Caixa Econômica escala seguranças para conter invasões do Minha Casa

Ao menos 50 das casas estavam invadidas no começo deste mês, segundo a Caixa

Casas desocupadas estavam sendo invadidas e depredadas. Foto:Divulgação
Casas desocupadas estavam sendo invadidas e depredadas. Foto:Divulgação

A Caixa Econômica Federal escalou seguranças privados para tentar conter uma onda de invasões e depredações em imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida em Vitória da Conquista (BA).

Três dos quatro condomínios do programa, entregues pela presidente Dilma Rousseff em outubro, passaram a ser alvo de invasões no final do ano passado.

O programa, que já entregou mais de 1,4 milhão de unidades no país, é um dos principais trunfos eleitorais do PT na disputa para continuar no comando do Planalto.

Na cidade baiana, os invasores, em sua maioria, são pessoas que dizem estar cadastradas no programa e que não foram beneficiadas com as novas unidades.

Eles dizem ainda que pelo menos 250 das 1.750 unidades estão vazias. Ao menos 50 das casas estavam invadidas no começo deste mês, segundo a Caixa.

As disputas por uma casa na cidade motivaram, no último dia 30, a morte de um homem de 24 anos. O suposto dono do imóvel que ele ocupava o matou a tiros.

Embora Dilma tenha anunciado à época que estava entregando todas as 1.750 unidades, a Caixa informou que realmente há imóveis vazios e que um sorteio será realizado pelo banco até o próximo dia 30.

A Caixa não revelou quantas casas estão vazias nos três condomínios que registraram invasões, mas disse que num deles, o Ipê, há 50 imóveis que nem sequer foram sorteados.

Os 24 seguranças que atuam nos condomínios serão mantidos, segundo a Caixa, “até que o risco de invasão seja mitigado e a entrega das unidades seja finalizada [no final do mês]“.

O banco federal deu prazo até esta quarta-feira (14) para que os invasores deixem as casas ocupadas.

Moradores consultados dizem que ao menos 30 imóveis continuam invadidos. Os ocupantes, contudo, evitam permanecer 24 horas por dia nas casas para evitar encontrar funcionários da Caixa, que têm visitado os imóveis com seguranças pedindo a desocupação.

Grávida de três meses e solteira, Ana Paula Alves Freire, 23, disse que manteria a invasão até sua situação ser resolvida. “Estou cadastrada há quatro anos no programa e descobri agora que não recebi uma casa ainda porque digitaram errado meu CPF”, afirmou.

DEPREDAÇÃO

A situação motivou depredações nos condomínios recém-entregues. O imóvel que era ocupado pelo homem que acabou sendo morto teve, por exemplo, vidros e portas arrancados –segundo moradores, amigos do rapaz praticaram o quebra-quebra.

Em outras casas há portas arrombadas, vidros de janelas quebrados, casas sem pias e vasos sanitários.

Diante da ausência de comércio e serviços na região dos condomínios, na periferia da cidade baiana, moradores transformaram parte das casas em bares, mercados e salões.

“Não adianta dar casa sem ter nem onde comprar um remédio”, disse Patrícia Silva, 27, que abriu um pequeno mercado em sua casa.

Sobre os imóveis danificados, a Caixa informou que está levantando custos de recuperação e que a responsabilidade pelo pagamento será definida após esse trabalho.

O banco disse ainda que desde que seja mantido o uso como moradia, não há impedimento no emprego das unidades para comércio.

Questionada sobre eventual emprego de segurança privada em outros condomínios do Minha Casa, Minha Vida pelo país, a Caixa informou apenas, sem citar números e locais, que contrata o serviço para “empreendimentos com indicativos de invasão”. Durante a construção dos imóveis, afirmou o banco, a segurança é responsabilidade das construtoras.

Fonte:FSP

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