Breve conversa com dois profissionais potiguares no Dia Nacional da Fotografia

Hoje é comemorado o dia do fotógrafo. Parabéns aos coleguinhas

Conrado Carlos
Editor de Cultura

Todo mundo tem uma relação especial com alguma fotografia. Seja de um ente querido ou um lugar visitado, a imagem impressa em um papel é dos objetos mais caros em um lar. Em uma época de facilidades tecnológicas, que permitem captações instantâneas de forma democrática, inclusive em vídeo, ter fotos guardadas em álbuns virou quase uma prática museológica, ou pura arqueologia para as novas gerações. No entanto, ao olharmos, em silêncio, para o pedaço de papel colorido ou preto e branco, ilustrado com pessoas ou recantos memoráveis, é como se a única verdade fosse aquela estampada. Diante da fragilidade estética de um selfie ou de um post qualquer no Instagram, a qualidade do profissional que manuseia uma câmera aumentou em importância. Para entender um pouco dessa dinâmica que envolve arte, publicidade, comércio e, sobretudo para homenagear o Dia do Fotógrafo e da Fotografia, celebrado nesta quarta-feira (08), conversei, via telefone, com dois profissionais que representam campos distintos: Canindé Soares e Elisa Elsie.

É raro um natalense que nunca tenha visto uma imagem de Canindé Soares. Um dos nomes mais conhecidos da fotografia local, ele já registrou os quatro cantos do Estado e publicou material em veículos nacionais e internacionais. Sua mais nova empreitada é a imagem noturna da inacabada Arena das Dunas (foto acima). Com três décadas de experiência, analisa que o momento da consolidação digital ampliou possibilidades. “Quando eu comecei, em 1977, tinha uma revista que servia de referência. Hoje tem fotografia, boas e ruins, em todo lugar. Muita gente faz cursos, aprende detalhes de como fotografar, só para registrar viagens e eventos pessoais. Querendo ou não, isso melhorou a qualidade”. Aos 53 anos, o filho de São Bento do Trairi, na Borborema Potiguar, enaltece profissionais locais, ainda que o trabalho de certos editores limite a máxima utilização da imagem. “Às vezes, uma ótima foto é mal explorada, seja pela falta de cuidado do editor ou pelo projeto gráfico que não valoriza a fotografia”.

Junto com a arquitetura e a escultura, a fotografia é das artes que mais sofrem com a intensificação da cultura de massa. As duas primeiras, nascidas como frutos da estética na Antiguidade, foram adulteradas de forma pragmática, exequível de acordo com materiais e viabilidade financeira. Poucos projetos investem em sua verdadeira função, que é partir da harmonia e da beleza para proporcionar segurança e conforto aos usuários – basta ver as formas de centro tecnológico que deram ao novo Museu Câmara Cascudo e os inúmeros prédios residenciais simplórios, que apostam em revestimentos para jogar o preço nas alturas. Já as imagens fotográficas, como a música, enfrentam a proliferação de adeptos empolgados com tablets, smartphones e demais tecnologias, no sentido de mostrar que existe algo além do fotojornalismo da pirâmide invertida e da restrição de uma direção de arte publicitária sem margem para manobra. É nesse caldeirão conceitual que Elisa Elsie busca inserir seus valores.

Após uma residência na School Of Visual Arts, em Nova York, onde estudou Fotografia Artística entre julho e agosto de 2013, a também jornalista de 29 anos pode dar início a um antigo sonho de trabalhar suas fotos como arte. Sócia do Duas Estúdio, empresa dividida com uma amiga, ela atua em assessorias de comunicação, mas confessa que a liberdade no processo criativo de uma imagem ‘autoral’ é sua grande paixão. “Já no terceiro período de jornalismo eu pensava em fotografar. Então eu tranquei a faculdade e fui para Nova York fazer um curso básico de um ano e meio. Quanto à fotografia como arte, ela não é feita pensando em dinheiro. Isso funciona no plano comercial, quando o cliente lhe procura e sabe que você tem um trabalho diferenciado, uma linguagem mais contemporânea”.

