Caçadores invadem cidades do RN em busca de arribaçãs em época de reprodução

Ibama aumenta fiscalização para evitar a caça ilegal das aves no Interior

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Diego Hervani

Repórter

A caça ilegal de arribaçãs sempre foi um dos maiores problemas que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) tenta combater no Rio Grande do Norte. Apreensões de aves mortas acontecem rotineiramente. Na atual época do ano, a fiscalização do Ibama, junto com a Polícia Ambiental, para acabar com essa prática tem aumentado. O motivo é que as aves estão em período de reprodução.

“Nós estamos em um período chuvoso. Então, quando as chuvas chegam, as aves chegam também. As arribaçãs vêm para o Rio Grande do Norte para se reproduzirem. Então a quantidade de aves aumenta muito nesse período e infelizmente a caça ilegal também. Por isso precisamos aumentar a fiscalização para evitar essa matança”, afirmou Airton De Grande, analista ambiental do Ibama-RN. De acordo com denúncias que chegaram até o Jornal de Hoje, nos municípios de Macau e Pendências, os “Bombeiros de Arribaçã” – como são conhecidos os caçadores da ave – estão promovendo uma grande matança. A estimativa é que mais de 500 arribaçãs estão sendo mortas todos os dias. Depois de caçar os animais, essas pessoas vendem o par por R$ 5,00. Segundo Airton, a Polícia Ambiental tem ajudado no combate a essas ações.

“Nós não podemos revelar onde estamos fazendo essas fiscalizações, mas temos policiais disfarçados que estão fazendo um levantamento para saber as regiões onde a caça das arribaçãs está acontecendo. O próximo passo é identificar as pessoas que estão fazendo esse tipo de coisa para depois tomarmos as medidas cabíveis”.

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A caça de arribaçã é crime e pode levar até a prisão. “A multa é de R$ 500,00 por unidade de arribaçã morta. Além disso, a pessoa vai responder a um processo que pode levar a detenção de até 3 anos. Além disso, se estiver transportando as arribaçãs em um carro, o veículo será apreendido. Se estiver mantendo em uma geladeira, esta também vai ser apreendida.”, explicou Airton, que também informou que quem compra as arribaçãs mortas está sujeito as mesmas punições. “A Lei não diferencia quem caça as arribaçãs de quem compra. As punições são as mesmas. Não adianta se desculpar falando que comprou apenas para comer. Comprar arribaçã é ilegal também”.

Apesar de não está ameaçada de extinção, a arribaçã é considerada de extrema importância para a natureza. “Por onde a arribaçã passa, ela deixa o solo melhor. Ela também leva sementes de frutas para outros lugares. Aqui no Rio Grande do Norte as pessoas têm o costume de falar que compram para comer. Porém, esses animais precisam ser cuidados pensando no futuro. Espero que não aconteça, mas se no futuro tivermos um grande problema e a população fique com pouco alimento, essas aves podem ser utilizadas como alimento e o Ibama trabalha com esse ideia. Mas hoje em dia as pessoas não precisam matar arribaçã para não passar fome”, argumentou Airton De Grande.

Por fim, o analista ambiental pediu o apoio da população para denuncia as caças ilegais, não apenas das arribaçãs. “A caça de animal silvestre é proibida. Peço para a população que ajude o Ibama a combater essa prática. Quem observar alguma situação ilegal, pode ligar para o 3342-0410. Se o Ibama não estiver próximo, entre em contato com o policiamento da região, pois quem estiver caçando tem que ser levado para a delegacia”.

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