Cancelamento de fogos em Ponta Negra divide opinião de natalenses

Motivo alegado foi a falta de segurança devido às obras de enrocamento e de urbanização da orla de Natal

Trechos do calçadão da Praia dos Artistas, Praia do Meio e da Praia do Forte também estão passando por obras, porém queima de fogos na Ponte Newton Navarro está mantida. Mário Sérgio espera fazer boas vendas no réveillon, mas insegurança atrapalha. Foto: José Aldenir
Trechos do calçadão da Praia dos Artistas, Praia do Meio e da Praia do Forte também estão passando por obras, porém queima de fogos na Ponte Newton Navarro está mantida. Mário Sérgio espera fazer boas vendas no réveillon, mas insegurança atrapalha. Foto: José Aldenir

Fernanda Souza
fernandasouzajh@gmail.com

Mais uma vez natalenses e turistas não vão contar com a tradicional e esperada queima de fogos da praia de Ponta Negra. Em 2012, dias antes da virada, a Prefeitura seguiu a determinação do Ministério Púbico Estadual e também cancelou a queima de fogos por causa da situação precária que se encontrava o calçadão de Ponta Negra. Neste ano, o motivo alegado foi a falta de segurança devido às obras de enrocamento ainda não concluídas e em função das obras de urbanização da praia.

Para compensar, a Prefeitura anunciou o reforço da estrutura de fogos na ponte Newton Navarro, passando de cinco para sete núcleos de instalação de fogos de artifício. No entanto, trechos do calçadão da Praia dos Artistas, Praia do Meio e da Praia da Forte também estão passando por obras, dentro do projeto de revitalização da orla urbana de Natal.

Quanto à programação cultural em Ponta Negra estão confirmadas as apresentações de Antonio de Pádua, Banda de Frevo, Lane Cardoso, Camila Masiso, e Khrystal no Ponto 7, localizado na avenida Roberto Freire.

Nas praias urbanas de Natal, os banhistas ficaram divididos quanto ao cancelamento dos fogos em Ponta Negra. Para o administrador Haroldo Plínio, a medida foi necessária para garantir a segurança da população. “Acredito que a Prefeitura está tendo muitas dificuldades porque várias administrações passadas foram desastrosas. Acho que este reforço de fogos para a região da Praia do Meio e da Praia do Forte vai beneficiar o povo da zona Norte e é um lugar que tem uma faixa mais larga de praia. Não tinha como ser lá em Ponta Negra”, disse.

O vendedor Luis dos Santos também apoiou o cancelamento da tradicional queima de fogos de artifício. “Foi certo sim porque tem que garantir a nossa segurança. Não acho que as obras do calçadão deste lado da Praia do Meio vão atrapalhar porque são longe do foco, que é a região próxima à ponte. O maior problema é a escuridão que fica durante a noite e a segurança aqui é péssima”.

Já o aposentado Genival Neves lamentou a falta de fogos em Ponta Negra. “Acho que é um absurdo. É o segundo ano que acontece isso e Natal está entregue às baratas, tem muita coisa errada. Seria muito melhor se fosse em Ponta Negra porque é tradicional e já é conhecida por isso”.

A assistente de crédito Cristiane Azevedo, frequentadora da Praia do Forte, também não gostou da falta de fogos na praia urbana mais conhecida de Natal. “Todos os anos íamos à Ponta Negra porque é um local seguro. Acho que aqui a queima de fogos é muito centralizada na Ponte. Em anos anteriores era dividida pela praia e outro problema é que não tem mais show, sendo um prejuízo também para o turismo. Como vai ter uma grande concentração de pessoas tem que ter muito cuidado para alguém não beber demais e acabar caindo em algum trecho da obra do calçadão”.

O comerciante Mário Sérgio trabalha há sete anos na Praia do Forte e achou positiva a intensificação dos fogos na Ponte Newton Navarro. “Há sete anos abrimos no dia 31 e todos os anos vendemos bem. Acredito que este ano será melhor porque virá mais gente. O maior problema é que por causa das obras na orla tiraram vários postes de iluminação e só ficaram os da via. A segurança aqui sempre foi um problema”, destacou.

 

Movimento nas praias deve ser intensificado

Na manhã deste sábado (28), o movimento ainda estava tranquilo em algumas praias urbanas da capital potiguar, mas a expectativa é de praias cheias devido ao feriadão prolongado.

O motoboy Michel Franklyn aproveitou o dia de folga e levou à família para a Praia do Forte, local bastante procurado por causa do trecho da praia que é uma piscina natural. “Vim trazer minha filha de oito meses para conhecer a praia pela primeira vez. Aqui é uma boa praia, mas poderia ser melhor na questão da infraestrutura. Não tem salva-vidas, não tem lixeira e não tem segurança”. Rafaela Pereira, moradora de Mossoró, também elegeu a praia para curtir o início do feriado. “Vou passar o réveillon em Mossoró, mas não poderia deixar de vir. Feriado ou dia de folga é sinônimo de praia”.

Maria Fiel de Castro trabalha há 17 anos vendendo bebidas e comidas na Praia do Forte e aposta no aquecimento das vendas com a chegada do verão. “Todo ano é bom e não tenho o que reclamar. Não recebemos muitos turistas. É mais gente daqui mesmo, mas a minha expectativa é boa”.

Já o vendedor de ginga e tapioca Odair da Silva apontou uma queda nas vendas ao longo dos últimos anos. “Caiu muito sim porque não temos novidades para oferecer. Uma praia como essa não tem segurança de dia, imagina à noite, e tem vários casos de colegas meus assaltados. Acho a Praia do Forte uma praia linda, com potencial, mas não tem evento, algo para chamar público”.

O ambulante Israel Morais também lamenta a falta de infraestrutura da praia. “Acredito que vou vender bem meus produtos, porque neste período entre dezembro e até o Carnaval é muito bom, sendo a época que mais faturamos. Mas aqui não tem banheiro, nem ducha, nem trocador de roupas, como existe em outras praias”.

Na praia da Redinha Velha, a insegurança e a falta de equipamentos também são uma reclamação generalizada por parte dos banhistas. O pedreiro Adailton Marques é um frequentador assíduo da praia, mas reclama da falta de banheiros. “Vim hoje com os meus amigos e depois vou trazer a minha família. Moro em Lagoa Seca, mas aqui é a praia que me sinto mais à vontade. O grande problema  é que não há banheiro público e temos que recorrer ao do mercado”, contou.

Segundo Aldenor Sousa, presidente da Associação dos Donos de Barracas da Redinha Velha, a falta de segurança é um problema crônico da praia. “Neste último feriado de Natal, teve bala perdida por aqui e não tinha sequer uma polícia. Se a gente liga para o 190 demora a atender e a chegar. Aqui não tem policiamento, não tem banheiro e nem lixeira”.

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