‘Cantora’ Valesca Popozuda diz em entrevista que ‘ser vadia é ser livre’

Veja os temas sobre os quais Valesca deu sua opinião na entrevista

RTJHU6TRUJ65Valesca Popozuda foi linchada nas redes sociais quando apareceu em uma questão de filosofia como “grande pensadora contemporânea”, assim como o professor que elaborou a pergunta em questão. O que os críticos parecem ter esquecido é que o fato de ela ser uma funkeira não significa que ela não seja esclarecida em muitos assuntos, como o feminismo, bandeira que vem levantando já há algum tempo.

Em entrevista na edição 827 da revista Época, divulgada hoje no site da publicação, a cantora comenta sobre feminismo, estupro e o aborto. “Feminismo é a gente lutar pela igualdade cara a cara”, ela defendeu. “Mostrar que as mulheres são potentes sim e que, quando queremos alguma coisa, corremos atrás de nossos objetivos e nunca abaixamos a cabeça para ninguém”. Veja os temas sobre os quais Valesca deu sua opinião na entrevista:

Sexismo na música

“Desde o século passado, se vê a mulher como objeto do desejo sexual. Prova disso é a “Garota de Ipanema” (de Tom Jobim e Vinícius de Moraes), que naqueles tempos já cantava o corpo da mulher como objeto do desejo masculino. E é uma canção de MPB, não funk! Então, o sexismo é parte de nossa cultura há muito tempo. A liberdade feminina ainda é restrita. É feio a mulher cantar o que deseja, mas é bonito um homem chegar com uma letra de hip-hop dizendo que vai fazer uma festa que terá mulheres de bunda de fora e muito sexo. Para a mulher, é feio dizer que vai dominar um homem na noite. Para o homem, é fácil cantar colocando a mulher como objeto sexual.”

Pesquisa do Ipea

“Se fosse assim, as mulheres que usam burca nunca seriam violentadas. E as crianças que são estupradas, elas provocaram também? A roupa não influencia em nada. O homem que ataca uma mulher, uma criança ou uma idosa tem o instinto pior que de um animal. Homens que fazem isso – atacam mulheres – são monstros. Só entenderei esse resultado quando souber como foi feita essa pergunta aos entrevistados. As pessoas podem ter interpretado errado, assim prefiro acreditar.”

Ser vadia

“Ser vadia é ser livre. Fazer o que eu quiser, sem dar explicação a ninguém, sem perguntar “Será que posso? Será que devo? Será que vou?”. Não! Não! É vadiar em forma de felicidade!”

Feminismo

“Feminismo é lutar pela mulher. Sei o que ela passa. O homem pode tudo. É o garanhão e, se pega uma, três ou dez, tudo bem. Ele pode. A mulher, não. Ela é sempre rotulada como a p…, a vagabunda. Feminismo é a gente lutar pela igualdade cara a cara. Mostrar que as mulheres são potentes sim e que, quando queremos alguma coisa, corremos atrás de nossos objetivos e nunca abaixamos a cabeça para ninguém.”

Legalização do aborto

“Não sou a favor nem contra. Vai do momento da pessoa. Cada um sabe o que passa e o que deve fazer. Nunca fiz, mas não sei o dia de amanhã e não vou cuspir para o alto. Não condeno quem fez, e cada um tem o poder e o livre-arbítrio de fazer o que quiser de sua vida.”

Regulamentação da prostituição

“Tem de ter disposição, e para mim é um trabalho, sim. Tem gente que pensa que a prostituta não quer nada com nada e que esse caminho é o mais fácil. E não é por aí. É preciso coragem para fazer sexo por dinheiro. Elas não estão ali por diversão. Para mim, essas mulheres buscam dentro das boates a oportunidade que não deram a elas aqui fora. Vou te falar, essa mulher, a prostituta, é uma guerreira.”

 

Fonte: Época

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