Um registro de Elisa Elsie a caminho de Galinhos
Um registro de Elisa Elsie a caminho de Galinhos

 

Priguissa grava DVD
Um dos maiores fenômenos da cultura alternativa da cidade, o MC Priguissa, um cara que canta um ritmo chamado de raggamuffin, som eletrônico que mistura de dub, hip hop, dancehall, reggaeton, funk, reggae e tudo que faz sua coluna vertebral sacudir, mesmo sem seu consentimento, estará no próximo sábado (11), a partir das 22h30, na Pepper’s Hall para registrar sua apresentação em DVD.  Por R$ 20 você ainda terá DuSouto e os DJs Samir e Nato. Corra até uma loja da Chilli Beans (Via Direta, Praia Shopping e Midway Mall) que os ingressos voarão.

Decapitação no MA
O Maranhão é o emblema rubro do fracasso social brasileiro. Outrora um dos berços culturais e relevantes na história nacional, a ponto de São Luís ser apelidada de a Atenas do Brasil, terra-natal de Gonçalves Dias, Graça Aranha, Ferreira Gullar, Zeca Baleiro, João do Vale, Alcione, etc, o pedaço de chão quase sete vezes maior que o Rio Grande do Norte, misto de Sertão e Amazônia, amarga alguns dos piores índices econômicos, sanitários e educacionais da Federação, compatíveis às nações africanas menos desenvolvidas.

Decapitação no MA – II
Com a conivência, ou pior, com o apoio do PT, a Dinastia Sarney exauriu um lugar promissor em cinco décadas de poder, com pai e filhos no comando da mídia e da política, sem que ninguém faça nada. As costas sempre estiveram viradas para os maranhenses, essa é a verdade. O medievalismo no sistema carcerário, com decapitações recreativas e estupro de filhas, esposas e mães dos inimigos é apenas um dos lados mais impressionantes do abandono moral e ‘progressista’ sofrido por um Estado em que dois terços dos municípios são miseráveis.

Decapitação no MA – III
O Nordeste virou caso para a Cruz Vermelha, para uma intervenção da ONU, da Liga Árabe ou do Super-Homem, diante da violência que atingiu. Sinceramente, é revoltante ver imagens da politicagem de alpendre, feita em mansões litorâneas por alguns sujeitos desprezíveis (veja bem, “alguns”), que meteram a mão em nosso dinheiro, enquanto se mata por diversão nos arrabaldes e rincões potiguares. Vire esta página e leia a editoria de polícia. Entre no site do jornal e acesse o Portal BO, para ver como tem sido o veraneio dos lascados.

UFC – Pay-Per-View
O canal Combate registrou um aumento de 27% e 28% em sua base de assinantes, respectivamente na NET e na SKY, na comparação entre dezembro e novembro do ano passado. E mais: com a revanche de Anderson Silva e Chris Weidman, cerca de 100 mil pessoas compraram o pacote do UFC 168, transformando-o no maior sucesso do ano. Entre maio e junho próximos, será a vez de Vitor Belfort tentar vencer o americano, o que deve gerar uma nova procura dos fãs de MMA.

Elogio
A lista de atrações para o Carnaval deste ano, confirmada pelo prefeito Carlos Eduardo em sua conta no Twitter, ainda em dezembro passado, é bacana. Se nada mudar até lá, Mart’nália, Jorge Aragão, Moraes Moreira, Elba Ramalho e Alceu Valença compõem um time de primeira grandeza, sobretudo para esta cidade apartada dos grandes eventos. Nenhuma capital turística e tropical pode abdicar da data mais festiva do Brasil – assim como do Réveillon, que nos últimos anos virou algo provisório, sem graça, para cumprir tabela.

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