Canteiros de avenidas de Natal abrigam lixo e retornos improvisados

Também chama atenção a falta de planejamento com os raros canteiros com projetos paisagísticos

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Marcelo Lima

Repórter

Os canteiros de avenidas importantes e centrais de Natal estão sendo invadidos por lixo e por retornos improvisados. Na Avenida Antônio Basílio próximo à Escola Municipal Mário Lira, o canteiro central virou lixão.

A comerciante Maria Lúcia Lins está há sete meses com uma cigarreira perto do local e conta que a realidade é comum no local e sempre reclamou com os moradores da região que insistem em colocar lixo no canteiro, mas nunca teve sucesso. “Já reclamei disso, mandei afastar o lixo, mas não tem jeito”, disse irritada.

Na Avenida Antônio Basílio, em Lagoa Nova, acúmulo de lixo no canteiro central faz parte da paisagem do local. Foto: Wellington Rocha
Na Avenida Antônio Basílio, em Lagoa Nova, acúmulo de lixo no canteiro central faz parte da paisagem do local. Foto: Wellington Rocha

Maria Lins vende almoços, o que conflita diretamente com a presença do lixo de toda ordem. “O mau cheiro atrapalha, aquelas moscas grandes. Tem tudo isso aqui”, descreveu. Segundo ela, a Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana) cumpre o seu papel com a coleta regular de lixo doméstico e também com retirada regular dos outros dejetos que são despejados no lugar, como poda de árvores, mas é a própria população que não colabora.

Pouco mais de cem metros à frente, o canteiro baixo e sem meio-fio é usado como retorno improvisado. As marcas de pneu de carros na areia denunciam o uso desvirtuado. A menos de 20 metros do lugar, há um retorno utilizado para os condutores que estão no sentido zona Sul – zona Oeste da via.

Também chama atenção a falta de planejamento com os raros canteiros com projetos paisagísticos. Na BR 101, entre o viaduto do 4º centenário e a passarela de Potilândia, a Prefeitura de Natal plantou grama numa região que chega a 200 metros de extensão. No entanto, pouco tempo depois a grama teve que ser retirada em razão das obras de mobilidade urbana que passam pelo local.

Falta de planejamento das obras de mobilidade obrigou a retirada da grama no canteiro da BR 101, na altura do Arena das Dunas. Foto: Wellington Rocha
Falta de planejamento das obras de mobilidade obrigou a retirada da grama no canteiro da BR 101, na altura do Arena das Dunas. Foto: Wellington Rocha

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), a grama retirada do local foi replantada nos canteiros centrais da Avenida Hermes da Fonseca e canteiros laterais na Avenida Felizardo Moura, nas proximidades da Comunidade do Mosquito. Ainda segundo a assessoria, a empresa que está executando a obra não comunicou previamente à Semsur sobre a intervenção no local onde já havia sido colocada a grama. Desta forma, entende-se que a falta de planejamento resultou em desperdício de força de trabalho e de dinheiro público.

DEPREDAÇÃO

Na Avenida Bernardo Vieira, as grades que impedem os pedestres de atravessarem fora das faixas, praticamente não existem mais. Nas proximidades do shopping Midway Mall, buracos foram abertos para que os pedestres atravessem livremente, fora da passarela e das faixas.

No bairro de Dix-sept Rosado, ainda na Bernardo Vieira, a parada de ônibus na faixa exclusiva dos coletivos prova que o problema com as grades se repete ao longo da via. A ambulante Luciene Rufino Bezerra, de 42 anos, passa o dia inteiro na parada localizada nas proximidades da antiga Avenida Sete. “Eu estou aqui há oito meses e quando cheguei já era assim, tudo quebrado”, testemunhou. A comerciante também disse nunca ter presenciado acidentes com pedestres em função da falta de grades, mas parte da estrutura estava completamente retorcida, indício de que houve uma pancada violenta no metal, provavelmente causada por uma batida de um veículo. Luciene diz também que nunca viu uma autoridade que fosse vistoriar o local. Parte do abrigo da parada de ônibus também deixou de existir, pois o teto caiu durante um dia de domingo, segundo a ambulante. “Por sorte não bateu em ninguém”, completou.

Mas para a dona de casa Verônica dos Santos, que esperava um ônibus durante a realização da reportagem, os abrigos de Natal, mesmo em bom estado, não protegem contra a chuva e “fervem” os passageiros nas paradas quando o sol está forte. “Esse teto é alto demais, aí a chuva vem de lado e molha todo mundo”, explicou.

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    • Piotr Yevgeny Castro

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