Brasileiros já recorrem à cirurgia plástica para cultivar uma barba farta

Cada rosto pede um formato. Saiba como ficar bonito de barba

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Se minha avó de 75 anos trabalhasse, fosse ao cinema ou tivesse uma rotina badalada como a minha, ficaria chocada com a quantidade de homens com barbas de todos os jeitos: longas, desgrenhadas e até por fazer. Acharia todos eles desleixados. O que vovó não sabe (até ler esta reportagem) é que a barba virou desejo de muitos homens, de várias idades. Quem tem fios fartos exibe o rosto com orgulho. Quem não tem recorre a um cavanhaque ou a uma barbicha rala. Há várias manobras para disfarçar as falhas. Quando nenhuma é possível, o jeito é assumir um rosto liso. Ou aderir a uma solução mais radical e definitiva: o implante de barba.

A procura pelo implante cresceu nos últimos anos no exterior e no Brasil. A Ásia é a região com maior número de cirurgias plásticas desse tipo. São 1.900 por ano. Nos últimos dois anos, no Reino Unido, o implante de barbas ultrapassou uma das plásticas mais comuns: a reparação do nariz (ou rinoplastia). Aqui no Brasil, o aumento da procura é recente. A Associação Brasileira da Cirurgia da Restauração Capilar estima que o número de implantes de barba no país cresceu 60% no último ano. Há pouco mais de dois anos, a média de implantes nas oito maiores clínicas de implante capilar não passava de dois por mês. Hoje, a média, em cada uma dessas clínicas, é de três implantes por semana.

O método mais moderno – já em uso no Brasil – estimulou a procura pelo implante. A técnica não exige cortes ou pontos nem deixa cicatriz. O cirurgião escolhe o lugar de onde os fios serão extraídos e, com uma agulha, retira folículo por folículo. É um procedimento delicado. Podem ser implantados até 1.500 fios numa operação, com anestesia local. “No método anterior, era necessário tirar um pedaço da pele do couro cabeludo, com os pelos que iriam para o rosto. O procedimento era mais invasivo e deixava cicatriz aparente”, diz Mauro Speranzini, cirurgião plástico da Clínica Speranzini, especializada em transplante capilar. Depois de duas semanas do implante, os fios podem ser raspados, pois voltarão a crescer  normalmente. O preço das cirurgias varia de R$ 10 mil a R$ 15 mil. Os pelos que serão implantados são retirados do pescoço, da parte de trás da orelha e da nuca do próprio paciente. Isso elimina o risco de rejeição.

Homens entre 25 e 40 anos lideraram um movimento internacional de retomada da barba. A onda começou há cerca de cinco anos. Astros de Hollywood aderiram e propagaram a moda para outras faixas etárias. A barba do ator Ben Affleck no filme Argo ganhou vida própria. Há um Twitter só dela, o @afflecks_beard. A página é um diário em que a barba farta desabafa, dia a dia, seu medo de ser raspada. Brad Pitt e George Clooney também exibiram suas barbas sem falhas e viraram fonte de inspiração.

O empresário Marcelo Carvalho, de 43 anos, usou uma foto de Clooney no filme Os descendentes para mostrar o que queria. Já fizera dois implantes de cabelo quando resolveu corrigir as falhas de sua barba. “Hoje quem me vê não me reconhece. A barba muda a fisionomia”, diz Marcelo. Em muitos jovens, com a vaidade há o desejo de se mostrar mais maduro. “Quem usa barba é tratado com mais seriedade. Alguns homens passam por garotos quando estão sem barba”, diz Everton Costa, de 27 anos. Ele fez a cirurgia de implante neste mês.

O médico canadense especialista em barbas Allan Peterkin transformou uma extensa pesquisa sobre o assunto no livro One thousand beards: a cultural history of facial hair (Mil barbas: uma história cultural dos pelos faciais). Nele, retoma os usos e significados da barba desde os romanos até hoje. Antigamente, os homens se espelhavam em quem estava no topo da sociedade. A monarquia e o clero ditavam a moda. Nos tempos modernos, esses modelos foram substituídos por símbolos de cultura pop. Os homens passaram a se identificar com músicos, atletas e estrelas de cinema. Em cada décwada, um modelo predominou. Nos anos 1930 e 1940, foi o bigode. Na década de 1960, a barba longa dos hippies. Na década de 1980, o bigode com cavanhaque. “Hoje, não há um tipo predominante. Isso porque os homens estão mais atentos à aparência. Adotam o que lhes cai bem.” A história mostra que a moda da barba é cíclica. Talvez, nos próximos cinco anos, o ideal de beleza seja um rosto limpo, ao estilo dos homens do seriado americano Mad men. Marcelo e Everton dizem que não se incomodam com isso. “Se cansar, raspo. O que quero é ter a opção”, diz Marcelo.

 

Fonte: Época

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