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Carnaval é primeiro desafio da Funcarte

Data: 11 janeiro 2013 - Hora: 17:55 - Por: Conrado Carlos

Dácio Galvão pretende organizar os pólos tradicionais: Rocas/Ribeira, Centro Histórico, Alecrim e Cidade Alta. Foto: Jose Aldenir

Assim como no réveillon, entes públicos correm contra o tempo para viabilizar o Carnaval de Natal. Programado para acontecer entre os dias 09 e 12 de fevereiro, desde a nomeação dos funcionários da Fundação Cultural Capitania das Artes (publicada ontem, 10, no Diário Oficial do Município), até o primeiro acorde e cerveja aberta, terão transcorridos menos de 30 dias. Excluídos feriados e fins de semana, tem-se um cenário preocupante. Se, na noite de estourar o espumante e ver a queima de fogos, uma festa minguada foi armada apenas na praia do Forte, com três bandas locais e pouco mais de uma dezena de minutos de show pirotécnico, no período de Momo a nova administração da Funcarte, na figura do presidente Dácio Galvão, pretende organizar os pólos tradicionais, Rocas/Ribeira, Centro Histórico, Alecrim e Cidade Alta, mesmo diante da penúria financeira do Município.

“Estamos empenhados em fazer o que é possível. Não vamos fazer o Carnaval, mas, sim, apoiar. Não tenho algo de concreto a falar a não ser que tive reuniões com o prefeito Carlos Eduardo, e ele assegurou que faremos o que for compatível com a situação do Município”. Com dívidas altas, que incluem cachês de artistas e escolas de samba, o órgão responsável pela cultura natalense está com o orçamento engessado, segundo Dácio. Entidades e grupos de artistas são chamados para ouvir quem tem “franqueza em falar a verdade”.

Verdade esta que significa o não pagamento dos débitos contraídos pela gestão anterior, em um primeiro momento. É o que afirma o assessor de imprensa da Funcarte, Dionísio Outeda. “Vamos ouvir caso a caso. Queremos que eles vejam a situação, que saibam que estamos trabalhando para por ordem na casa”. Trabalho árduo, para quem iniciou 2013 em meio a compensados, entulhos e material de escritório no centro da galeria de arte, adaptada como gabinete da presidência.

Na manhã desta sexta-feira (11), a reportagem d’O Jornal de Hoje esteve na Capitania das Artes, onde sujeira e bagunça se misturam ao mato, problemas elétricos e ação de vândalos no furto de postes e luminárias da área externa, usada anteriormente como local para eventos. Dionísio afirma que o orçamento para este ano é de R$1,4 milhão, valor insuficiente para fomentar a cultura de uma cidade com mais de 800 mil habitantes. Para superar a barreira financeira, Dácio promete percorrer empresas privadas, ministérios, participar de editais voltado para sua área, com o prefeito ao lado.

“Não existe mágica, existe dureza, trabalho, planejamento”. Além dos pontos carnavalescos, o desfile das escolas de samba, a abertura no Largo do Ateneu e o baile das Quengas estão na agenda. “Talento nós temos. O que falta é investimento do poder público e mais parcerias público-privada. A elite é longe da cultura”. Festas caras, em clubes privados no litoral, são modelos de folia animada para os tijolos mais finos, porém dominantes, da pirâmide social brasileira. Na rua, o trabalho homeopático de sedução e convencimento de que é possível adotar a cultura local como fonte de entretenimento, feito por Dácio e equipe até quatro verões atrás, foi interrompido com o colapso administrativo dos últimos anos.

“Nosso desafio é mesclar culturas. Mostrar o potencial econômico que a cultura tem, partindo de nossa cultura, que tem coisas únicas no Brasil, para dialogarmos com o estabelecido. Recife faz isso muito bem. Até os anos 1970, tínhamos um carnaval pulsante, estruturado, dentro de uma tradição clubística. Com o desenvolvimento socioeconômico das últimas décadas, isso mudou. E nossa meta é fazer um diagnóstico do que encontramos, com uma possível auditoria, para, aí, sim, direcionarmos nossas ações”.

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