bens, cinco empresas e oito pessoas ligadas ao grupo Telexfree, dentre eles os de Wanzeler e Merrill.

Fonte: IG

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