Cancelados os cruzeiros entre Natal e o arquipélago de Fernando de Noronha

Vendas foram suspensas e navio está parado no Recife

Motivos para a mudança na rota ainda não foram confirmados. Foto: Divulgação
Motivos para a mudança na rota ainda não foram confirmados. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

Uma mistura de problemas de manutenção com números comerciais insatisfatórios podem estar por trás do cancelamento da escala do Orient Queen II, navio compacto de 350 passageiros que deveria ter atracado no Porto de Natal na última segunda-feira (13) no cumprimento da escala regular para Fernando de Noronha.

É a rota que manteria acesa a ideia de que a temporada de cruzeiros voltou. Mas, desde domingo último, estacionado em Recife, o Orient Queen teve a venda de passagens cancelada.

Nesta quinta-feira, em resposta a uma consulta feita pelo O JORNAL DE HOJE, a CVC, uma das empresas que comercializa o roteiro da BCR para Fernando de Noronha, informou textualmente por e-mail que os clientes foram comunicados sobre a interrupção do navio de forma antecipada e foram oferecidas, para escolha deles, as opções de reacomodação em outros produtos da operadora ou a “devolução integral do dinheiro, sem taxas ou ônus.”

Consultada hoje por telefone em sua sede em São Paulo, a BCR não deu, até o fechamento desta edição, qualquer informação sobre o cancelamento da rota para Fernando de Noronha. A informação prestada por um funcionário é de que um diretor da empresa seria avisado do pedido de informação e retornaria a ligação.

Com expertise em assuntos legais relativos a turismo marítimo, pioneira nos cruzeiros de cabotagem no Brasil, com o navio Funchal em 1990, a BCR coordenou as operações e criou roteiros para navios da Pullmantur, Ibero Cruceros e CVC cruzeiros no Brasil. E tem a exclusividade de ser a única empresa a realizar cruzeiros para o arquipélago de Fernando de Noronha.

No ano passado, o fundador da empresa, Newton Sanches, esteve em Natal para relançar a nova fase de escalas de passageiros entre Natal e a ilha, o que deveria acontecer com a entrega do terminal marítimo de passageiros, obra executada pela mesma empresa que abandonou no acabamento as instalações do terminal pesqueiro localizado nas proximidades.

Desde então, o terminal de passageiros sofreu vários atrasos e ainda está inconcluso, navios de cruzeiros cancelaram suas passagens por Natal e agora, fechando a série histórica de insucessos, a BCR também tem problemas para manter o seu principal navio para Fernando de Noronha.

Com escalas previstas para os próximos dias 19 e 25 de janeiro e 2, 6, 11 e 21 de março, as passagens para o Carnaval prometiam um valor médio por casal em cabine de R$ 2.637,00 por quatro dias a bordo.

Em abril do ano passado, o diretor da Brazilian Cruises Representation (BCR), Milton Sanches, que explora a rota há 24 anos e seu principal parceiro, o operador português Carlos Acosta, estiveram em Natal para anunciar o retorno da temporada de cruzeiros.

Sanchez foi contratada pela CVC nos últimos anos da década passada para organizar parte náutica da operadora, que em pouco tempo passou a responder por 15% dos negócios da empresa.  A BCR traria 24 cruzeiros saindo e voltando de Fernando de Noronha para a cidade.

O acordo foi fechado durante a maior feira de turismo da América Latina – a Intermodal – pelo presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte, Pedro Terceiro de Melo. Na ocasião,  Sanchez chegou a declarar que as escalas seriam importantes para alavancar o turismo e colocar Natal  no itinerário náutico de todo o país, já que os navios poderiam ser tomados pelos passageiros em qualquer de suas paradas.

Além disso, ele lembrou que esse movimento acabaria beneficiando toda a cadeia turística, principalmente a hotelaria, já que muitos passageiros poderiam descer em Natal, continuar a viagem por terra, retornando à cidade para retomarem o percurso por mar quando o navio voltasse. Na última segunda-feira, taxistas e vendedores de suvenires não foram avisados de que o Orient Queen não chegaria.

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