Cantora Lane Cardoso recebe convite para participar de Festival de Montreux

Ela corre contra o tempo para garantir patrocínio de sete passagens aéreas para viajar com a banda

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Desde 1967, o festival de música de Montreux, virou o evento de jazz mais popular do mundo. Ainda que Nova Orleans e Newport, nos Estados Unidos, se mantenham como precursores no país original do gênero, foi na cidade suíça que a expansão europeia da música criada por colonos franceses, ingleses e espanhóis, e escravos negros, entrou no mercado dos grandes encontros. Ter um trabalho “Live At Montreux” na carreira virou credencial para artistas diferenciados. Neste ano, realizado entre os dias 04 e 19 de julho, feras de estilos variados, como o soulman Stevie Wonder, os jazzistas Herbie Hancock e Wayner Shorter e o folker Van Morrison, terão a companhia do roqueiro Robert Plant (Led Zeppelin) e de Damon Albarn (Blur e Gorillaz). E sabe quem mais? Sim, a potiguar Lane Cardoso. De posse do plano de palco e dos horários de duas apresentações (dias 12 e 13), ela agora corre contra o tempo para arcar com os custos de levar sua banda para o Velho Continente.

Segundo o empresário e irmão da cantora, Geraldo Filho, as sete passagens para os músicos custam em torno de R$ 25 mil, mas a dificuldade de encontrar apoio no poder publico tem dado o tom. “Eu estive na Capitania das Artes [Prefeitura], e eles disseram que não tem dinheiro. Fui também falar com a secretária Isaura Rosado [Cultura do Estado], que me mandou inscrever na Lei de Incentivo Câmara Cascudo. Só que o evento está em cima. Pode não dar tempo”. No mesmo período, a Spok Frevo Orquestra, de Recife, com cerca de 20 componentes, também tocará em Montreux. O Governo de Pernambuco arcará com as despesas de transporte (o festival fornece hospedagem e alimentação). “Enquanto aqui temos apoio zero, no vizinho ele existe” – neste momento, Lane está na própria Suíça, como extensão da pequena turnê que empreende também na Itália.

Tudo começou durante uma viagem de férias, três anos atrás. Após dar uma canja em um barzinho de uma alagoana, veio o convite para fazer shows completos. Daí foi um pulo para agendar apresentações em Genebra, Zurique e ganhar respaldo da comunidade brasileira na Suíça. “Então, esse ano, agora mesmo que ela está lá, veio o convite para Montreux. Eu trabalho com música faz dez anos e nunca vi um artista local cantar nesse festival. É uma coisa inédita para a música potiguar”. A carta convite prevê o palco principal para a potiguar. “Não é qualquer papangú que toca em Montreux. Por isso, eu não acredito que o Estado não terá essa sensibilidade de bancar sete passagens aéreas”, acredita Geraldo, que aposta no carisma e sucesso da irmã, que lançou dois álbuns (“Botando o bloco na rua” e “Elementos”).

A política deveria ser inversa. Dotadas de orçamento para custear passagens aéreas internacionais, as secretarias municipal e estadual de cultura deveriam ‘caçar’ festivais gabaritados para inserir artistas norte-rio-grandenses. É essa a postura de países desenvolvidos, para com os seus – o livro “Quem pagou a conta?”, da jornalista americana Frances Stonor Saunders, ainda que em tom de denúncia contra a briga ideológica, conta direitinho como Estados Unidos e União Soviética expandiram sua rede de influência com escritores, orquestras sinfônicas, pintores, intelectuais. Um dos exemplos atuais de êxito nessa proposta vem da gastronomia espanhola, até um dia desses, conhecida apenas por sua paella. Hoje é uma grife que gera milhões, a ponto de alçar seus chefs ao estrelato (caso de Ferran Adriá).

Por outro lado, a secretaria Isaura Rosado, que confirma uma reunião de representantes do Governo com a produção de Lane Cardoso para a semana que vem, garante a intenção de participar desse momento especial com a inclusão dos custos através da Lei de Incentivo. “Ele [Geraldo] ficou de nos apresentar o pleito e eu disse que daria toda celeridade possível, pois sei da importância do que é cantar em Montreux. Darei um tratamento de maior celeridade, pois a lei é o veículo que temos para esse tipo de caso. Não só Lane, mas qualquer artista potiguar, em qualquer palco, merece nossa atenção”. Carta na mesa, fato é que o Rio Grande do Norte teria mais essa vitória em seu portfólio artístico. Mais que fazer número, é nesse tipo de ocasião que contratos são firmados e olhos direcionados.

 

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