CBF quer que Felipão e jogadores doem prêmio de 48 milhões para caridade

Ideia surgiu com o intuito de resgatar a imagem pública dos jogadores e do treinador

Foto: Divulgação
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Felipão e seus jogadores não querem ficar marcados na história como os vilões da Copa de 2014. Os responsáveis pela infelicidade de mais de 220 milhões de pessoas. A derrota por 7 a 1 diante da Alemanha não voltará mais atrás. Mas nasceu com assessores de José Maria Marin uma ideia que pode resgatar a imagem pública dos jogadores e do treinador.

Todos doarem para instituições de caridade a premiação por disputar a Copa do Mundo. Não ficar com um centavo.

Se derrotar a Holanda, o Brasil teria direito a R$ 48 milhões como terceiro colocado. Se perder, ficaria com R$ 44 milhões. A partilha combinada valia para o título, R$ 77 milhões. Marin daria integralmente ao grupo. A divisão incluiria funcionários da rouparia, cozinheiros etc.

Os atletas e o treinador ficariam com a premiação maior, cerca de R$ 1 milhão para serem hexacampeões. Agora, deverão ficar com algo perto de R$ 650 mil se vier a terceira colocação. Ou R$ 450 mil pelo quarto lugar.

Se não derem integralmente o dinheiro, pelo menos uma parte representativa. A metade que fosse. Valeria muito no futuro da carreira de cada atleta.

A ideia que foi levada a Marin é brilhante em termos de marketing. Apenas funcionários mais humildes receberiam uma parte do dinheiro. A grossa, a maior, dos jogadores e de Felipão seria doada para instituições de caridade.

Tudo seria revelado de preferência no canal oficial da Seleção Brasileira: no Jornal Nacional da TV Globo. Seria uma maneira de aproximar a emissora, parceira da CBF no Mundial. Depois da derrota para a Alemanha, o tom da cobertura mudou radicalmente. Tudo o que foi relevado, como poucos treinos, só um esquema tático, descontrole emocional, convocação ruim, veio à tona.

A imagem dos atletas e de Felipão está muito desgastada. De amados, passaram a ser rejeitados nas redes sociais. Isso afeta também os patrocinadores desses atletas. A desvalorização em suas carreiras é evidente.

Fred, por exemplo, tinha a esperança de voltar para a Europa. E para um clube grande. A direção do Fluminense também já contava com milhões de uma transferência. Depois da péssima Copa que disputou será difícil surgir interessados. Com 30 anos restará a ele mercados sem prestígio como o asiático ou os Estados Unidos.

Marin e Marco Polo del Nero analisam se tocam em frente essa sugestão. O que pode ser
um grande facilitador é a situação financeira resolvida da maioria dos atletas e de Felipão. Esse dinheiro não faria falta. E teria um enorme valor simbólico doado.

O autor da ideia tem certeza que Neymar, David Luiz, Thiago Silva e Felipão aceitariam de pronto a proposta. Assim como o restante dos atletas. Todos estão muito desgastados, desmoralizados com o fracasso no Mineirão.

Vencer a Croácia com um pênalti simulado. Empatar suando sangue com México e Chile. Ganhar de Camarões depois de 20 minutos de sufoco. Derrotar a Colômbia fechado no final da partida como time pequeno. E ser goleado impiedosamente pelos alemães por 7 a 1. Essa campanha merece R$ 400 mil, R$ 600 mil para cada atleta? Para Felipão?

A ideia foi passada a Marin. Em dezembro de 2014, a CBF acumulará R$ 324 milhões só dos 14 patrocinadores da Seleção. Os valores: Nike, R$ 83,9 milhões; Itaú, R$ 39,5 milhões; Vivo, R$ 36 milhões; AMBEV, R$ 36 milhões; Sadia, R$ 24 milhõe; GOL, R$ 16,8 milhões; Volkswagem, R$ 9 milhões; Gillette, R$ 12 milhões; Pão de Açúcar (Extra) R$ 9,5 milhões; Unimed Seguros, R$ 12 milhões; Nestlé, R$ 14,4 milhões; Samsung, R$ 15,8 milhões; Mastercard, R$ 12 milhões; EF English, R$ 3,6 milhões. Tênis Pé Baruel e Relógios Parmigiani também dão dinheiro mas, por pagarem menos, são consideradas empresas apoiadoras, não patrocinadoras.

Fora isso há o dinheiro da transmissão que a CBF recebe da Globo. E a fonte inesgotável que são os amistosos da Seleção. Onde nunca recebe menos de um milhão de dólares. Já há dois programados em setembro, nos Estados Unidos, contra Colômbia e Equador.

Por isso, a entidade pode se dar ao luxo de repassar integralmente o dinheiro da Fifa. Neymar, Felipão, David Luiz, Hulk, Oscar, Daniel Alves, Thiago Silva, Marcelo e outros ganharam dinheiro com publicidade com o Mundial. Além dos seus salários privilegiados.

Se não quiserem dar a premiação integral, destinem pelo menos uma parte desse dinheiro. Seria a atitude mais digna a ser feita.

Candidatos a esse dinheiro não faltam. Como a associação das vítimas da enchente daqui de Teresópolis. Milhares de pessoas esperam pela casa prometida pelo governo depois das oito trombas d’água que caíram aqui na cidade. Foi o maior desastre natural do Brasil neste século. Morreram cerca de duas mil pessoas. Centenas de corpos não foram encontrados.

Órfãos estiveram na Granja Comary. Tiveram direito a autógrafos e fotos com os atletas. A associação ou as criaças não receberam um centavo sequer da CBF ou dos jogadores. Fora tantos milhões de pessoas que precisam de ajuda neste país.

Abrir mão da premiação. ou ao menos de uma parte importante dela, em nome dos carentes seria uma solução inteligente. Não resgataria toda a vergonha que o time proporcionou no Mineirão. Mas seria algo digno, inteligente. Traria de volta um pouco da simpatia dos brasileiros. E não mataria ninguém deste time de fome. Cabe a Marin propor e os jogadores, se tiverem neurônios, aceitarem.

O legado seria verdadeiro, importante. Essa equipe amenizaria toda a frustração que proporcionou a um país inteiro. Traria um pouco de alívio ao fracasso dentro do campo.

Fonte: Blog do Cosme Rímoli

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