Câncer ósseo é preocupação de especialistas potiguares em jornada

No que diz respeito ao osteossarcoma, a possibilidade de cura é de 60% das crianças e adolescentes

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Um tipo bem específico de tumor tem preocupado profissionais que lidam com o câncer infantil no Estado. Até o nome dele impõe temor: osteossarcoma. A grande dificuldade que esse tipo de câncer apresenta é a possibilidade de diagnóstico precoce, um aspecto fundamental na cura de qualquer variação dessa doença.

Para aprofundar a discussão desse tipo de câncer ósseo, a Casa da Criança com Câncer Durval Paiva, realiza durante o dia de hoje a 11º Jornada de Oncohematologia. Essa especialidade médica é a combinação da oncologia, que estuda o câncer, e a hematologia, que estuda o sangue.

Segundo a médica oncologista infantil e responsável pela área científica da campanha do Diagnóstico Precoce, Cassandra Teixeira Valle, o número de crianças com esse tipo de câncer tem aumentado. No entanto, não há estatísticas sobre esse crescimento. Considerando todos os tipos, há 150 casos novos no RN entre crianças e adolescentes. No que diz respeito ao osteossarcoma, a possibilidade de cura é de 60% das crianças e adolescentes que tem o diagnóstico cedo.

Mas como em todo tipo de câncer, o tratamento bem sucedido, neste caso, também depende de um diagnóstico precoce. E o pior: No Rio Grande do Norte, a identificação desse tipo de doença só tem ocorrido quando a deformidade no corpo causada pelo câncer já é visível. Então, o paciente vai para o tratamento debilitado, com grandes chances de sequelas, com metástase ou simplesmente não resiste.

“O ideal seria que ele estivesse microscopicamente aparecendo, mas ele não tem nenhum sintoma nessa fase”, disse a médica. Porém, diferente de outros tipos de câncer ósseo, o osteossarcoma não libera substâncias no sangue que possibilitem sua identificação numa fase muito inicial em um exame clínico por exemplo.

Apesar dessas dificuldades, Cassandra Valle garante que se o osteossarcoma for diagnosticado na fase em que a criança já sente dores, mas a deformidade ainda não é aparente, a possibilidade de 60% de cura permanece. Convém ressaltar que o câncer infantil tem sempre mais possibilidade de cura do que o diagnosticado em adultos, desde que o tratamento venha o quanto antes.

E não é preciso muita tecnologia para identificar a doença na fase inicial. “Um exame de raio-X já é possível ver”, afirma a especialista em câncer infantil. Segundo ela, esse diagnóstico precoce depende de vários fatores, como a estrutura de saúde a qual o paciente tem acesso e a própria formação médica. “No currículo dos cursos de medicina ainda não tem a disciplina de oncologia infantil”, disse a médica, referindo à fase generalista do curso.

Cassandra também explica o temido osteocarcinoma: “é um tumor próprio do osso, são celulas imaturas surgindo dentro do osso e nasce nele mesmo”. De acordo com o presidente da Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva, Rilder Campos, a bandeira do diagnóstico precoce tem uma série de implicações além da mais importante, que é a real possibilidade de cura em qualquer variação de câncer. “Sem o diagnóstico precoce o tratamento é mais invasivo, doloroso e tem mais possibilidade de ter sequelas”, afirmou.

Atualmente a Casa oferece assistência a 836 crianças e adolescentes de 133 municípios do Rio Grande do Norte. Elas ficam hospedadas na casa com um acompanhante – geralmente é a mãe – para realizar o tratamento em um dos hospitais da capital.

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