Cauã procura inspiração no mundo dos super-heróis para compor André

“Eu fiquei pensando no Batman e em um tubarão”, diz ele; a série estreia nesta sexta, 11

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“Para mim, é sempre o que eu busco como ator, procurar personagens distintos uns dos outros”, diz Cauã Reymond à Rolling Stone Brasil por telefone. A última vez que o público televisivo assistiu ao ator foi na pele de Leandro, de Amores Roubados – taxado como galã por se envolver amorosamente com personagens centrais da série, interpretadas por Ísis Valverde, Dira Paes e Patrícia Pillar. Agora, o ator retorna como André, o protagonista angustiado de O Caçador, que estreia na Globo nesta sexta-feira, 11. Diferente do que viveu com Leandro, Cauã vê André “explorando um lugar mais sexual do que sensual”.

Condenado por um crime que não cometeu, o até então agente da Divisão Anti-Sequestro (DAS) da Polícia Militar sai da cadeia depois de passar três anos cumprindo uma pena injusta. Em seguida, descobre que foi expulso da polícia e apontado como traidor pela família “militar”, que sempre teve muito orgulho de carregar o distintivo no peito. A solução é trabalhar como caçador de recompensas, “profissão” que pode ajudá-lo a desvendar o que realmente aconteceu durante a operação que lhe custou tudo o que tinha.

André acumulou 14 cicatrizes pelo corpo durante o período em que passou afastado da sociedade. Entre as tatuagens do caçador, que representam “proteção, força e coragem”, a frase “Retroceder Nunca, Render-se Jamais” – título do filme de luta norte-americano estrelado por Jean-Claude Van Damme em 1986 – se destaca, ainda mais por ter partido do próprio Cauã. “Eu me lembro de ver aquele cartaz indo ao cinema e achei o máximo”, diz ele, que na época do lançamento do longa norte-americano tinha apenas seis anos. “Eu achei que tinha tudo a ver com o André, faz parte dessa nova pessoa que sai da cadeia. Ele volta diferente, não necessariamente um cara melhor. Um cara mais frio, com grandes dificuldades de ter um relacionamento afetivo.”

O caso com a cunhada Kátia, interpretada por Cléo Pires, é um dos pilares da trama, dirigida por José Alvarenga e codirigida por Heitor Dhalia. O mesmo acontece com relação do ex-policial com Marinalva – Nanda Costa dá vida a uma ex-prostituta que quer se reencontrar como indivíduo na sociedade e que pode ajudar André na tentativa de provar a inocência. “A gente já tinha trabalhado juntos no Cordel Encantado”, relembra Cauã, que destaca a boa química da dupla formada com Nanda. “Agora estamos nos encontrando em personagens completamente diferentes em O Caçador”.

Para compor André, o ator buscou inspiração em lugares completamente diferentes. Na Coordenadoria de Recursos Especiais do Rio de Janeiro (CORE), Cauã teve acesso ao treinamento físico pelo qual todo policial passa: aprendeu a atirar, invadir, reagir a situações de risco e a reagir a assaltos. Peça elementar desta experiência foi o instrutor dele, que coleciona semelhanças com o personagem central da série. “Ele também vinha de uma família de policiais, tinha um irmão delegado, o pai dele era delegado…”, enumera. “Me ajudou a trazer elementos da realidade para a ficção.”

Batman, surpreendentemente, foi outra fonte do ator, que enxerga no super-herói uma carga de angústia latente que André também carrega. “Ele nunca é visto como um herói, como é o Super-Homem, como é o Homem-Aranha. Eles são heróis mais solares”, explica, elegendo o Demolidor como outro justiceiro sombrio. “Eu fiquei pensando no Batman, em um tubarão – um cara que está perseguindo e nunca para – e no parceiro da CORE que me treinou.”

Quando questionado sobre a popularidade do gênero policial no Brasil, Cauã interrompe. “Popular é a comédia”, determina. Segundo ele, apesar de filmes que “explodem” – como Tropa de Elite, Cidade de Deus, Carandiru – o tema ainda não estabeleceu um nicho “como é o da comédia, em termos de público”. “Acho que o brasileiro consome aquilo que a gente dá para ele. Se a gente der coisas de qualidade ele vai lá e consome.” Cauã percebe a preocupação de entregar para o públicos outro gêneros, sem desmerecer a comédia. “Acho que o brasileiro tem que continuar a consumir comédia, é importantíssimo. Fico feliz de ver a indústria nacional se fortalecendo perante a indústria estrangeira.”

 

Fonte: Revista Rolling Stone

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