Centro cirúrgico da Maternidade Divino Amor é interditado por alagamento

Salas foram contaminadas por água de esgoto e vários materiais foram inutilizados

4T3T34T

No final da manhã desta sexta-feira (13), o centro cirúrgico da Maternidade Divino Amor, em Parnamirim, ficou alagado por águas de esgoto e precisou ser interditado por, pelo menos, 12 horas. A água começou a vazar por ralos e por um vaso sanitário entupido por volta das 10h30, inundando e deixando mal cheiro em 5 salas. Com isso, vários materiais foram contaminados e considerados inutilizados pela equipe de trabalho.

A situação foi registrada em vídeos e fotos pelos servidores da saúde de Parnamirim, que inclusive encontraram dejetos humanos vindos da fossa. A categoria, que está em greve desde maio, também denunciou o armazenamento inadequado, no centro cirúrgico, de material humano coletado para biópsia. Cerca de 160 peças aguardam desde fevereiro o encaminhamento da Secretaria Municipal de Saúde para análise. Sem os exames, pacientes com potencial risco de câncer poderão ficar sem o diagnóstico da doença ou recebê-lo com muitos meses de atraso.

Além disso, os grevistas denunciaram outros problemas da maternidade, como goteiras na recepção da maternidade e no Arsenal da Central de Esterilização, onde são guardados os materiais estéreis que são distribuídos para todo o hospital. Também há vazamentos nos chuveiros que são utilizados para dar banho nos recém-nascidos. Além disso, alguns chuveiros não possuem água morna e outros esquentam demais, podendo provocar queimaduras nos bebês.

Na UTI Neonatal só existe 1 incubadora para servir a dez leitos. Uma mesa de exame ginecológico tem sido utilizada inadequadamente como mesa de parto, causando desconforto às mulheres que se encontram em trabalho de parto. Como se não bastasse, ataduras improvisadas são utilizadas para adaptar as mesas de exames para a realização dos partos.

Ainda há problemas na farmácia, onde os medicamentos também são armazenados inadequadamente. Já no laboratório, os servidores encontraram um microscópio e dois computadores quebrados há mais de 1 ano.

Desde antes do início da greve, os servidores denunciam a crise pela qual a saúde pública de Parnamirim vem passando. A melhoria das condições de trabalho e da estrutura das unidades de saúde é uma das principais reivindicações dos grevistas. Além disso, a pauta também exige a criação do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) dos servidores, que o prefeito Maurício Marques havia prometido implementar até dezembro de 2012.

Na manhã de quinta-feira (12), a categoria se reuniu com o secretário-chefe do Gabinete Civil, Henrique Costa, para discutir a criação do PCCS. Pela quarta vez, o secretário não articulou a comissão técnica que será responsável pela criação do PCCS, como havia se comprometido. Os servidores estão descrentes: “Nós já dissemos ao secretário que a categoria tem a impressão de estar sendo enrolada, mas também acrescentamos que não sairemos da greve enquanto essa situação não for resolvida. Os servidores estão fartos”, afirmou Edgard Aurino, diretor do Sindsaúde-RN.

Compartilhar:
    Publicidade