Carros em locais proibidos complicam pessoas com problemas de locomoção

Estacionamento irregular impede acesso às rampas de acessibilidade em Natal

Alan-Lopes-e-Maria-de-Jesus---Acessibilidade-WR

Há três anos, o estudante Alan Lopes de Lima, hoje com 20 anos, foi vítima de uma bala perdida quando voltava para casa, no bairro de Nossa Senhora da Apresentação, na zona Norte de Natal. A bala acertou a cabeça e o deixou 22 dias internados no hospital, sendo 12 dias em coma induzido. Quando saiu do hospital, Alan estava refém de uma cadeira de rodas, pois não conseguia andar, nem falar. Hoje, ele faz um trabalho de reabilitação no departamento médico de uma universidade particular e já consegue andar sozinho, com um pouco de dificuldades.

Agora, Alan enfrenta outro desafio. Duas vezes por semana o ônibus do programa de Acessibilidade Especial Porta a Porta (PRAE) pega o estudante em casa e o leva até o local onde faz o trabalho de reabilitação junto com o fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo. No entanto, o ônibus do PRAE não consegue entrar na Rua Monsenhor Landim, lateral da universidade, em função do excesso de veículos estacionados de forma irregular. Também é comum os veículos estacionarem em frente às rampas de acessos destinadas a cadeirantes e pessoas com dificuldades de locomoção. Com isso, os usuários são obrigados a descer distante da entrada da universidade.

A mãe de Alan Lopes, a dona de casa Maria de Jesus, conta que o filho enfrenta essa dificuldade duas vezes por semana e duas vezes em cada dia. “Para mim a distância não é tão grande, mas para quem tem alguma limitação física se torna quase que uma maratona. Além de difícil é sacrificante. Ele faz uma sessão de fisioterapia antes mesmo de chegar na universidade, mas o grande problema que é um esforço desnecessário e sem acompanhamento médico”, afirmou a mãe.

“Eu não falava e não andava e hoje já dá para perceber uma evolução grande, graças ao tratamento que estou fazendo. Eu sobrevivi pela misericórdia de Deus, pois os médicos diziam que se eu saísse da UTI eu ficaria a vida toda com sequelas, e hoje, aos poucos já estou retomando a minha vida”, afirmou Alan Lopes.

Alan Lopes conta que o obstáculo que enfrenta para fazer o trabalho de reabilitação também está presente em diversos pontos da cidade. “Infelizmente as pessoas não respeitam as vagas destinadas para as pessoas com deficiência e somos obrigados, muitas vezes, a andar no meio da rua, pois as calçadas são inacessíveis. Temos que escolher entre o risco de sermos atropelados ou o risco de cairmos nas calçadas, quando os carros não estão estacionados em cima delas”, destacou Alan Lopes.

Maria de Jesus, mãe de Alan, conta que já procurou a instituição diversas vezes, mas foi informada de que a responsabilidade seria da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob). A reportagem d`O Jornal de Hoje tentou entrar em contato com a secretaria, mas não obteve sucesso.

Compartilhar:
    Publicidade