CARTA ABERTA AO MESTRE ARIANO… – Bob Motta

Amado Mestre! Perdoe-me, de onde estiver, por parafrasear o personagem Rolando Lero, da Escolinha do Professor Raimundo; mas foi a…

Amado Mestre!

Perdoe-me, de onde estiver, por parafrasear o personagem Rolando Lero, da Escolinha do Professor Raimundo; mas foi a maneira única que encontrei para expressar nessa hora, o sentimento que está habitando o meu coração chêi de remendo… Amado Mestre, juro que nenhum de nós brasileiros, queria esse desfecho agora (um dia, inevitavelmente ele teria que vir…); mas pela vontade, sabedoria e misericórdia Divina; “ A CAETANA GANHOU A PELEJA”!… Saudade, IMENSA; revolta, NENHUMA; tristeza, MUITA; e o agradecimento a Papai do Céu, em PROGRESSÃO GEOMÉTRICA ; pelo privilégio de ter tido o senhor durante toda essa sua encarnação. E nesse agradecimento, relato aos meus queridos leitores e leitoras, os três dias de verdadeiro encantamento, que tive a felicidade de conviver consigo, com seu irmão, o Dr. João Suassuna; com sua sobrinha Kika Freyre, com todo o Grupo Zumbaiá de Contação de Histórias e com seus infindáveis ensinamentos, durante o I ENCONTRO DE CONTADORES DE CAUSOS DO NORDESTE, isso, nos dias 03, 04 e 05 de dezembro de 2004; em Recife-PE, mais precisamente em Apipucos; e, mais precisamente ainda, na FUNDAÇÃO GILBERTO FREYRE… Ali, com outros colegas contadores de causos, poetas, cordelistas, grupos folclóricos, passei verdadeiramente; três dias num verdadeiro Paraíso Terrestre, na minha concepção. Duas manhãs iniciadas com os “abôios no bosque”; depois, apresentações dos participantes no Auditório ODILON RIBEIRO COUTINHO; de onde guardo a mais grata recordação daquele encontro, ao vê-lo se levantar da cadeira central da MESA DE TRABALHOS e aplaudir de pé, minha declamação de poemas matutos, sendo seguido pelo restante de todos os que ali se encontravam presentes. Lembro bem, AMADO MESTRE; que naquela hora, ao me dirigir à mesa para cumprimentá-lo; tirei da minha carteira um papel “surrado”; e lhe estendi, pedindo que o lêsse… O senhor leu o que naquele papel se encontrava escrito; e visivelmente emocionado;

rodeou a mesa e abraçou Bob Motta, o velho Poeta Matuto Cum Nome de Americano… O papel era o bilhete que eu havia recebido de outro mestre, o Comendador LUIZ DA CÂMARA CASCUDO, datado de 09 de setembro de 1978, quando escrevi e publiquei meu primeiro livro, MOLEQUES, MOLECAGENS E SUAS VÍTIMAS… O bilhete já não carrego mais na carteira, mas guardo-o muito bem guardado e com imenso carinho. Já a imagem do senhor ficando de pé para me aplaudir e depois de ler o bilhete, me abraçar chorando; essa; não guardei nem no coração; mas no lugar mais especial que possa existir dentro de minh’alma. Aos meus filhos, nada preciso dizer, visto que eles conhecem décor e salteado, essa passagem na minha vida cultural. Já aos meus netos e aos meus queridos leitores e leitoras; preciso e devo enfatizar mais que nunca; mesmo que alguns não acreditem, mesmo estando registrado nos arquivos da FUNDAÇÃO GILBERTO FREYRE: “Eu já fui aplaudido de pé, pelo IMORTAL MESTRE ARIANO SUASSUNA; lá de nóis; do Cariry-PB”!…

Compartilhar: