CARTA A MARINHO CHAGAS – IN MEMORIAN… – Bob Motta

Marinho: Infelizmente você se foi! Se foi; e para seus “verdadeiros amigos”; a perda é irreparável… Vejo uma porrada de…

Marinho:

Infelizmente você se foi! Se foi; e para seus “verdadeiros amigos”; a perda é irreparável… Vejo uma porrada de gente “pegando carona na sua passagem para o outro lado da vida”; lhe prestando qui nem bombril; “mil e uma homenagens”; e fico a matutá qui certas pessoa, meu fíi; divia tirá a báiba cum um serrote; de “tamanha cara de pau”!… Eu, seu colega de infância, não tive condições psicológicas de ir nem ao seu velório! Não escrevi nenhum poema prá você; não p’rú farta de miricimento; mas porque a dor da perda foi bem maior do que a inspiração; mais num s’avexe não; qui nesses dias, êsse danado dêsse poema, sai da minha mente p’rú papé… A minha homenagem; é m’alembrando de nossas peladas lá no “salgado, diga-se bêra da maré”; m’alembrando daquele lôríin tão mago, qui era chamado puragente de “Chico Tripa e Cavêrinha”; é m’alembrando de quando minha irmã atrupelô o “Nêgo Zumba” e você mandô ela ir embora logo; m’alembrando do time de Pêdinho irmão de Jaci, que a gente ía todo domingo depois do almoço, jogar na quadra de cimento lá nas Rocas; eu você, seus irmãos Bomba e Toinho; Dedé, Marréco e mais uma ruma de minino do Baldo e dais Sete Bôca… É me alembrando duis rôbo de galinha qui a gente fazia nais Sexta Fêra Santa; duis Juda qui a gente butava nais porta dais véia mais fofoquêra, só mode vê a zuada no ôto dia; duis véio qui a gente “serrava”; dais subida nuis “pau de sebo”; do Gato no Pote e da sua ida para o primeiro time da Federação Norte-Riograndense de Desportos (na época…), o Riachuelo Atlético Clube, onde você era reserva de Miltinho, em 1968. Daí, você foi para o ABC; do ABC para o Náutico, como “contra pêso” na negociação do também saudoso Pêtinha; e daí, meu fíi foi só um sarto mode tu alcançá o sucesso… Agora, pouco antes de “sua partida”; aqueles mesmos que te tavam tapinhas amistosas nas costas; quando te viram no ostracismo, te viraram as mesmas; aqueles que pousavam para foto contigo quando voltastes da Copa de 1974; idem… Eu, na minha impotência material, não pude “chegar junto de ti” uma única vez que fosse; e você sabia perfeitamente disso. E creia, Galêgo Véio; não existe coisa pior nesse mundão de Papai do Céu; do que a gente ver um amigo na pior e não poder fazer absolutamente nadica de nada em seu favor… Conversamos por telefone, uns quinze dias antes de sua “viagem”, quando você estava com meus filhos Alexandre e Fabiano… De onde você estiver, pode ficar na certeza que eu sempre tive orgulho do “MAIOR LATERAL ESQUERDO DE TODOS OS TEMPOS”; mas tenho um orgulho muito maior, do galêgo franzino, do Chico Tripa; que nasceu e morou NAIS SETE BÔCA, com quem palmilhei cada palmo daquele chão, nas cercanias do PAÇO DA PÁTRIA e do CANAL DO BALDO!…

Deus te tenha!

Abraços do,

Bob

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