Centro Desportivo vira lixão, banheiro ‘público’ e ponto de drogados

Caso foi levado ao Ministério Público e Prefeitura de Natal promete reforma até o final do ano

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Marcelo Lima

Repórter

Em época de Copa do Mundo, quando todas as atenções estão voltadas para as obras de mobilidade urbana e para o imponente estádio Arena das Dunas, mas a realidade de várias quadras esportivas de Natal está muito aquém do mínimo necessário para o lazer das comunidades.

No Conjunto Cidade do Sol, no bairro de Igapó, zona Norte da capital, os moradores estão penando na saga para tentar recuperar a quadra esportiva da região. Segundo eles, o muro que ficava por trás do espaço ruiu, em parte, desde a última quarta-feira (9). E o que restou aparentemente não tem resistência. O piso da quadra também não oferece segurança alguma para quem ainda se arrisca a praticar atividade esportiva no local. As redes e telas de contenção das bolas estão em frangalhos. E isso nos pontos onde ela ainda existe.

Por trás do entulho gerado pela queda do muro, um terreno baldio se transformou em ponto de encontro para drogados, banheiro a céu aberto e lixão. No entanto, o referido lugar um dia já foi a sede do Centro Desportivo da comunidade, prédio que também está em ruínas.

Como se não bastasse a presença do lixo, de usuários de drogas ilícitas e dejetos humanos, o lugar também é área de refúgio para assaltantes. A auxiliar de merendeira Josiene Cristina Galvão da Silva, de 38 anos, foi assaltada no início da Rua Mercúrio – lugar onde fica o lixão “multiuso”- há dois meses.

Segundo ela, o local tem iluminação, mas os drogados tentam a qualquer custo quebrar o poste que ainda ilumina o local. Na quarta-feira passada, ela foi novamente intimidada. “Tive que voltar do caminho com a minha filha e fui pela rua do meio”, disse, explicando que tem que andar muito mais para voltar para casa.

Conforme o secretário-geral do Conselho Comunitário do Conjunto Cidade do Sol, Carlos França, o equipamento público está abandonado há cerca de três anos. Ainda segundo ele, a gestão do lugar é de responsabilidade do Centro Desportivo do conjunto, que não tem vinculação com o Conselho Comunitário.

“As informações que nós temos são extraoficiais. Dizem que vão cobrir a quadra e tudo mais. É o que dizem à população”, comentou França. O integrante do Conselho afirma que existe uma diretoria do Centro Desportivo, embora a estrutura física da sede tenha ido ao chão. Ele diz também que tentou diálogo com a direção do Centro, mas não conseguiu. O secretário-geral sugere que o espaço hoje abandonado poderia abrigar uma academia da terceira idade.

Outro integrante do Conselho Comunitário conta que o espaço já foi exemplo desse tipo de estrutura na zona Norte de Natal. “Tudo funcionava divinamente bem. Tinha vestiário masculino e feminino e escritório para a diretoria do Centro”, falou José Honorato Correia, vice-presidente do Conselho.

Correia disse também que havia campeonatos organizados no local com clubes amadores devidamente registrados na antiga Fundação de Esportes de Natal (Fenat), hoje sucedida pela Secretaria de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel). Participavam das competições, adolescentes e adultos. Mas o abandono mudou a realidade. “Agora virou um ponto de drogas. Hoje não tem um filho meu que venha pra cá”, criticou.

O Conselho também denunciou o caso a Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual. Segundo o secretário geral da entidade, o caso rendeu até um inquérito civil para apurar o motivo do estado da quadra. “A gente lamenta porque Natal é uma cidade da Copa”, concluiu Carlos França.

De acordo com o secretário municipal de Esporte, Juventude e Lazer, Eduardo Machado, a gestão desses espaços varia de caso para caso. No entanto, ele garantiu que a manutenção dos cerca de 140 campos, quadras e minicampos da cidade é de obrigação da Prefeitura de Natal por meio da Sejel. A garantia do secretário é que até o final do ano a quadra do Conjunto Cidade do Sol seja reformada.

A reportagem d´O Jornal de Hoje chegou a ir à casa de uma diretora do Centro Desportivo, indicada pelos moradores, mas ninguém retornou aos chamados da equipe.

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