Cem anos sem José da Penha

Devo a Oswaldo de Souza, conservador do patrimônio histórico, pianista pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e primeiro…

Devo a Oswaldo de Souza, conservador do patrimônio histórico, pianista pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e primeiro pesquisador a recolher e estudar as canções dos remeiros do rio São Francisco, um velho fascínio pela figura de José da Penha. Gostava de lembrar as notícias do seu destemor que ouvia em casa, nas conversas de família, ele que nascera em 1904 e, portanto, fora contemporâneo do capitão valente e lendário que viveu entre 1875 e 1914, espalhando lutas e glórias.

Um dia, já depois dos oitenta anos e lúcido – faleceu em 1995, com quase 91 – passou às minhas mãos dois pequenos livros, como se desejasse manter acesa a sua admiração de infância: ‘José da Penha, um romântico da República’, de Alvamar Furtado de Mendonça, reunindo seu discurso de posse na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras e a saudação de Américo de Oliveira Costa, Imprensa Oficial, Natal, 1970; e ‘A Primeira Campanha Popular no Rio Grande do Norte’, de Aluizio Alves, Natal, 1976.

Ainda hoje é o que há de mais detalhado sobre José da Penha Alves de Souza, o Capitão José da Penha, a quem o Estado deve uma biografia completa. Alvamar dedica ‘A Oswaldo de Souza, com as homenagens do seu velho amigo e admirador’. E Aluizio Alves inscreve a amizade, ele que, no seu governo, fizera Oswaldo voltar a Natal para tombar os bens históricos do Estado sob a orientação de Rodrigo Melo Franco de Andrade e Lúcio Costa: ‘A Oswaldo, com a afeição de Aluizio Alves’.

O entusiasmo do poeta Jarbas Martins, conterrâneo de José da Penha, só vim conhecer há alguns poucos anos, numa conversa na livraria do Campus. Mas sempre restava, no lugar mais escondido da alma, a frustração de não conhecer nenhum dos livros daquele angicano ilustre que fez o povo cantar suas glórias nas ruas. Devo o prazer, e o espanto, ao professor João Felipe da Trindade que ainda é parente do grande angicano, aquele que tinha um coração feito de pedra para esmagar as oligarquias.

Assim, desde jovem, cresci os olhos e a curiosidade ouvindo o nome do Capitão José da Penha como um fantasma indormido, morto há cem anos, a 22 de fevereiro de 1914. Era um valente sem medo, a lutar em toda parte. Mas, se de suas coragens ouvia falar, suas idéias pareciam cobertas pelo mesmo silêncio do seu olhar de pedra que salta do rosto ali na praça que tem seu nome, na Ribeira, diante das duas torres sineiras da igreja do Bom Jesus das Dores, onde a cidade rezava nas trindades do anoitecer.

Com o tempo, o mistério escolhe caminhos para chegar. Não faz muitos dias, na agência da Caixa Econômica, no Campus, puxei conversa com o professor João Felipe da Trindade. Sou seu leitor, palmilho aqueles caminhos velhos de Macau. Com ele atravessei o meu mar antigo e fui bater na Ilha de Manuel Gonçalves. Vi, na transcendência da imaginação, a sua capela humilde, seus coqueiros, sua gente, seus navios ancorados e a terrível invasão dos corsários ingleses assaltando sua pobre riqueza.

Há raízes paternas e maternas entrelaçadas que ligam João Felipe a José da Penha. Para entendê-las, pedi que explicasse: ‘Minha avó, Maria Josefina Martins Ferreira, era prima legítima do capitão José da Penha. Minha bisavó, Francisca de Paula Maria de Carvalho, mãe dela, era irmã de Maria Ignácia Teixeira do Carmo (depois Alves de Souza ou Alves da Silva), mãe do capitão. O pai das duas, Vicente Ferreira Xavier da Cruz, que era meu trisavô, era irmão de outro trisavô meu, Miguel Francisco da Costa Machado, que era avô de Miguel Francisco da Trindade, marido de Maria Josefina Martins Ferreira’.

José da Penha Alves de Souza nasceu em Angicos a 13 de maio de 1875 para ser um bravo e por isso desejou desde a infância ser militar. Aos 15 anos, em 1890, apresenta-se ao Exército para estudar. Quatro anos depois, em 1894, é Alferes. Tenente em 1908. Em 1911 já ostenta nas dragonas da farda as insígnias de capitão. Dali, até fechar os olhos para sempre, vítima de uma emboscada, há cem anos, em 1914, a sua trajetória será uma só: contra os fortes sem temores e sempre em busca da justiça social.

Com sua coragem, e dono de uma retórica flamejante que a todos arrebatava, sonhou derrubar a oligarquia Maranhão, implantada por Pedro Velho representada pela candidatura de Ferreira Chaves. Foi às ruas com a bandeira de um nome ilustre e estranho – Leônidas Hermes da Fonseca, filho do Marechal Hermes da Fonseca, então presidente da República. Um erro, como apontam os historiadores. O certo teria sido ele mesmo, José da Penha, o único nome capaz de vencer Ferreira Chaves, candidato do então governador Alberto Maranhão. Derrotado e melancólico, voltou ao Ceará.

Com vocação militar, e alimentado nas fontes mais eruditas do espiritismo de Alan Kardec que estudou, José da Penha é um exemplo daquele traço definitivo que desenha os homens à frente do seu tempo. Na visão de Câmara Cascudo que pintou seu retrato consagrador na Acta Diurna de 22 de fevereiro de 1942, n’A República, representou, no começo do século e cercado de suas circunstâncias, aquele homem de Alfred de Musset: ‘Nasceu muito cedo para um mundo muito velho’. E por ter sido assim, jovem, justo e ousado, acabou arrancado da vida aos 39 anos, vítima de um tiro pelas costas.

 

RETRATO – I

Mossoró protestou, com votos brancos e nulos, contra a ausência de Rosados na eleição? Pelo visto não. Somados, inclusive aos votos nos candidatos de pequenos partidos, chegam a um patamar insignificante.

AVISO – II

Em política nada é definitivo. O derrotado hoje pode ser o vitorioso amanhã. Mas, é bom não perder de vista que 68 mil eleitores mossoroenses votaram José Silveira. Mossoró quer experimentar a mudança?

EFEITO – III

Resta aos vitoriosos transformar a eleição de Mossoró numa força influenciadora do sentimento popular de mudança em todo Estado. E cabe aos derrotados evitar este efeito sobre o acordão. Seria desastroso.

ESTILO – I

Primeiro o Governo Rosalba Ciarlini desejou vender o quase centenário Estádio Juvenal Lamartine, um símbolo da história do futebol no Rio Grande do Norte. Foi preciso Natal reagir para não perder o JL.

AGORA – II

O Governo Rosalba Ciarlini quer tomar o Aero Clube, outro símbolo, este da história da aviação no Estado. O que pretende a governadora da mossoroense? Empobrecer ainda mais a história de Natal?

REAÇÃO

É clara a insatisfação de alguns deputados estaduais do PSD com a decisão do PT contra uma aliança na chapa estadual. Muito diferente, aliás, do que chegou a propor o PDMB a Robinson Faria. O PT é assim.

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