Centro Araruna fará arraiá solidário para recuperar história de Mestre Cornélio

Homenagem feita a um dos maiores folcloristas do RN foi forma encontrada para recuperar prédio

Araruna---Rocas--WR---(03)

Resgatar a história de um dos principais folcloristas do Rio Grande do Norte, o Mestre Cornélio. Esse é o objetivo do Arraiá do Mestre Cornélio, que será realizado nesta sexta-feira (27) pela Sociedade Araruna de Danças Antigas e Semi-desaparecidas de Natal na Pedra do Rosário, no Paço da Pátria. Os valores arrecadados com o evento serão usados nas obras de recuperação do prédio da entidade, situada no bairro das Rocas e que, construído há 59 anos, nunca passou por uma reforma.

Segundo a presidente do Centro Araruna e bisneta do Mestre Cornélio, Geane Gomes, a estrutura do prédio está completamente deteriorada, cheia de infiltrações e o madeiramento que sustenta o teto está totalmente comprometido pelo tempo. Ela revelou que teve que retirar todos os objetos que pertenceu ao seu bisavô para outro local, porque sempre que chove, entra água no salão.

“Tem risco de desabar sim, porque a estrutura do teto e até as paredes estão comprometidas, velhas e sem nenhum tipo de reparo. Sem contar os problemas existentes na rede elétrica, que também podem provocar acidentes como um curto-circuito. Por causa disso, não temos as mínimas condições de manter o prédio funcionando. É muito triste entrar aqui e encontrar o espaço que meu bisavô tanto gostava dessa forma”, explicou.

Geane disse que o Arraiá foi uma forma criada, junto com uma amiga, de tentar recuperar o prédio e assim, poder continuar contando a história do Mestre Cornélio. Morto em 2008, aos 99 anos, ele dedicou a maior parte de sua vida ao folclore e à cultura do Rio Grande do Norte, onde deu início, em 1949, a quadrilha Araruna que se tornou um marco cultural.

“O grupo se apresenta sempre ao som de sanfona e outros instrumentos musicais, os cavaleiros usam casaca e cartola e as damas, vestidos longos de saias rodadas em preto e branco. É bonito de se ver, mas infelizmente, a história criada pelo meu pai, como chamo meu bisavô, está se perdendo pelo tempo e não temos condições de manter essa estrutura, nem de reformá-la”, falou.

Ela explicou ainda que o prédio, que antes era usado para encontros de danças e também realização de festas pela comunidade, foi fechado por oferecer riscos aos frequentadores, logo após a morte do Mestre Cornélio, que mesmo após se mudar para Mãe Luíza, no final da vida, ainda ia ao local todos os dias.

“Não tenho condições de abrir porque há o risco permanente de acontecer um acidente. Algumas pessoas ainda pedem para usar, mas quando digo que não me responsabilizo pelo que possa vir acontecer, desistem. Queremos resgatar a história do Araruna, do Mestre Cornélio, da cultura potiguar que ele representa, por isso, estamos produzindo o Arraiá, na próxima sexta-feira”, disse Geane Gomes.

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