Brandão, a biografia

Terminei com vontade de recomeçar a biografia do técnico Oswaldo Brandão, escrita pelo jornalista Maurício Noriega. Ganhei de presente do…

Terminei com vontade de recomeçar a biografia do técnico Oswaldo Brandão, escrita pelo jornalista Maurício Noriega. Ganhei de presente do amigo publicitário Ubirajara Carratu, afilhado de Brandão e que esteve no lançamento do livro em São Paulo. Fosse esperar para comprar em Natal, a terra onde se enterra literatura, quem sabe o prazer encerrado numa madrugada chegasse em 2022.

É mais que uma pesquisa. É uma missão bem cumprida em escrita, leve e nostálgica, resgate de Maurício à memória de Brandão e à do seu pai, o narrador Luiz Noriega, da época da fase apaixonada e vibrante. Suas narrações dos gols de Rivelino são comoventes. Revivem a delícia da paixão genuína e elegante ao microfone.

Guardo documentários e jogos transpostos de fitas em VHS para DVD e de programas especiais da TV Cultura. Da cabine do Pacaembu, o grito a cada gol de Riva me marca mais do que a reação nos petardos de Pelé, Pedro Rocha e Ademir da Guia. De Leivinha, César, Ivair ou Edu. Talvez porque Riva tenha sido o gênio dos meus primeiros álbuns de figurinha e de times de futebol de mesa.

Luiz Noriega separa sílabas em slow motion especial, amplificando a sonoridade do drible curto e da bomba certeira do Garoto do Parque nos tempos de Corinthians: “Ri-Ve-Li-No!” é o tom exclamativo e autêntico dos lances que Diego Maradona imitava criança na Argentina.

Brandão nasceu para viver lenda. Sua figura esguia e carismática, de um paternalismo fundamental nos idos do futebol puro e superlotado, de genialidade sem a grana em primeiro plano , impôs a mística da doce paranormalidade nos gramados.

Brandão foi personagem central de vitórias fatalistas. Abriu e fechou o dramático jejum de 23 anos sem título paulista do Timão , de 1954 a 1977, ligando e desligando o interruptor do choro e ranger de dentes da massa alucinada e resistente. No meio do caminho, comandando um timaço, conduziu o São Paulo do papagaio Gerson, Canhotinha de Ouro, ao bicampeonato de 1971.

O magnetismo de Brandão pareceu cegar o estridente árbitro Armando Marques, que anulou um gol legítimo de Leivinha do Palmeiras, que resultaria no empate em 1×1 e no título da Segunda Academia do Parque Antártica.

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Era Brandão quem comandava o Palmeiras no Morumbi lotado por 120 mil fieis em 1974, certos de que o sofrimento mosqueteiro acabaria em 20 simbólicos anos. O destino e o espiritualismo que cercavam o treinador de aura misteriosa, chutaram pelo pé direito do ponta Ronaldo garantindo o título do Verdão, o epílogo de Rivelino no Parque São Jorge e o adiamento do fim do calvário para três anos depois.

Em 1977, Brandão sofreu dobrado em silêncio sábio. Perdeu injustamente o cargo de técnico da seleção brasileira para o capitão Cláudio Coutinho, quando rascunhava um meio-campo fabuloso com Cerezo, Falcão, Rivelino e Zico, quadrado muito melhor do que a mediocridade campeã moral no ano seguinte com Batista, Chicão (ou Cerezo), Jorge Mendonça e Dirceu. Chicão simbolizava o padrão truculento da época da Ditadura

Sair da seleção nunca foi tão doloroso quanto ver o filho Márcio agonizar de câncer, agravado no calor das finais contra a Ponte Preta. Brandão soube fazer de um time limitado, um exército de Márcios solidários. O camisa 10, Palhinha, a ele respondeu que sua perna doía antes do jogo final. “Palha, a tua dor é na perna. E a minha, que não levanta da cama?”, abria o peito sangrando por Márcio.

Palhinha chorou como criança, mas não conseguiu jogar. Basílio, o camisa 8, fez o gol da vitória, cumprindo a profecia do mestre: “Neguinho, você vai fazer o gol do título”. Márcio morreu em 1978.

Oswaldo Brandão é descrito com a precisão que sabia exigir de seus jogadores sem perder a força e muito mais, a ternura. Brandão, morto em 1989, é a certeza de que houve, por um tempo, o sacramento solitário da bondade competente em campos nacionais.

É o texto de Mauricio Noriega, menino criado em cabine de estádio, janela mágica das fantasias vesperais, capaz de encantar e fazer do amor à bola, herança. Jovem batizado cedo em redação de jornal. Comigo é sempre desse jeito Cada vez que escrevo minhas bobagens, há uma letra de saudade do meu pai, inesquecível comentarista de rádio, vibrante corintiano.

Maurício Noriega honrou o pedido do pai Luiz e descreveu Oswaldo Brandão sem retoques. É informação histórica e precisa. Sem o diferencial do talento e da sedução do estilo, seria mera burocracia bibliográfica.

Decisão, decisões

Hoje começa a decisão do Campeonato Potiguar com Globo x América se enfrentando no Barretão. O Globo anunciou que quer ser o Ituano local e renovou o contrato do seu artilheiro, Ricardo Lopes, que teve o salário dobrado. Se ganhava menos de 5 mil, foi quase nada.

Desfalcado

O América parte de novo sem o seu goleiro Andrey. Há substitutos que tranquilizam: Dida e Fernando Henrique, Alex Barros e Dener também têm gente para suprir. Rodrigo Pimpão fará falta pela movimentação no ataque.

Decisão mesmo

Decisão mesmo, pra valer, de encher os olhos, será Barcelona x Real Madrid valendo a Copa do Rei da Espanha. A ONU poderia decretar feriado mundial para a galera assistir. Uma nova derrota e a crise no Barça vai fazer o time perder de vez o respeito dos adversários. Ainda aposto em Messi.

ABC

Segue contratando. Vem um volante do Macaé, Renan Silva, do tipo detetive, ou seja “de pegada”. A torcida espera meias hábeis, gente talentosa.

Pelé alvinegro

Na noite de 16 de abril de 1980, o meia Zezinho Pelé fez uma das maiores atuações individuais da história do ABC na vitória por 4×3 sobre o América (MG) no Mineirão, jogo da Taça de Prata, equivalente à Série B do Brasileiro. O ABC perdia por 3×0 e Zezinho exibiu o talento extraordinário que sempre exibiu desde os juvenis. Fez três gols. O outro foi de Noé Macunaíma.

Times

ABC: Carlos Augusto; Dão, Carlão, Cláudio Oliveira e Carpinelli; Baltasar, Danilo Menezes e Beto (Cid); Tinho (Noé Macunaíma), Zezinho Pelé e Cabral; América (MG); Zé Maurício; Heraldo, Luis Carlos Hippie, Luis Antônio e Vágner; Ramirez, Paulo Alves e Luis Carlos Gaúcho; Geraldo, Célio e Dirceu.

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