Buracos atormentam vida de motoristas e moradores na BR-226

Comércio também sofre prejuízos com diminuição de clientes

Próximo ao cruzamento com a Av. Capitão Mor-Gouveia acidentes são comuns e nem os ônibus escapam dos buracos na via. Foto: Divulgação
Próximo ao cruzamento com a Av. Capitão Mor-Gouveia acidentes são comuns e nem os ônibus escapam dos buracos na via. Foto: Divulgação

Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

 

O excesso de buracos abertos no asfalto da BR-226, entre os bairros do Bom Pastor e Felipe Camarão, na zona Oeste, está causando enormes prejuízos para moradores e comerciantes da área e também motoristas que precisam passar pelo trecho diariamente. Relatos de acidentes, quedas de motoqueiros, danos a veículos e até redução de vendas nos estabelecimentos comerciais da região são frequentes e vem tirando o sono de todos, que já não acreditam mais em uma solução pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (Dnit).

“Já caí várias vezes nesses buracos, mesmo andando com todo o cuidado do mundo e, infelizmente, sei que não vão fazer nada até que aconteça uma tragédia grande e morra muita gente aqui. Isso é um absurdo. Todo dia tem batida de veículos, carros quebrados, motoqueiros no chão, sem contar nos dias de chuva, quando a água esconde os buracos e quem não sabe onde eles estão caem aí. É muito perigoso, mas tenho que passar por aqui todos os dias. A última queda que levei foi hoje, logo cedo e perdi toda a mercadoria que iria entregar”, desabafou o moto-entregador Murilo Lopes.

Quem vive ou trabalha perto ao trecho com maior número de buracos, próximo à Avenida Capitão-Mor Gouveia, já está acostumado com a rotina de acidentes e trombadas entre veículos no local. Para a comerciante Rosário Santos, a situação causa transtornos até mesmo para os usuários de transporte público que pegam ônibus nas proximidades. Ela disse ainda que já foram feitas várias reclamações ao Dnit, mas até o momento, nada foi feito para tentar resolver a situação.

“As pessoas saem arrumadinhas para trabalhar e precisam enfrentar esse lamaçal todo, sem contar na possibilidade de tomar um banho de lama, quando um carro grande passa dentro dos buracos e espirra água suja nas pessoas na calçada. Sem contar no intenso mau cheiro que toma conta do local, causado em parte pelo lixo e esgoto que escorre a céu aberto no trecho. Já fizeram várias reportagens, reclamamos, mas não adianta nada”, reclamou.

Buracos afastam os clientes

Outro problema causado pelos buracos, que de tão grandes conseguem “engolir” um carro de passeio inteiro, é que eles estão afastando os clientes dos estabelecimentos comerciais próximos a eles. Denise Pinheiro, que trabalha em uma loja de produtos e serviços telefônicos, disse que já perdeu mais de 50% dos clientes porque eles não conseguem chegar até o local sem cair em um buraco. Ela cogitou até mesmo sair de lá e se estabelecer em outro ponto comercial.

“Temos muitos clientes que vêm de carro ou mesmo idosos que andam a pé, mas que estão sendo impedidos de chegar até aqui porque não têm condições de andar ou de carro mesmo, porque ninguém vai estragar o seu veículo nessa buraqueira. Tem gente que disse mesmo que prefere ir ao Alecrim para comprar peças, a vir até aqui e ter que enfrentar essas crateras todas aqui e se arriscar a sofrer um acidente, como acontece direto, principalmente com caminhões e carretas, que vivem tombando aí”, afirmou Denise.

O vidraceiro Leandro da Costa também reclamou de queda na procura por seus serviços e disse que a maioria dos acidentes acontece durante a noite, por causa da iluminação precária desse trecho. “Eles não enxergam direito os buracos e caem mesmo, principalmente motoqueiro e motoristas de caminhões. Infelizmente, até eu estou sendo prejudicado, porque estou perdendo clientes por causa disso. Está muito difícil e se ninguém fizer nada, vai acontecer uma tragédia grande aqui”, desabafou.

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