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Cangurus psicodélicos

Data: 18 janeiro 2013 - Hora: 13:02 - Por: Conrado Carlos

Criado por Fela Kuti e Tony Allen nos anos 1970, o afrobeat, por ter como berço a Nigéria, país de forte ligação com o Brasil através do tráfico de negros nagôs e iorubas, deveria ser mais difundido por aqui. A mescla de jazz com percussão africana criou uma sonoridade sofisticada, ao mesmo tempo em que acrescentou o suingue e a picardia valorizada nos trópicos – desse mesmo caldeirão cultural, surgiu o latin jazz, com pinceladas extras de salsa, mambo e bolero.

Enquanto consumimos lixo angolano, com o famigerado kuduro, anglo-saxões bebem na fonte criada por Kuti & Allen para nutrir uma cena vigorosa de ótimas bandas, caso dos nova-iorquinos do The Budos Band (tocarão em São Paulo nos dias 23 e 24 deste mês), Ikebe Shakedown e The Funk Ark – todas mostram como a música instrumental pode ser cativante e energética; quando bem feita, dispensa vocais, líderes incontestes e maneirismos.

Agora é a vez dos ‘britânicos ensolarados’. Originais de Adelaide, Austrália, o Shaolin Afronauts é mais que um grupo de nome curioso. Ao misturar jazz, afrobeat, funk, soul, ritmos cubanos e psicodelia, eles entram no rol de sons imperdíveis do momento. Desde o primeiro álbum, “Flight of The Ancients” (2011), a levada retrô setentista suspendeu ouvidos dos fãs do gênero, impressionados com o lampejo de John Coltrane, Chano Pozo e do próprio Fela Kuti.

No novo disco, eles foram além. O combo de dezoito músicos gravou “Quest Under Capricorn”, em janeiro passado, com a proposta inconsciente de transformar as onze faixas viajantes em portfólio para aficionados e organizadores de festivais no Ocidente. Se a lonjura da Austrália encarece excursões, um making off no Youtube dá conta do processo de amadurecimento do Shaolin Afronauts e faz com que promotores repensem orçamentos.

A versatilidade dos metais, tanto nervosos como flutuantes, a la Coltrane, guitarras melódicas, batidas medulares e arranjos cuidadosos preenchem o pacote ofertado. O repeat fica exaustivo em temas como “Brooklin”, e as sequências “Gayanamede Prelude”/“Winds Across Gayanamede”, e “Voyage Prelude”/ “Voyage”. Sem previsão de lançamento no Brasil, é disco para esquentar a orelha de vizinhos e ganhar a prateleira ou o HD dos amigos.

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