Casos de Aids tendem a crescer com maior acesso da população aos exames

Faixa etária entre 30 e 39 anos possui maior incidência da doença no Rio Grande do Norte

Foto: Divulgação
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Marcelo Lima

Repórter

 

O crescimento do número de testes rápidos nas unidades básicas pelo Estado pode ser um motivo para o crescimento de novos casos nos últimos anos no Rio Grande do Norte. Essa é a analise da coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids e hepatites virais do RN, Sônia Cristina Lins.

Embora os números de Unidades de Saúde que oferecem o teste ainda estejam em compilação, Sônia garante que o acesso é bem mais amplo do que era no ano de 2010, quando se iniciou a política de ampliação desse tipo de teste. “Em 2010, só os serviços de referência faziam o teste sorológico, no Hospital Giselda Trigueiro e no Tarcísio Maia, em Mossoró”, explicou. Para exemplificar: em 2011 foram registrados 397 novos casos; em 2012, esse número cresceu para 447 novos casos. Observando a série histórica de 2000 a 2012 esse foi o maior crescimento de um ano para outro.

Segundo ela, tanto o teste sorológico quanto o teste rápido se expandiram. “A diferença entre os dois só é o tempo mesmo. Ambos têm a mesma precisão”, informou a coordenadora. O método é o responsável pelo resultado do tempo. No teste sorológico, existe a coleta e vários outros trâmites como um exame de sangue comum, no qual se recebe o resultado posteriormente.

O teste rápido e semelhante ao teste de glicemia, quando o paciente precisa apenas fazer um pequeno furo no dedo. O sangue que verte desse furinho é testado e o resultado sai na hora. “Nos últimos anos intensificamos também essa questão do acesso ao teste. Praticamente 100% dos municípios do Rio Grande do Norte já tem pessoal treinado para fazer esse exame. À medida que a gente vai melhorando o acesso ao diagnóstico, esse número vai crescer”, analisou a coordenadora do programa.

Números

Segundo o boletim da Secretaria de Saúde Pública do Estado, 3.594 adquiriram Aids de 2000 para 2012. Os números de 2013 e 2014 ainda não foram compilados. 67% são do sexo masculino e 33% feminino. A faixa etária de maior predominância é de 30 a 39 anos, o que equivale a 36% dos casos.

Tratamento

No Rio Grande do Norte, a referência no atendimento de Aids é o Hospital Giselda Trigueiro, que atende cerca de 3 mil pacientes com a doença do interior e de Natal. Segundo o coordenador do ambulatório que atende pacientes com Aids, Sávio Bezerra, os Serviços de Atendimento Especializado (SAEs) também oferecem o suporte no interior do Estado em cerca de 11 cidades. “Não são o suficiente, mas são adequados. Deveria haver mais”, ressalvou o médico.

A grande novidade sobre o tratamento diz respeito a política pública. Segundo o infectologista, o protocolo de tratamento da doença no Brasil incluiu todos os infectados, mesmo aqueles que têm boa imunidade. “O objetivo é que o paciente tenha a carga viral indetectável”, disse o médico. Antes, os pacientes com o vírus e boa imunidade eram apenas monitorados a cada quatro meses, sem a necessidade do tratamento medicamentoso. A redução da carga viral pode reduzir e muito a possibilidade de infecção para outra pessoa. “Numa relação sexual em que o marido é soropositivo e a mulher não, onde eles acidentalmente não usem camisinha, a possibilidade de infecção é muito baixa”, explicou.

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