Casablanca

Pior foi Rick Blaine, personagem amargo e solitário de Humprey Bogart. Rick Blaine perdeu Ilsa Lund, ninguém menos que a…

Pior foi Rick Blaine, personagem amargo e solitário de Humprey Bogart. Rick Blaine perdeu Ilsa Lund, ninguém menos que a angelical e hipnótica Ingrid Bergman, paixão nascida em Paris. No final do filme Casablanca, ainda hoje referência em épico e amor e guerra, Rick Blaine é eliminado na decisão.

Tudo bem, foi ficção, mas o pobre Rick Blaine , impecável no sobretudo de Bogart, perdeu o amor de sua vida que reencontrara em seu bar decadente e refúgio de exilados do nazismo. Rick perdeu a chance da vida, o Atlético Mineiro perdeu para o Raja Casablanca, um time real do Marrocos, com uma facilidade de peleja de bairro.

Enquanto pontificava a imagem paralisante de Bogart e Bergman formando o casal apaixonado, separado pela guerra, reunido com um terceiro para atrapalhar, lá estava de peru, o marido que precisava fugir dos alemães pelas mãos do anti-herói. Rick ou Bogart, ex-militar, trabalhava disfarçado.

Era encarregado de obter passaportes falsos para os clandestinos, consegue dois e, na hora final, prefere a dignidade à paixão que o arruinara na bebida. Promete ir embora no script padrão. Faz o contrário, de olhar gelado. Deixa Lund ou Bergman escapar com o seu companheiro oficial, uma nada sutil mensagem conservadora do padrão americano do primeiro lugar para a família.

>>>>>>

Casablanca é um filme lindo e triste. O jogo do Atlético Mineiro e a transformação em fumaça do seu sonho de campeão mundial se arrastou preguiçoso e de final justo. Até previsível. O Atlético não jogou bem, tremeu diante dos africanos que demonstraram a primeira versão do seu futebol apresentado ao planeta.

Aquele estilo levado por Camarões às Copas do Mundo de 1982 e 1990 e por um bom time de Marrocos em 1986. Corajoso, de uma irresponsabilidade adorável e de vocação ofensiva. Incrível o respeito do Atlético pelo Raja. Algo de cinema.

Os africanos demonstraram uma irreverência que havia nos campos de pelada brasileiros e que eles passaram a copiar desde as excursões da seleção e do Santos de Pelé pelo continente nos anos 1960.

Em seu livro Histórias do Futebol, João Saldanha relata uma observação proverbial de Didi, quando jogavam contra um time de colônia holandesa: “tem de respeitar, seu João, é tudo crioulo e onde tem crioulo geralmente a turma joga bem”.

Os africanos resvalaram na competitividade endeusada pelos treinadores brasileiros e se deram mal. Depois da conquista da Medalha de Ouro pela Nigéria em 1996, usaram a força, bruta, carniceira e tornaram-se bizarros nas disputas mundiais.

Passaram a trazer novamente técnicos liberais, adeptos da habilidade por natureza e melhoraram. Recuperaram terreno perdido. Não a ponto de fazer o Atlético Mineiro pisar o campo como se estivesse enfrentando um time de primeiro grupo, um Barcelona, um Real Madrid.

>>>>>>

Mesmo com boa vontade e correria animada por um público enlouquecido, o Raja Casablanca é time para a Série B do Campeonato Brasileiro, padrão daquela patota que nem sobe nem desce. Jogou sem obrigações nem palpitações. Nenhuma assombração como a que foi pintada por Lédio Carmona e Edinho, comentaristas do Sportv quiseram pintar depois da derrota mineira, forçando a barra para uma tragédia de repercussões incalculáveis.

Nada. O Raja Casablanca repete o Mazembe que eliminou o Internacional nas semifinais de 2010 apostando sua vida na procura da vitória e não na contenção do adversário, o que jamais pode ser aceito pela importância dada a esse torneio substituto das fabulosas disputas intercontinentais.

O Atlético (MG) padeceu depois da saída do seu calango elétrico, o loirinho Bernard, uma espécie aproximada de Juninho Paulista, pelo ímpeto e a capacidade de driblar seu adversário sem pedir permissão.

>>>>>>

Drible. O drible como superioridade efêmera do brasileiro desapareceu e o africano que fez o terceiro gol e depois partiu para bajular Ronaldinho Gaúcho, tinha razão ao provocá-lo.

Ronaldinho Gaúcho usou seu passatempo predileto enquanto insiste em permanecer em campo: brincar de se esconder, oxigenado pelos adjetivos ufanistas dos narradores e comentaristas que congelaram sua imagem no Barcelona em 2005.

O Atlético Mineiro carrega o carma de morrer no fim como o mocinho azarado de western. Bonzinhos coadjuvantes sempre tombam no começo, mas o Galo aperta a tecla dos seus piores remakes: as derrotas para o Flamengo em 1980 na final do Brasileiro e em 1981, num assalto sofrido no Serra Dourada pela Libertadores.

Na década de 1980, Reinaldo cintilava como um rubi trincado pelas pancadas nos joelhos, o Galo reinava em Minas Gerais e parava no máximo nas semifinais. Em 1987, conseguiu cair duas vezes para o Flamengo tendo vantagem do empate.

Vice em 1999, perdendo para o Corinthians, jamais passou dos videoteipes do Brasileirão de 1971, Humberto Ramos cruzando na cabeça de Dario garantindo o título no Maracanã.

É imagem em preto e branco. Casablanca, o filme, também. Ao se despedir da mulher perdida, Bogart ainda enxerga uma quimera: “Nós sempre teremos Paris”. Ao torcedores do Galo, o analgésico: “É, vocês estão livres do Bayern de Munique”.

Álbum de Figurinhas
A Panini lança em janeiro o álbum de figurinhas oficial da Copa do Nordeste com 300 cromos de jogadores, escudos, mascotes e estádios e circulação nacional.

Apostas
Os novos jogadores trazidos do São Paulo pelo América são apostas para que se repita o sucesso do meia Régis. É um pessoal que vem pegar experiência e a Copa do Nordeste exige tarimba.

Inauguração
Claro que a presidente Dilma Rousseff, candidatíssima à reeleição, vai querer faturar e estar presente na inauguração da Arena das Dunas. Uma obra é, naturalmente, busca de efeito político. Esperar pela agenda da czarina.

Para frente
O torcedor do ABC deve esperar seu verdadeiro time do meio para o fim do Campeonato Estadual. A base, o técnico Roberto Fernandes está montando, faltam os encaixes, como dizem os sábios.

Decisão no JL
O ABC conquistou o bicampeonato potiguar no dia 19 de dezembro de 1971 no Estádio Juvenal Lamartine ao vencer o América por 1×0, gol do centroavante Edvaldo Araújo, que faria sucesso no futebol paraibano.

Times
ABC: Erivan; Preta, Édson, Josemar e Anchieta; William, Gonzaga e Alberi; Zé Maria, Edvaldo Araújo e Josenildo. América: Jairo; Batata, Cláudio, Ivo e Duda; Gobat, Osmar e Tóia; Bagadão, Petinha e Amorim.

Compartilhar: