Chuvas acima da média prevista pegam natalenses de surpresa no final de mês

Segundo a Emparn, chuva de hoje ultrapassou o esperado para janeiro

Da madrugada até às 10 horas desta manhã foram registrados 60 milímetros, quando a expectativa para este mês de janeiro era de 40 milímetros. Foto: Wellington Rocha
Da madrugada até às 10 horas desta manhã foram registrados 60 milímetros, quando a expectativa para este mês de janeiro era de 40 milímetros. Foto: Wellington Rocha

Fernanda Souza

fernandasouzajh@gmail.com

 

As chuvas que caíram na madrugada desta quinta-feira (30) e permaneceram intensas até às 10h da manhã de hoje, já foram suficientes para deixar vários pontos da cidade alagados e o trânsito caótico nas principais avenidas de Natal. Um dos maiores engarrafamentos foi o registrado no trecho que compreende desde o viaduto de Ponta Negra e percorre toda a avenida Salgado Filho, sentido zona Sul/Centro.

Já no cruzamento da rua Professor Almeida Barreto com a avenida Salgado Filho, no bairro de Lagoa Nova, ponto crítico de alagamento, motoristas e pedestres tiveram que redobrar a atenção para evitar mais transtornos.

O vendedor Luiz Antônio da Silva, que trabalha numa loja em frente à região alagada, lamentou ter que enfrentar a cada ano, uma situação que chama de corriqueira. “Esse caos aqui não é de hoje, é de muitos anos. Entra governo e sai governo, mas nada muda. No mínimo estão segurando investimentos porque é ano de eleição e Copa do Mundo e vem aí muita propaganda dizendo que a cidade está linda e está tudo certo. Nas duas principais avenidas da cidade, aqui na Salgado Filho e a Prudente de Morais, a situação fica insustentável e olha que são os principais corredores que levam ao Arena das Dunas. O foco devia ser a prevenção. As lagoas de captação, por exemplo, só são limpas depois do inverno. As bocas de lobo ficam entupidas, mas também sabemos que boa parte da culpa é da população, que tem que se conscientizar. Quem paga pelo caos, somos nós. Eu mesmo estou esperando uma funcionária para abrir a loja e com certeza ela está atrasada por causa do trânsito”.

Já a diarista Marisa Joaquim, usuário do transporte público, conta que em época de chuvas, acaba chegando atrasada no trabalho devido à demora dos ônibus. “Choveu, o trânsito se complica e os ônibus demoram muito. Era para eu estar no trabalho desde às 8h e estou atrasada quase uma hora. Pagamos nossos impostos e não há os investimentos que a população merece”.

No bairro de Capim Macio, na zona Sul, que apesar de possuir um dos impostos mais caros da cidade sobre propriedade urbana, o IPTU, apresenta boa parte das ruas sem calçamento, a situação parece estar longe de melhorar. Na rua Neuza Farache, grandes poças de água e lama fazem parte da rotina dos moradores da área. “Quando chove o alagamento destas ruas por aqui é quase imediato e as reclamações são constantes. Se com esta chuva já ficou assim, imagine no período do inverno. Mas isso é apenas um dos muitos problemas da cidade, porque faltam melhorias na educação, saúde e segurança. A gente sai cedo para trabalhar, mas não sabe se vai voltar”, disse o autônomo Roberto Diego.

PREVISÃO

De acordo com o meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Alexandre Santos, a chuva intensa ocorrida nesta madrugada e em parte da manhã, especificamente entre o litoral leste do Estado, foi causada por áreas de instabilidade sobre o Oceano Atlântico, próximo à costa, associada à circulação do vento em baixos níveis da atmosfera e à Zona de Convergência Intertropical sobre o Nordeste, que se desloca para o continente.

“A chuva ocorrida é por causa do calor, o oceano começa a evaporar. Da madrugada até às 10 horas desta manhã foram registrados 60 milímetros, quando a expectativa para este mês de janeiro era de 40 milímetros. Nesta tarde estão previstas chuvas no semiárido, alto oeste, região central e as pancadas de chuvas devem continuar até o próximo domingo, mas em menor intensidade”.

Quanto à previsão para o inverno, o meteorologista explica que de acordo com a última reunião de meteorologistas do Nordeste e de outros especialistas do país realizada durante o Workshop Internacional de Avaliação Climática para o Semiárido Nordestino, em Fortaleza, na semana passada, a expectativa é de que as chuvas são iguais ou menores do que o índice previsto para este ano.

“Há a possibilidade de que entre os meses de fevereiro e maio, quando tradicionalmente a variação para o período é entre 400 e 800 milímetros, as chuvas fiquem abaixo ou próxima a esta margem. O ano passado ficou bem abaixo do índice esperado, mas há os fenômenos atípicos, que podem acontecer e mudar o quadro. Em 2004, por exemplo, tivemos chuvas fortes. Mas acredito que as chuvas previstas não vão conseguir suprir a capacidade dos açudes. Na barragem Armando Ribeiro Gonçalves, o nível está muito baixo”, disse Alexandre.

Compartilhar:
    Publicidade