Câmeras de smartphone evoluem e se aproximam de modelos profissionais

Samsung, Sony, LG e Nokia apostam em câmeras melhores para diferenciar seus aparelhos da concorrência

Galaxy S5 tem câmera que faz foco em 0,3 segundo. Foto:Divulgação
Galaxy S5 tem câmera que faz foco em 0,3 segundo. Foto:Divulgação

A Samsung melhorou a câmera do Galaxy S5, que chega em abril, e também criou um software mais inteligente, na cola do que já vinham fazendo a Sony e a Nokia. Na prática, as mudanças permitirão que as imagens capturadas com smartphones fiquem mais próximas daquelas capturadas por câmeras semiprofissionais DSLR.

O desafio de empresas como Sony, Samsung, Nokia e LG é fazer com que aparelhos finíssimos como smartphones capturem imagens em movimento com precisão. Os esforços até agora já foram suficientes para abalar o mercado de câmeras básicas, mas chegar ao nível de qualidade de câmeras semiprofissionais tem sido mais difícil.

Recentemente, essa diferença vem caindo graças a avanços em software e componentes de câmera, mas ela pode nunca ser eliminada por completo.

Na edição mais recente do Mobile World Congress, que ocorreu semana passada em Barcelona, fabricantes de celular mostraram truques de software que compensam em parte as fraquezas da câmera do celular: sensores inferiores e falta de lentes para zoom óptico.

4K e foco automático

Em vez de promoverem o tamanho e a espessura de seus aparelhos, Samsung, LG e outros fabricantes enfatizaram o recurso de gravação de vídeos na altíssima resolução de 4K.

Outra tendência na área de câmeras, segundo o analista do IDC Chris Chute, é o foco automático com base em detecção de fases, recurso atualmente encontrado apenas em câmeras DSLR.

A Samsung mostrou esse recurso no Galaxy S5. Ele reduz o tempo de foco para 0,3 segundo. Assim, mesmo se o objeto está em movimento, a imagem pode ser capturada sem borrões, de acordo com Seshu Madhavapeddy, VP sênior de produtos da Samsung nos Estados Unidos.

“Agora que os smartphones têm esses recursos, os consumidores devem usá-los não apenas para fotos do cotidiano, mas também em ocasiões especiais”, diz Chute, do IDC.

A câmera de 16 megapixels do Galaxy S5 também permite ver a prévia de imagens capturadas com tecnologia HDR antes de bater a foto. Essa tecnologia normalmente ajuda a obter fotos melhores em situações de luz extrema, mas normalmente ela só é aplicada após a captura da foto.

A LG mostrou como o G Pro 2 pode borrar ou melhorar o foco de uma área apenas com um toque na tela. Esse recurso, que dá mais profundidade a fotos, é um grande atrativo das câmeras DSLR. Enquanto nas câmeras esse truque era feito com ajuste na abertura da lente, o G Pro 2 usa um software para chegar ao mesmo resultado. O Galaxy S5 tem opção semelhante mas menos sofisticada.

Nokia e Sony

A Nokia é outras empresa que aposta alto em câmeras para tentar atrair donos de aparelhos Samsung e Apple. Entre os aparelhos da empresa está o Lumia 1020, que pode tirar fotos com resolução de 38 megapixels. Uma grande quantidade de pixels por si só não garante uma boa foto, pois isso depende também das lentes e dos sensores de imagem. Mas muitos pixels permitem tirar fotos que podem ser impressas em tamanhos grandes, algo que fotógrafos profissionais valorizam. Outros smartphones têm câmeras com sensores na casa de 20 megapixels ou menos.

Também apresentado no MWC, o Sony Xperia Z2 tem uma câmera de 20,7 megapixels, mesma resolução do Xperia Z1. Mas a Sony adicionou o recurso de gravação de vídeo em 4K. O Z2 também tem tecnologia para tirar fotos de objetos em movimento com mais nitidez.

Todos esses novos aparelhos da Sony, Samsung e LG podem gravar vídeos com resolução 4K, algo que ainda não está em todas as câmeras. “Essa tendência vem ocorrendo mais rápido do que o esperado”, diz Chute, do IDC.

Câmeras profissionais ainda em vantagem

Mas será que todas essas novidades farão com que os smartphones afetem o mercado de câmeras profissionais, que custam mais do que R$ 3.000?

“Estamos em um ponto em que as câmeras de smartphones mais caros são boas o suficiente para a maioria das pessoas, na maior parte das situações”, diz Nick Dillon, analista-sênior da consultoria Ovum. Mas ele diz que ainda haverá uma boa diferença entre os melhores smartphones e câmeras mais sofisticadas nos próximos anos.

Uma razão é o sensor. Quanto maior, melhor a imagem, pois o sensor captura mais luz. “Há uma limitação no tamanho do sensor em smartphones, pois um sensor maior também aumenta o tamanho do aparelho”, diz Dillon.

E essa é uma das razões pelas quais fotógrafos profissionais não trocam suas câmeras por um smartphone. Câmeras de smartphone são particularmente fracas em situações de pouca luz, de acordo com o fotógrafo Jun Michael Park.

“Não trocaria minha câmera. A câmera do smartphone é prática. Mas, quando tiro fotos, sempre penso em como ela será impressa, exibida em uma galeria ou publicada em uma revista”, diz Park.

Convencer fotógrafos como Park a usar um smartphone pode ser o próximo troféu para fabricantes de celulares.

Fonte:IG

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