Cacique está há mais de seis horas em cima de árvore no Museu do Índio

Delegado diz que ação de desocupação se baseia em decisão judicial de março deste ano

Cacique Uratau está há mais de seis horas em árvore. Foto:Divulgação
Cacique Uratau está há mais de seis horas em árvore. Foto:Divulgação

O cacique Uratau está há mais de seis horas no alto de uma árvore no Museu do Índio, no Complexo do Maracanã, resistindo à desocupação do espaço, nesta segunda-feira. Um negociador do Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegou a ser chamado para convencer o homem a descer, mas o indígena se recusou. Neste momento, bombeiros montam equipamento de rapel para retirá-lo da árvore. Por volta das 17h20, os manifestantes se organizaram para levar água e comida ao cacique. Os bombeiros entregaram os mantimentos. Mais cedo, 26 pessoas foram levadas para a 18ª DP (Praça da Bandeira). Destas, 24 foram autuadas por resistência e devem ser julgadas no Juizado Especial Criminal (Jecrim).

As outras duas pessoas foram autuadas por furto de material de escritório e resistência, desobediência e desacato, respectivamente. O furto ocorreu no prédio da Associação Nacional dos Agropecuaristas (Anagro), desativado há anos, que estava sendo usado pela Odebrecht, uma das empresas envolvidas nas obras do Complexo do Maracanã. Os ativistas ocuparam o espaço. Segundo o delegado Fábio Barucke, da 18ª DP, a outra pessoa xingou os policiais. “A pessoa se dirigiu a um dos PMs com palavras de baixo calão. Além disso, todas as penas somam mais de dois anos, o que joga o caso para justiça comum”, afirmou Barucke. Os 25 manifestantes foram liberados e, até às 16h desta segunda-feira, se reuniam para fazer uma ‘vaquinha’ e conseguir a quantia de um salário mínimo, necessária para a liberação do último detido.

Divergência em ação

Ainda de acordo com o delegado Fábio Barucke, a ação policial se baseou em uma decisão judicial de março deste ano. No entanto, os indígenas mostraram documentos, datados de setembro, que garante a ocupação do espaço. O advogado do grupo foi à Justiça Federal para protocolar a decisão.

Pela manhã, policiais realizaram um cerco na área e retiraram algumas pessoas à força. Segundo os agentes, 26 ativistas foram detidos e, até às 16h desta segunda, somente um deles aguarda o pagamento da fiança de um salário mínimo para ser liberado. A pista sentido Centro da Radial Oeste foi fechada a partir da Rua São Francisco Xavier, após o Viaduto da Mangueira, por cerca de 2h30. A via foi reaberta por volta das 10h. O grupo foi retirado do museu e levado para um ônibus da PM.

“Houve ilegalidade nas prisões porque não há ordem judicial para a desocupação. Os policiais usaram gás de pimenta e agrediram manifestantes”, explicou o advogado André de Paula, da Frente Internacional dos Sem-Teto, que está na 18ª DP.

O estudante de enfermagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Dalvi, de 24 anos, disse que uma pessoa foi agredida enquanto os indígenas subiam no telhado do museu. “Um policial tentava conversar, mas outros eram mais agressivos e uma pessoa levou um soco na barriga”, afirmou o estudante, que disse ter ido ao local prestar socorro “em caso de necessidade”. Em nota, o Governo do Estado informou que o antigo Museu do Índio não será derrubado. Ele será transformado em um Centro de Referencia das Culturas Indígenas.

Fonte:IG

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