Chefe de esquema dos ingressos, Lamine Fofana, ligou 900 vezes para a Fifa

Reportagem do ‘Fantástico’ mostra que Lamine Fofana tentou subornar policiais que investigam quadrilha

Foto> Divulgação
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O franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana, apontado como o chefão de quadrilha internacional acusada de desviar e vender ingressos de jogos da Copa do Mundo, fez mais de 900 ligações para um dos celulares oficiais de uso da Fifa no Brasil nos dois últimos meses e ia pessoalmente ao Copacabana Palace negociar a aquisição dos bilhetes. As informações foram divulgadas agora à noite pelo “Fantástico”, da Rede Globo.

A reportagem exclusiva sobre a operação Jules Rimet — que prendeu 11 integrantes do grupo, que atuava no Rio e em São Paulo — mostrou também que a quadrilha chegou a tentar corromper policiais da 18ª DP (Praça da Bandeira). Com autorização da Justiça, os inspetores da Polícia Civil montaram uma armadilha para flagrar o suborno. O “Fantástico” mostrou um vídeo no qual um integrante do grupo oferece dinheiro e ingressos a um inspetor.

A reportagem mostrou ainda um caderninho onde era registrada a contabilidade de Lamine, apreendido na casa do empresário, num condomínio de luxo na Barra. Com um adesivo do escudo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na capa, o livro mostra, por exemplo, a detalhes da venda clandestina de ingressos para o jogo de abertura da Copa, entre Brasil e Croácia.

A quadrilha negociou 52 ingressos VIP, que dão direito a lugares reservados em camarotes, com direito a serviço de alimentação e bebida. Tudo cotado em dólar. O promotor de Justiça Marcos Kac, da da 9ª Promotoria de Investigação Penal, afirmou na reportagem que existe ligação de “alguém da Fifa” com o esquema:

“Existe alguém dentro da federação internacional envolvido, porque senão ele (Lamine) não conseguiria esse número excessivo de ingresso… Eles movimentavam pelo menos mil por partida”.

Conhecido na seleção

O delegado-titular da 18ª DP , Fábio Barucke, afirma que o esquema poderia render até R$ 200 milhões aos envolvidos, considerando as 64 partidas do torneio, que termina no próximo dia 13. Na entrevista ao “Fantástico”, Barucke destacou que uma pessoa da quadrilha dizia, em ligações interceptadas, ter “fácil acesso à seleção brasileira”.

“Essa pessoa se dizia que seria de conhecimento de um jogador de futebol da seleção. Que iria lá na Granja Comary pegar os ingressos que a seleção teria recebido da Fifa ou da CBF a título de cortesia. Esses ingressos seriam captados para entregar à quadrilha, que fazia a venda ao público”, declarou o delegado.

Num telefonema gravado com autorização da Justiça, Lamine diz a um homem não identificado que ainda tem ingressos para a final.

“Quem tem 50 final (sic) na mão? Ninguém! Entendeu?”

“Ninguém tem”, concorda o interlocutor do empresário.

“Eu tem! Eu tem!”, exclama o franco-argelino.

A reportagem dá informações sobre o site da empresa de Lamine, a Atlanta Sportif International, que organiza amistosos e presta consultoria a clubes e jogadores. O site traz fotos do empresário com artistas de Hollywood e ex-jogadores de futebol, como Gerson, Romário e Pelé.

“O fato de uma pessoa famosa aparecer em fotos e eventos ao lado do argelino não configura qualquer relação com as atividades ilegais de Lamine Fofana”, destacou Barucke.

A CBF não quis comentar o caso porque não é parte da investigação. A assessoria de imprensa da entidade afirmou que não circulam ingressos na Granja Comary, a sede de treinamentos da seleção.

Fonte: O Globo

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