“Callas” reconstrói fim da vida da mais importante soprano da história

Peça é dirigida por Marília Pêra, com Silvia Pfeifer e Cássio Reis

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Por mais que os amantes da ópera digam o contrário, o tempo das sopranos e dos tenores carismáticos, que mesclavam talento artístico com charme pessoal, já passou. Quanto às mulheres, domingo que vem, às 20 horas, no Teatro Riachuelo, talvez a principal delas será traduzida para o público natalense através da peça Callas, cujo texto de Fernando Duarte e direção de Marília Pêra (que já representou a diva em 1996) tem feito sucesso pelo país. No papel da cantora lírica americana, a bela Silvia Pfeifer. Enquanto Cássio Reis interpreta o jornalista amigo que é procurado para armar uma exposição sobre a vida de Maria Callas, a filha de gregos morta em 1977, aos 53 anos, após um ataque cardíaco.

O enredo começa em Paris, em 15 de setembro de 1977, um dia antes do falecimento de Maria Callas. Atormentada por anos de alcoolismo e uma relação conturbada com o magnata Aristóteles Onassis, ela vai ao encontro do jornalista e amigo John Adams para pedir ajuda na organização de uma exposição sobre sua carreira. Vítima do estrelato e dos excessos, o glamour se desfaz no abismo que existia entre a musa do palco e a frágil mulher que abandonou a carreira para se dedicar ao amor incondicional. “Callas foi única. Sua voz, sua tristeza, sua morte, tudo faz com que ela se assemelhe a mulheres, como Frida Kahlo, que marcou história”, diz o aluno de artes cênicas Mateus Alencar.

Maria Cecília Sofia Anna Kalogeropoulou nasceu em Nova York (1923), mas voltou à Grécia com a mãe, diante da pobreza familiar. Foi em Atenas onde começou na música. Aos 25 anos, atingiu seu primeiro êxito, notadamente em Florença, na Itália. O auge veio nos anos 1950, com apresentações nas mais importantes casas do mundo. Até que sua voz começou a declinar, fruto das angústias pelo casamento com Onassis. Callas trocou os ensaios e concertos pela noite, em que a bebedeira ganhou protagonismo. “Ela era muito intensa, passional, e viver ao lado de um homem rico, poderoso, mulherengo, foi fatal”, diz Mateus.

Um dos mitos do século XX, a Imperatriz do Bel Canto teve uma vida tão dramática quanto à de seus personagens. Considerada uma revolucionária dentro da história da ópera, e ainda hoje tratada como a maior cantora lírica de todos os tempos, Callas ganha o palco na peça que utiliza recursos multimídia, como fotos históricas, vídeos com imagens da cantora em ação. Tudo para levar ao público o máximo de expressão – o papel do jornalista é o de preparar o terreno para a narrativa com perguntas-chave. “Tenho amigos em outros Estados que já viram e disseram que é ótima [a peça].

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