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Cascata: “o presidente disse que cada um colhe o que planta”

Data: 03 janeiro 2013 - Hora: 16:49 - Por: Portal JH

A primeira entrevista coletiva de Cascata como jogador do América deu o que falar. O meia atacante não poupou críticas ao ex-clube, o ABC, onde se tornou ídolo e conquistou os únicos títulos da carreira. Mas o bombardeio tinha um alvo específico, a diretoria do clube. Poupando funcionários e torcedores, Cascata falou sobre perseguição, disse não ter sido respeitado, afirma que não lhe pagaram os salários e que não irá a justiça por respeito ao clube. O meia em certos momentos chegou a afirmar que parte da imprensa e alguns diretores querem denegrir a imagem de vários jogadores e que todos os atletas que foram contratados para o ABC na gestão de Flávio Anselmo como diretor de futebol estavam sendo perseguidos. Palavras fortes que segundo ele estavam engasgadas e que o próprio afirma que encerrará qualquer possibilidade de um dia vestir a camisa alvinegra.

A primeira frase de Cascata na entrevista já mostrava que os próximos minutos seriam bem quentes. “A palavra de um homem vale mais que tudo”, dizia o meia sobre o acordo com o América que sequer ainda tinha sido assinado. Questionado sobre os motivos de ter escolhido o América, o meia foi enfático. “Não é só o fato de querer ficar em Natal que escolhi vir para o América. Outros fatores existiram. Fiquei muito triste com a maneira que eu fui tratado no ABC, não pelos torcedores, mas pela diretoria. Essa foi uma briga que eu comprei e tenho certeza que vou desenvolver um grande futebol, como eu fiz eu outras equipes. Sempre deixei as portas abertas em todos os lugares e aqui no América também foi assim. O momento apareceu e o América fez coisas por mim que outras diretorias não fizeram”, explicou.

A mágoa maior de Cascata com o ABC gira em torno da não renovação e salários atrasados. Outro fato que chama a atenção é quando ele fala em perseguição dentro do clube. “Muita gente tentou denegrir minha imagem como fizeram com o Renatinho, Basílio, Jerson e Camilo. Todo mundo que foi contratado por Flávio Anselmo querem queimar. Mas enquanto ele (Flávio Anselmo) estava lá todo mundo recebia os salários, mas agora ninguém cumpre o que promete. Se fosse pra jogar de graça jogaria na minha cidade, perto do meu pai e da minha mãe. Em nenhum momento o ABC quis renovar comigo. Baixei salário e sequer recebi resposta. Quando eu estava no Náutico o próprio presidente do ABC disse que eu poderia vir que ele mesmo iria me pagar. No Natal o presidente me desejou feliz Natal e eu desejei a ele também. Depois que eu respondi que esperava meu presente de Natal, que era receber meu salário, ele disse que cada um colhia o que plantava. Eu sou um pai de família e tenho certeza que vou dar a volta por cima. E realmente é isso, a gente colhe o que planta. Tenho certeza que vou colher o que eu plantar”, disse Cascata.

A mágoa de Cascata também respingou em parte da imprensa. “As pessoas tem que ver o que publicam. Em 2010 eu cansei de chegar bêbado em treino e ninguém falou nada. Cheguei com mulher em carro e ninguém disse nada. E era uma coisa que se alguém falasse eu iria assumir. Agora eu sou um homem de Deus e minha esposa sabe o que eu já fiz. Quando eu parei de fazer isso vem alguém só para descer o pau e falar coisas que eu não fiz. Eu estava engasgado com isso e não vou aceitar ficar sendo taxado de mau carater.”

Cascata afirmou que não pretende colocar o ABC na justiça. “Quando eu estou certo, vou até o fim. Colocar na justiça eu não vou, por respeito a torcida e por respeitar o que eu fiz lá dentro. Vou esperar e ver até quando eles vão ficar sem me pagar. Eu só tenho que dar resposta as pessoas que acreditam em mim. Jogador vale o que é. Se você está bem será bem tratado. Se está mal, ninguém quer saber de você”, completou.

Mas a entrevista também serviu para falar sobre o futuro no América. “Estou feliz. É motivo de satisfação. Você tem que dar valor a quem realmente dá valor. Estar empregado é motivo de estar feliz. Eu não gosto de ser reserva. Vou trabalhar para ser titular. Me perguntaram se eu ia jogar no meio ou no ataque. Conheço o Netinho, o Rico e o Tatu há anos e essa não vai ser uma briga fácil. Espero que a gente esteja unido para conseguir as vitórias”, finalizou.

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