Candidato ao governo quer intervenção do MP nos institutos de pesquisa do RN

Robério Paulino, do PSOL, critica o “festival de manipulação” que é constatado nos levantamentos

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Alex Viana

Repórter de Política

O candidato do PSOL a governador, Robério Paulino, vai pedir esta semana ao Ministério Público, através de representação, uma intervenção nos institutos de pesquisa que realizarem pesquisas com a finalidade de publicação. O objetivo é impedir o que segundo ele pode ser classificado como festival de manipulação da opinião pública com vistas às eleições deste ano. “Esta semana vamos pedir a intervenção do Ministério Público Eleitoral nas pesquisas, porque, no estado, não são pesquisas, mas instrumentos de manipulação da opinião pública”, afirma.

As pesquisas que têm sido publicadas, de vários institutos, segundo Paulino, refletem a mais ardilosa manipulação, uma vez que existem órgãos estatísticos, tidos por confiáveis, que produzem material para avaliações internas com resultados pra lá de diferentes dos ora publicisados até aqui, na presente campanha eleitoral.

“Nós temos pesquisas internas nossas, feitas por institutos muito confiáveis, de fora do estado, que já nos dão em torno de 5%, pesquisas feitas por outros partidos, que não são suspeitas para nós, com resultados bons até no interior. No entanto, a pesquisa do Ibope nos dá 1%, com zero por cento no interior do Estado. A pesquisa Consult nos dá 0,8%. Isso está muito distante dos 5% que estamos percebendo que a gente tem, vendo no dia a dia. Esses institutos estão, literalmente, nos prejudicando e a outros candidatos. Se nós não agirmos, as pesquisas podem determinar o resultado das eleições”, afirmou Paulino.

REJEIÇÃO

Robério ilustra sua insatisfação afirmando que é estatisticamente e razoavelmente impossível ele ter uma rejeição ao seu nome de 25%, conforme apontou o IBOPE em seu último levantamento. “Nas eleições passadas, para prefeito de Natal, na última pesquisa de rejeição, saí com a menor rejeição. De lá para cá fiz um projeto ambiental e virei professor. Não sei como aumentou. Não faço parte política velha, de repente estou em primeiro aparecendo com 25% de rejeição. Impossível. Para isso eu precisaria estar com peso ponderado de mais de 100% de rejeição em Natal, para ter 25% no estado. Essa pesquisa do Ibope é uma piada de mau gosto”, destacou.

Infelizmente, segundo Paulino, a população mais desinformada tem a cultura de dizer que não vota em quem vai perder. Por isso, a influência da pesquisa. “Se o próprio Tribunal Regional Eleitoral dá o direito à fiscalização do processo eleitoral, por que nas pesquisas eu não tenho o direito de fiscalizar? Pesquisas são feitas sabe-se lá como. Achamos que essa festa tem que acabar. São instrumentos de manipulação. Vamos provocar o TRE para que garanta a transparência, com treinamento de entrevistadores, pois queremos fiscalizar. Porque não pode ser. É coisa que está virando escandalosa. Já que envolve meu nome, quero ter direito de, me sentindo prejudicado, fiscalizar”.

“Henrique ostenta a velha arrogância dos antigos coronéis”

Robério Paulino procurou a redação de O Jornal de Hoje para questionar o comportamento do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, candidato do PMDB a governador, que, na semana passada, foi criticado por setores da mídia ao questionar uma pergunta do apresentador Robson Carvalho, no programa “Repórter 98″, da FM 98.

Na oportunidade, Robson abordou o discurso de mudança de Henrique, relacionando alianças passadas do peemedebista. Sobre o episódio, Robério declarou: “O senhor Henrique demonstrou nesse programa o que realmente é. Ele ostenta a velha arrogância dos antigos coronéis do Brasil. Que é isso que ele representa. Essas famílias são oligárquicas, os Maias e Alves, e o povo está cansado disso”, disse Robério, informando que concederá entrevista hoje no programa de Robson e Felinto Rodrigues, às 18 horas, ocasião em que abordará a questão.

Dizendo-se estudioso da literatura que trata da formação político-econômica do Brasil, Robério acrescentou que na história do país encontram-se vários comportamentos com esse tipo de atitude, “de homens que acham que são donos do Estado, que são donos da verdade, tratam pessoas como se não tivessem o direito de discordar”.

“O que Henrique Alves fez com o jornalista Robson é um desrespeito imenso com a imprensa do Estado. Robinson não fez nenhuma agressão. Apenas levantou um problema histórico de Henrique. E o histórico dele é contraditório. Como é que ele está dizendo, agora, que é a mudança?”, indagou Paulino.

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