Caic de Cidade Satélite perde quase metade dos alunos por causa da insegurança

A escola pede socorro! Alguém precisa coibir os furtos e assaltos constantes, como também o tráfico de drogas no local

Caic-do-conjunto-Cidade-Satelite-WR

Não é por acaso que a Escola Municipal Professor Otto de Brito Guerra, ainda conhecida como CAIC de Cidade Satélite, tem a fama de insegura no bairro. No Domingo de Páscoa, a escola e o Centro de Educação Municipal de Educação Infantil (CMEI) Claudete Costa Maciel foram assaltados.

Localizados na Rua Serra da Jurema, os prédios das instituições de ensino são vizinhos. Foi levado um computador da sala da secretaria de cada escola. De acordo com a diretora da escola Professor Otto de Brito Guerra, Maria Gorett Medeiros Souza, os bandidos renderam os porteiros das duas instituições, que não usam armas. Depois, os criminosos pegaram os celulares dos porteiros e finalmente levaram os computadores das secretarias. “Chegaram a perguntar por que essas outras salas tinham grade e ele disse que era porque tinha documentos da escola”, narrou a diretora. Tudo isso durante a manhã do domingo passado.

Mesmo com a greve na rede municipal de ensino, a equipe técnica continua trabalhando ou, pelo menos, tentando. Sem computador para exercer seu ofício plenamente, o auxiliar de secretaria Marcos Carvalho diz que “é um constrangimento” o que se passa na instituição, mas faz a ressalva afirmando que com os vigias a comunidade escolar se sente mais segura.

Situações como essa não estão isoladas. “Colocaram segurança aqui depois de um protesto que a gente fez há uns dois meses. Os professores foram à secretaria de educação e disseram que só retornariam às aulas se tivesse segurança”, contou Gorett Souza.

Após a manifestação, a Secretaria Municipal de Educação (SME) atendeu parcialmente o pleito dos docentes. Conforme a direção da escola, três seguranças armados protegem a instituição durante a manhã e a tarde. Mas o turno noturno permanece desguarnecido.

Os professores só chegaram a esse ponto porque pessoas estranhas à escola circulavam livremente dentro da instituição, inclusive usando drogas e ameaçando os estudantes. A diretora acredita que a localização da escola, numa área praticamente sem vizinhos, é um dos fatores que a torna mais vulnerável. “Quinta-feira passada ameaçaram tomar a moto de um aluno da noite”, acrescentou Gorett. Ainda segundo ela, a ameaça só não se concretizou porque a pretensa vítima era conhecida dos bandidos. No entanto, em outro episódio, também à noite, o marido de uma funcionária, que havia ido buscá-la para voltar para casa, foi assaltado.

Conforme a direção da escola, haverá uma reunião ainda nesta semana, na qual a secretaria de educação irá explicar o motivo de não enviar seguranças para o turno da noite. “O que a gente queria mesmo era a guarda municipal, que agora é armada”, declarou a diretora.

QUEDA NA PROCURA

Números da direção da escola mostram a queda de matrículas. Em 2011, havia 1166 estudantes, mas neste ano há apenas 853. Isso significa uma diminuição de pouco mais de 27% na quantidade de alunos. Para a diretora da escola, esse contingente migrou para a rede estadual de ensino, que conta com o transporte escolar quando é necessário o deslocamento de alunos para escolas de outros bairros.

Certamente não é coincidência que o horário em que a escola perdeu mais alunos foi à noite. “No noturno houve a redução mais forte. Tínhamos 12 turmas e agora são seis”, expôs a diretora. É exatamente nesse turno que funciona a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para pessoas fora de faixa e que trabalham durante o dia, o único turno sem seguranças.

A Escola Municipal Otto de Brito Guerra atende alunos do 6º ao 9º. “As escolas de até 5º ano da região tinham cerca de 350 alunos para encaminhar esse ano, mas só vieram uns 150″, acrescentou. A diretora também admite que “a escola tem uma reputação muito ruim na comunidade por conta desses acontecimentos”.

A declaração de quem comanda o colégio corrobora com o que diz a doméstica Sânzia Bezerra, moradora do Planalto. Ela tem um dos filhos matriculados no 7º ano na instituição. “Pra falar a verdade, com ele nunca aconteceu nada, mas eu vejo o povo comentar”.

Compartilhar: