Chacina na madrugada: bandidos matam três irmãos e uma mulher grávida em Poço Branco

Márcio, João Emanoel, Ranchiel e Laryssa (que estava grávida de 2 meses) foram surpreendidos na madrugada. Foto: Cedida
Os moradores do município de Poço Branco, distante aproximadamente 60 quilômetros de Natal, ainda estão em choque diante do crime brutal que vitimou quatro pessoas, sendo três da mesma família, na madrugada desta quarta-feira (6). Márcio Varela Henrique, de 34 anos, João Emanoel Henrique Pereira, 21 anos, Ranchiel Henrique Pereira, 18 anos, e sua companheira, Laryssa Roberta de Oliveira Silva, de 17 anos, que estava grávida de dois meses, foram surpreendidos durante a madrugada, por quatro pessoas, segundo moradores, sem chance de fuga ou reação. Ao todo, foram encontradas 62 cápsulas de revólver de calibre 38 e de pistolas 380 e ponto 40 encontradas no local do crime. A Polícia Civil ficará responsável pela investigação do caso, mas informações preliminares apontam que os irmãos tinham envolvimento com tráfico de drogas e assaltos na região. Vingança por um assassinato acontecido em 2010 por um dos irmãos mortos podem estar entre os motivos que levaram ao crime.
Com essas quatro mortes, o número de homicídios registrados, apenas em 2013, no Rio Grande do Norte já ultrapassa o número de vítimas do incêndio da boate Kiss, no Rio Grande do Sul, ocorrido há mais de um mês. Segundo estatísticas do Instituto Técnico-Científico de Polícia (ITEP), a média no Estado é de 3,7 homicídios por dia. Com as quatro mortes de Poço Branco, esse índice deve aumentar. A crescente taxa de mortalidade provocada por mortes violentas, especificamente assassinatos, vem sendo evidenciada através dos registros numéricos no decorrer dos anos.
A chacina aconteceu na rua João Ferreira da Cruz, nº 915, na periferia do município, por volta de 1h da madrugada, quando um carro preto, com placas ainda não identificadas, chegou ao local. A polícia não ainda não conseguiu precisar a quantidade de pessoas que realizaram os disparos, mas os populares informaram que quatro homens cercaram a casa. Os homens arrombaram o portão de madeira na entrada da casa e começaram a atirar. João Emanoel morreu ainda no quarto, que fica no segundo cômodo da casa. O casal Ranchiel e Laryssa, que estava no primeiro cômodo da casa, quando ouviram os primeiros disparos correram para a cozinha, para tentar fugir pelo quintal, mas foram surpreendidos por homens que estavam arrombando a porta da cozinha. Os dois morreram neste cômodo.
Márcio Varela, que era irmão de criação e morava na casa ao lado, quando ouviu o barulho correu para avisar os irmãos e foi alvejado em um beco que fica entre as duas casas. Os três irmãos não resistiram aos ferimentos e morreram no local, mas a adolescente ainda chegou a ser socorrida para o hospital de Poço Branco, mas não resistiu aos ferimentos. Na vizinhança, temendo por represálias, a lei do silêncio impera e ninguém dar detalhes do assassinato. Apenas uma vizinha que não quis se identificar disse que percebeu a movimentação e ouviu os tiros, mas só saiu de casa quando o carro já tinha ido embora.
O pedreiro Roberto Nunes da Silva, pai de Laryssa Roberta, foi ao ITEP para liberar o corpo da filha. Bastante emocionado, o pai, que mora no conjunto Vale Dourado, na zona Norte de Natal, conta que Laryssa foi criada pela avó paterna, mas que sempre conversava com a filha sobre os riscos de se envolver “com pessoas erradas”. “Foi uma tragédia. Sabíamos que mais cedo ou mais tarde isso poderia acontecer, mas não esperamos nunca que com uma filha nossa. Chamávamos a atenção dela, mas ela não nos ouvia e também não conversava com a gente sobre possíveis ameaças que ele vinha sofrendo, mas sabemos que algumas pessoas já haviam dado avisos de que iriam invadir a casa e matar todos. Estamos todos arrasados”, disse o pai da adolescente que cursava no 9º ano do Ensino Fundamental.
Na casa da avó de Laryssa, onde a adolescente, conhecida como “abelhinha” passava o dia, a família também estava inconformada com a morte. A irmã dela, Laissa Barbosa de Oliveira, de 20 anos, conta que sempre dava conselhos para irmã, que teimosa, nunca ouvia. “Já esperávamos que isso pudesse acontecer e, por isso, sempre conversávamos com ela, mas ela não escutava. A gente não queria o namoro porque ele já era marcado e quem estivesse com ela também pagaria pelo crime”, destacou.
O autônomo Francisco de Assis da Silva, de 28 anos, é irmão dos assassinados e conta que não faz ideia de quem seja o autor da chacina, mas afirma que a morte deles já era anunciada há meses. “O mais novo (Ranchiel) tinha muitos inimigos e sabíamos que tinha muita gente querendo se vingar dele. Mas os outros era trabalhadores. Nos últimos dias, um carro, por mais de uma vez, disparou para a casa como forma de alerta. Pena que eles não entenderam o aviso e morreram”, destacou o irmão. Ranchiel cumpriu pena sócio-educativa por ter matado uma pessoa em 2010, após ter assaltado um comércio da cidade.
O pai dos jovens assassinados, o agricultor João Batista Pereira, mora há poucos metros da residência onde houve o assassinato. Ele conta que ouviu os tiros e quando chegou na casa, os filhos já estavam mortos. “Se estivéssemos na casa, não estaria aqui para contar a história. Seria um defunto. Eles vieram para matar todo mundo. Não pouparam ninguém”, destacou. Há dois anos, em uma tentativa de assassinato, Ranchiel conseguiu fugir de casa, e seu primo foi morto em seu lugar. O agricultor pede por segurança e teme que os assassinos façam algo contra o restante da família. “Todo mundo sabe quem está fazendo isso e não fazem nada”, afirmou o pai dos três irmãos mortos.
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