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Carnaval de Natal pode ficar sem escolas de samba

Data: 31 janeiro 2013 - Hora: 17:34 - Por: Portal JH

Com mais de 50 anos de história, o desfiles das escolas de samba de Natal está comprometido, este ano. Sem verba de premiação e uma dívida no valor de R$ 295 mil na Casa dos Botões com material usado na confecção dos adereços e alegorias, as 14 agremiações e as 12 tribos de índios agonizam com a notícia de que a Prefeitura disponibilizará apenas R$ 50 mil para o evento – fora os custos com palcos, camarotes, arquibancadas e banheiros químicos, que giram em torno de R$130 mil.

A Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte) garante os cinco polos (Ponta Negra, Ribeira, Cidade Alta, Alecrim e Redinha), com 19 orquestras, três shows em palco e a tradicional abertura no Largo do Atheneu, com entrega de chaves ao rei Momo e à rainha. Mas quanto às escolas de samba, “é prego batido”, segundo o assessor de comunicação da secretaria municipal de cultura, Dionísio Outeda. O que pode ser a ducha de água fria na efervescente seção natalense da maior festa do Brasil.

“Até agora, nem a gente sabe [se as escolas sairão às ruas]. Eles ficaram de dar uma resposta sobre o que podemos oferecer. Aqui na Funcarte está tudo pronto para a programação prevista. Eles pediram R$ 1,3 milhão, sendo R$500 mil agora, e o restante no mês seguinte. Acho justa a reivindicação deles, mas nós não temos o que fazer”, é o laudo final revelado pelo coordenador de Carnaval, Gilberto Cabral. Trombonista da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte, ele sabe a dificuldade do que é fazer arte no Estado.

Segundo Gilberto, 40% do orçamento destinado pela Prefeitura de Natal para o Carnaval seria investido nas escolas de samba. Mesmo assim, o valor seria abaixo do esperado por um núcleo cultural que aguarda o recebimento de dinheiro referente a 2012 – R$ 242 mil, divididos entre transporte e premiação para as campeãs. “Para eles, isso não é ajuda. Eles querem dinheiro na mão. Infelizmente, não podemos pagar mais”.

Sem confete, nem serpentina, o diretor financeiro e relações públicas da Associação das Escolas de Samba, Tribos de Índio, Blocos e Troças Carnavalescas (Aestim), Ronaldo Cruz diz que em uma conversa, “ainda no ano passado, mas não sei se antes ou depois da eleição”, o prefeito Carlos Eduardo Alves teria garantido o pagamento da conta na Casa dos Botões, antiga fornecedora de material para as escolas.

“Ele inclusive falou ao telefone com o dono e liberou a compra. Depois falamos com o chefe de gabinete [Sávio Hacrackdt], que nos mandou fazer uma planilha de custos, que entregamos em outubro para o próprio prefeito. Quinze dias atrás, falamos com Dácio Galvão [diretor da Funcarte] e ele disse que estava aguardando um parecer do prefeito. Até que soubemos que seriam apenas R$500 mil para todo o Carnaval. Agora temos uma conta de R$295 mil e só R$50 mil para cobri-la. Por isso, nossa apreensão”, desabafa Ronaldo, para quem 50 anos de parceria entre poder público e escolas de samba pode estar com os dias contados.

“No ano passado, até os troféus foram pagos com meus cheques. Comprei na loja de um amigo, que me liga cobrando com frequência. É chato, muito chato, mas fazer o quê, se não recebemos nada?” – só com a escola Balanço do Morro, as dívidas de 2012 ultrapassam R$ 80 mil. Sob risco de permanecerem em seus barracões durante a festa de Momo, representantes das escolas de samba agitam uma reunião para a manhã desta sexta-feira (01), com um único propósito: definir se desfilarão mesmo sem o dinheiro desejado.

“Os governantes estão com essa história do Ministério Público sobre cuidados com dinheiro gasto com cultura de forma indevida. Mas eles deveriam pensar que são mais de 40 mil pessoas que saem as ruas, pessoas pobres que não têm como bancar viagens, ingressos de shows nas praias, e que geram receita ao consumir em bares e ambulantes. Não existe só ônus no Carnaval, tem bônus também. Se optarmos por sairmos de todo jeito, vamos fazer um protesto para que a população saiba da situação que enfrentamos”, avisa Ronaldo Cruz.

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