Caseiro relata experiência de morar entre hotéis de luxo na Via Costeira

Ao lado da companheira e dos cachorros de estimação, Antônio se divide entre o trabalho no terreno que cuida e a coleta de recicláveis pela orla da praia para reforçar a renda mensal

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A Avenida Senador Dinarte Mariz, conhecida como Via Costeira, é a área mais cobiçada de Natal pelos turistas, pois é onde concentra o maior número de hotéis de alto luxo da cidade. O grande atrativo da Via Costeira é a bela paisagem, com praias paradisíacas.

É nesse cenário que, há 24 anos, o caseiro Antônio Rocha da Silva reside. Uma casa simples, de apenas quatro cômodos, em meio aos grandes hotéis chega até a passar despercebido por quem trafega diariamente na via. A casa simples contrasta com a paisagem à frente.

Antônio Rocha conta que morava em Mãe Luiza, mas quando se separou da esposa decidiu mudar de emprego e de casa. Foi quando, segundo ele, arranjou o emprego de caseiro da Construtora G5. Antônio conta que a empresa construiu a casa e deu o emprego para que ele tomasse de conta da área e impedisse que invadissem o terreno. E tem sido esse o trabalho de Seu Antônio ao longo das mais de duas décadas. “Me contrataram para garantir que ninguém tomasse posse desse terreno. Cuido daqui como se fosse meu”, afirmou. Hoje, Antônio mora na casa com a sua nova companheira, Jarlene Morais de Oliveira.

A rotina de Seu Antônio começa logo cedo. Às cinco da manhã ele acorda e sai caminhando pela orla da praia, catando material reciclado, como garrafas pet, latas e alumínio, para vender e incrementar a renda, que hoje é de um salário mínimo. “Faço isso não apenas pelo dinheiro, mas se a praia é minha casa, também tenho que zelar por ela. Tudo o que vejo pego. Saiu limpando tudo”, afirmou. O caseiro acorda logo cedo, mas também vai dormir logo cedo, por volta das 19h.

A casa precisa de alguns retoques. No último domingo, as fortes chuvas levaram parte do telhado. Nem mesmo esses pequenos detalhes, tira o brilho de se morar em frente a praia. “É muito bom morar aqui. Muita gente paga valores altíssimos para se hospedar em hotéis por aqui. Eu moro aqui todos os dias, desfruto das mesmas paisagens e não pago nada. Sou turista todos os dias do ano”, destacou.

Seu Antônio tem sete filhos, todos do primeiro casamento, e hoje mora apenas com sua companheira. Ele planeja ter mais filhos, mas enquanto não chegam, os dois cachorros de estimação são os grandes companheiros do casal: Luna e Cabeção. No passado, Antônio e Jarlene chegaram a criar galinhas, mas depois que foram roubados desistiram da criação. “Mas ainda penso em criar carneiros, galinhas, patos e guiné aqui, mas tenho medo de que me roubem novamente”, afirmou.

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