“A Câmara Municipal de Natal ainda dá respostas lentas”, avalia Jacó Jácome

Jacó Jácome, aos 21 anos de idade, é o vereador mais jovem da atual legislatura da Câmara Municipal de Natal

O JORNAL DE HOJE – Quais suas expectativas para o ano legislativo de 2014?
JACÓ JÁCOME – Espero que o ano seja mais produtivo em relação ao debate político, e que a Câmara não entre em temas pessoais e trate das prioridades para Natal. Precisamos avançar mais no parlamento em beneficio dos natalenses.

JH – A Câmara Municipal de Natal cumpriu bem sua missão no ano que passou?
JJ -Essa legislatura era uma incógnita no inicio do ano, mas creio que no contexto geral alguns vereadores novos de primeiro mandato, conseguiram superar as expectativas. Foi um ano de muito trabalho e aprendizado também.

JH – Na condição de vereador de primeiro mandato, o que lhe agradou e o que lhe aborreceu no parlamento?
JJ – O Parlamento é o extrato da sociedade, ele é muito dinâmico, versátil e os debates sempre são enriquecedores e isso me chamou atenção positivamente. Talvez o que mais me incomodou foi a capacidade do Parlamento no geral, de muitas vezes não se posicionar com independência em relação ao executivo, e avalizando sem uma preparação previa as matérias que chegam da prefeitura.

JH – Na sua opinião, o conceito da Câmara Municipal de Natal melhorou junto à população natalense a partir do trabalho de vocês?
JJ – O conceito pode melhorar muito ainda. A Câmara ainda dar respostas lentas a algumas perguntas urgentes das questões administrativas de Natal. Creio que podemos melhorar e nosso papel enquanto presidente da CCJ foi justamente o de responder as prioridades dos natalenses.

JH – Os vereadores de primeiro mandato deram uma nova dinâmica os trabalhos legislativos?
JJ – Os novos vereadores surpreenderam e o processo tem sido dinâmico. Veja que tem vereadores novos, jovens, e veteranos, todos na mesma condição e creio que isso tornou o processo mais democrático.

JH – Como o senhor analisa os momentos de tensão vividos pelos vereadores provocados por invasões e depredações de integrantes dos chamados movimentos sociais?
JJ – Vejo com cautela. Ao longo do tempo a sociedade sempre foi avançando nos movimentos sociais que reivindicam melhorias na qualidade de vida, e quando esses movimentos cresceram junto à população sempre conseguiram respostas do Poder Público. O que esses novos movimentos precisam rever é a maneira como lutam. Não é adequado lutar pelas suas melhorias sem se organizar e sem buscar  a via do diálogo. Sempre quando isso ocorreu, o que gerou como consequência foi o tensionamento do Estado com os momentos sociais e não o consenso.

JH – Que avaliação o senhor faz da atual gestão municipal nesses 12 meses da administração do prefeito de Natal, Carlos Eduardo?
JJ – Alguns serviços essenciais básicos melhoraram na cidade como a coleta do lixo e a recuperação da malha viária.  Acredito que em 2014 a Câmara Municipal de Natal contribuirá ainda mais para que a prefeitura possa avançar nesses serviços. Mas temos situações que não mudaram como a prestação dos serviços de assistência social. Nossos natalenses em situação de risco vivem esquecidos pela Prefeitura. Não há por exemplo, um plano de inserção dessas pessoas no mercado de trabalho, algo que lhes concedam condições de que vidas sejam resgatadas. Creio que falta sensibilidade social por parte desses gestores por isso, lutamos por meio do nosso mandato para colocar no orçamento a garantia de construção de um albergue e comunidade terapêutica. Isso era para já estar contemplado no plano de trabalho do governo, o que não ocorreu.

JH -Como  foi o relacionamento dos dois poderes em 2013?
JJ -O clima de harmonia ocorreu, foi uma realidade. O que não é saudável são os interesses da Prefeitura sempre se sobrepondo a pauta do Parlamento.

JH – Quais os serviços públicos que continuam precários e prejudicando a população?
JJ -Além da área de assistência social, vejo que o saneamento básico precisa ser colocado como prioridade. Hoje temos água contaminada por nitrato, nosso lençol freatico totalmente contaminado, e isso invade a esfera da saúde pública e acredito que podemos melhorar. Obviamente temos também problemas na saúde e educação do município.

JH – Qual sua opinião sobre o Arena das Dunas  e sobre as obras de mobilidade que estão sendo realizadas em Natal?
JJ – O arena é importante, mas não é fundamental. As obras nos trazem mais benefícios, quando permitem aos natalenses  melhorias da qualidade de locomoção e de trafego na cidade, mas defendo que essas obras não fiquem somente para a zona Sul como estamos vendo que realmente irá acontecer, mas que se expandam para Zona Norte e para vias que são tão importantes quanto o entorno do arena. Posso citar como exemplo a Moema Tinoco. Nas quatro regiões de Natal há muito o que melhorar com relação a mobilidade urbana e acessibilidade, entre outros fatores.

 

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