Ceasa sofre com comércio caótico, lixo e pela falta de estacionamento

Permissionários, vendedores e diretoria defendem expansão estrutural da Central de Abastecimento

Ceasa--WR

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

Comércio caótico, falta de estacionamento e mau cheiro do lixo misturado às frutas estragadas são sinais de um problema diário enfrentado por empresários, vendedores, funcionários e clientes na Central de Abastecimento do Rio Grande do Norte (Ceasa-RN). A estrutura localizada às margens da Avenida Capitão-Mor Gouveia, em Lagoa Nova, já não está dando conta da demanda diária do fluxo de produtos hortifrutigranjeiros, pessoas e veículos, situação que tem prejudicado a qualidade do serviço prestado pela Central.

Para os empresários permissionários, vendedores e diretoria administrativa da Ceasa, que está vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, a solução definitiva para a maioria dos problemas existentes seria a ampliação e melhoria da estrutura física. O assunto esteve em debate na tarde desta quarta-feira (2) durante audiência pública na Assembleia Legislativa, por proposição da deputada estadual Gesane Marinho.

O empresário e vice-presidente da Associação dos Atacadistas da Ceasa, Antônio Alves da Costa, que trabalha há 28 anos na Central, disse que o crescimento da capital potiguar prejudicou a expansão da estrutura instalada no mesmo local desde 1976. “Se fossemos conversar sobre todos os problemas que temos aqui, perderíamos o dia inteiro. Mas para ser sucinto, diria que nosso principal problema, de infraestrutura, foi causado pelo aumento populacional e expansão da cidade. Hoje precisamos de terreno para expandir a Central, mas não temos por onde fazer isso”, disse.

Segundo Antônio Alves, existem sete hectares da própria Ceasa que ao longo do tempo foram ocupados por outros órgãos públicos e “poderiam ser reincorporados para melhorar a infraestrutura”. Essa informação foi confirmada por Cledionor Mendonça, diretor técnico da Central. De acordo com ele, a Ceasa começou as atividades ocupando 16 hectares de terra para atender uma demanda de quatro mil toneladas de alimentos hortifrutigranjeiros por mês.

“Hoje temos um espaço 50% menor do que tínhamos inicialmente e atendemos uma demanda de 25 mil toneladas por mês. Ou seja, o serviço da Central de Abastecimento aumentou e o espaço diminuiu. Esse problema de falta de espaço acaba gerando outros, como a falta de estacionamento para caminhões de carga e veículos de passeio”, afirmou Cledionor.

O diretor técnico explica que o estacionamento acaba sendo prejudicado porque os permissionários compram os produtos, não têm local para estocar e, por isso, os caminhões de carga precisam ficar estacionados com os alimentos. “São caminhões longos, que acabam ocupando mais de uma vaga. Se forem observar, o espaço aqui dentro é tão pequeno que os caminhões acabam ficando estacionados do lado de fora, em postos de gasolina, esperando por um momento que possam entrar”, destacou.

José Adecio Costa Filho, diretor presidente da Ceasa, disse que o problema de falta de espaço físico é comum às Centrais de Abastecimento do país, mas que a administração do órgão no Rio Grande do Norte está sempre buscando por melhorias. “Adotamos medidas aqui para tentar minimizar os problemas, mas é complicado. É coisa que nenhuma administração consegue resolver da noite para o dia”, disse.

A reportagem d’O Jornal de Hoje questionou se existem projetos que prevêem aquisição de outro local onde possa funcionar a Ceasa, longe do centro da cidade, e o diretor-presidente afirmou que as conversas sobre isso “nunca deixaram de existir”. “Porém, trata-se de um projeto muito vultoso, de uma despesa para mais de R$ 100 milhões de reais. É muita burocracia legal para tudo acontecer. O que podemos afirmar é que precisamos de uma área acessível. Falta de espaço é o nosso problema crucial”.

A falta de infraestrutura ainda influencia no acondicionamento do lixo. Por falta de local, mas também da conscientização de muitos permissionários, é fácil de sentir o mau cheiro das frutas e verduras estragadas. A direção da Ceasa informou que o caminhão de coleta trabalha diariamente, 24 horas por dia, mas mesmo assim as lojas voltam a descartar o lixo nas ruas. “Tentamos trabalhar com os permissionários a questão da educação ambiental, mas é difícil. O caminhão passa e eles voltam a jogar o lixo durante o expediente”, disse José Adécio Filho. Em dias de movimento, a Central de Abastecimento chega a gerar uma média de 10 mil quilos de lixo.

Compartilhar: