Candidatos erram salário de professores e o percentual investido em Educação

Houve desconhecimento, também, no que diz respeito a evasão escolar e ao índice de analfabetismo no RN

Araken Farias acertou o salário dos professores, mas não soube precisar o déficit existente no RN. Foto: José Aldenir
Araken Farias acertou o salário dos professores, mas não soube precisar o déficit existente no RN. Foto: José Aldenir

Ciro Marques

Repórter de Política

 

As respostas conflitantes e evasivas já denunciaram: alguns dos candidatos ao Governo do RN não sabiam, a fundo, o que debateram no encontro sobre Educação, em Nata, nesta segunda-feira. Contudo, ainda faltava a confirmação de quem acertou e, por isso, na manhã desta terça-feira, O Jornal de Hoje buscou as informações e constatou que alguns, simplesmente, chutaram as respostas.

O salário básico dos professores do Estado, por exemplo, é de R$ 1,4 mil para o professor formado. Melhor para o candidato do PSL, Araken Farias, que acertou a resposta. “Menos ruim” para a candidata Simone Dutra, do PSTU, que assumiu não saber, mas chutou dois salários (cerca de R$ 1,4 mil também). E pior, também, para o candidato Robério Paulino, do PSOL, que disse ser “muito pouco, muito pouco. Você sai com R$ 2 mil. Hoje o salário de entrada é pouco mais de R$ 2 mil, para um professor que sai da universidade”.

Simone Dutra e Robério Paulino também responderam sobre o percentual investido pelo Estado na Educação. Mais uma vez, Simone foi melhor. Não acertou “em cheio”, mas disse ser em torno dos 21%, quando, na verdade, está em 22%, com o agravante da diminuição de repasse de programas federais ligados a educação. Professor Robério disse que “o percentual do orçamento é em torno de 15%, e queremos algo em torno de 30%”.

Outro tema discutido e comentado no encontro desta segunda-feira foi a evasão escolar. O candidato do PMDB, Henrique Eduardo Alves, acertou em dizer que era um assunto importante, mas não respondeu perguntas mais aprofundadas sobre o assunto, como, por exemplo, de quanto era o percentual de evasão. “Não tenho esse detalhe porque varia as informações. São muito contraditórias. O governo procura se defender dizendo ser menos. A realidade prova que é mais”, despistou Henrique.

Na realidade, a evasão escolar na zona urbana gira em torno dos 20%, mas chega a 60% no horário noturno, no ensino para jovens e adultos. Entre os motivos citados por Henrique, como “separação de pai e de mãe, problemas psicológicos”, não são, realmente, os maiores motivadores da evasão, estruturada muito mais na necessidade de emprego caso dos jovens e adultos e do desinteresse e do déficit de professores.

Principal adversário de Henrique nas pesquisas eleitorais, o candidato do PSD, Robinson Faria, tirou “meio certo” no quesito “conhecimento aprofundado da Educação”. Pelo menos, sobre o tema que discursou, mostrou certo conhecimento: analfabetismo e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).

Com relação ao analfabetismo, Robinson acertou ao dizer que o Rio Grande do Norte tinha um dos maiores índices do País, mas que estava na média do Nordeste. O percentual, no entanto, errou: disse que era de 15% mas, na verdade, é de quase 18%.

Já sobre o déficit de professores, o número é, realmente, confuso. A Secretária Estadual de Educação (SEEC) afirmou ser de 200 servidores. A informação foi divulgada em julho e esses profissionais estariam recebendo, sem trabalhar. Para o Sindicato, o número é bem maior, uma vez que, recentemente, foram mais de 550 vagas abertas com aposentadorias e que ainda não foram cobertas pelo Governo.

Araken Farias e Robério Paulino tocaram no assunto, mas sem detalhar a informação. “Nós temos dados de que há déficit sim de professores, assim como há de polícia, na saúde… Os números exatos não tenho aqui”, disse Araken. “Não faltam professores. Você tem aí 15 ou 20 mil professores no Estado, mas a questão não é a falta”, respondeu Robério.

O debate onde os candidatos demonstraram esse nível de conhecimento foi promovido pelo Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE). O tema do encontro, que teve a participação da vereadora Eleika Bezerra (PSDC), foi “Educação e Políticas Públicas de Formação de Leitores”.

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