Cabo Anselmo do ABC

As revelações do delegado federal e ex-deputado idem Romeu Tuma Jr., no livro que está lançando, “Assassinato de Reputações –…

As revelações do delegado federal e ex-deputado idem Romeu Tuma Jr., no livro que está lançando, “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”, são o testemunho de quem viveu no olho do furacão que sacudiu a República na última década.

No depoimento que prestou ao jornalista Claudio Tognolli, responsável pelo texto do livro, entre tantas declarações bombásticas, que lançam luzes sobre o assassinato de Celso Daniel e sobre o percurso das propinas no PT, uma é a mais espetacular.

Trata-se da acusação, direta e sem meio-termo, contra Luiz Inácio Lula da Silva ao tempo ainda do regime militar. Tuma Jr. diz com todas as letras que o então metalúrgico do ABC era um informante do DOPS e tinha um codinome todo próprio: “o barba”.

Filho do delegado Romeu Tuma, um dos mais importantes agentes da PF nos anos 70, ele busca na memória o testemunho do menino que viu “o barba” várias vezes conversando com seu pai e até dormindo em sua casa. Havia um lugar só para isso.

Pode ser novidade para grande parte da sociedade o teor do livro do ex-delegado que foi demitido pelo próprio Lula quando presidente da República, mas para quem viveu o ambiente político e intelectual do final dos anos 70 e meados dos 80, é assunto velho.

Desde 1983, ano em que abandonei a militância petista em Natal e fui fundar o Partido Verde com o geólogo Eugênio Cunha e a bióloga Darcy Girassol, as histórias misteriosas sobre o Lula pré-greve 1978 rolavam nas conversas.

Ele com Golbery.

Espécie de general formulador de estratégias, Golbery do Couto e Silva foi o cara que elaborou a tese do recuo lento e gradual do regime militar, durante o governo Ernesto Geisel. São muitos os depoimentos de que foi ele quem achou Lula no meio operário.

E desse achado, surgiu a ideia do Partido dos Trabalhadores como válvula de escape para impedir o fortalecimento das legendas de antigos inimigos dos militares, como Leonel Brizola, Miguel Arraes, João Amazonas, Chico Julião e Luiz Carlos Prestes.

Seria uma coincidência que nas primeiras eleições diretas para presidente da República, em 1989, setores conservadores e até da imprensa, como gente da TV Globo, operaram para Lula obter votos nas regiões Norte e Centro-Oeste durante o primeiro turno?

O alagoano Fernando Collor era o queridinho de todos, mas esses todos temiam um segundo turno contra Brizola, um velho desafeto dos Marinho que vivia ameaçando cortar a consessão da Globo. Daí, nada mais providencial que Lula contra o playboy.

Aliás, um ano antes daquela eleição, o empresário Mario Garnero lançou o livro “Jogo Duro”, onde narra, entre outras coisas, seu relacionamento com Lula nos anos 70 e deixa bem claro que realmente houve uma ligação do operário com os militares.

Palavras de Garnero no seu livro: “Longe de mim querer acusá-lo de ser o Cabo Anselmo do ABC, mesmo porque, ao contrário do que ocorre com o próprio Lula, eu só acuso com as devidas provas. Só me reservo o direito de achar estranho”.

Mario Garnero foi um dos mais importantes empresários do país desde JK até o final do governo militar. Em 1985 foi banido do mercado financeiro e só retornou ao mundo corporativo pelas mãos do então presidente do Brasil, Luiz Inácio da Silva.

No seu livro, reforça aquele mistério: “Lula foi a peça sindical na estratégia de distensão tramada pelo Golbery – o que não sei dizer é se Lula sabia ou não sabia que estava desempenhando esse papel”. Ora, Golbery contou com ele para aliciar Lula.

A denúncia de Romeu Tuma Jr. vai muito além da gravidade de uma engrenagem partidária em conluio com os militares. Ele acusa formalmente, com conhecimento de causa, um trabalho nojento e criminoso de deduragem junto ao DOPS. Um Lula X9. (AM)

 

Rima fácil
Depois das revelações no livro de Romeu Tuma Jr., a moçada nas redes sociais começou a trolar os esquerdopatas com uma rima usada por eles mesmos contra a TV Globo. Pelo Twitter, mandaram bala: “A verdade é dura / Lula ajudou a ditadura”.

Xô, cineasta
É quase unanimidade a impressão de que a cerimônia mambembe do sorteio da Copa 2014 na Costa do Sauípe só teve de bom mesmo a estampa da modelo Fernanda Lima, que repercutiu no mundo inteiro. Merece uma tag no Twitter: #ChupaSpikeLee

Brejeira
Na entrevista que concedeu ao Portal No Ar, o deputado Fernando Mineiro evitou comentar o imbróglio eleitoral do PT e disse que só se manifestaria sobre o assunto a partir de hoje, quando o diretório nacional decidisse a contenda. Tomara que fale.

Reconhecimento
Durante a entrevista de mais de 1 hora, Fernando Mineiro também comentou a crise de relação entre o governo Rosalba Ciarlini e os três poderes, mas reconheceu como um acerto o corte nos salários de marajás efetuado pela governadora do DEM.

A chapa
PMDB e PSB avançaram muito mais nas conversas sobre 2014 do que possam imaginar as editorias de política. Não será tanta surpresa assim se até janeiro os dois partidos confirmarem a chapa Fernando Bezerra governador e Wilma de Faria senadora.

Mandela e Bush
Até 2008, Nelson Mandela era considerado um terrorista inimigo dos EUA, mesmo após ter demonstrado na prática que já não tinha arroubos comunistas. Por decisão do então presidente George W. Bush o nome do sul-africano foi retirado da lista negra.

Rompimento
As bases de Dilma Rousseff na sua pátria política, Rio Grande do Sul, estão desmilinguindo. O eterno aliado PDT rompeu com o governo Tarso Genro e estuda apoiar a candidatura de Eduardo Campos (PSB) ou a de Aécio Neves (PSDB).

Revelações
No livro de Romeu Tuma Jr. (leia o artigo de abertura da coluna), ele conta um encontro com Gilberto Carvalho durante a investigação do assassinato de Celso Daniel, e diz que o secretário afirmou que as propinas das prefeituras eram entregues a José Dirceu.

Livro
O historiador Marco Antonio Villa está lançando hoje, na Livraria Cultura, em São Paulo, o livro “Década Perdida – Dez Anos do PT no Poder”, onde aborda o período 2003-2012 em que Lula e Dilma assaltaram e aparelharam as estruturas do Estado.

Os bárbaros
As cenas da batalha entre atleticanos e vascaínos no campinho de Joinville correram o mundo imprimindo mais negativismo na imagem que a civilização tem do Brasil. Futebol em solo nacional não pode nem deve ser praticado longe da Polícia.

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