Chuvas causaram novo rompimento de tubulação no bairro de Mãe Luíza

Galeria pluvial não suportou excesso de água, o que facilitou novo deslizamento de terra na área afetada

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Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

Os moradores de Mãe Luíza e Areia Preta foram surpreendidos por um novo deslizamento de terra ocorrido após as chuvas que caíram durante toda esta última segunda-feira (28) na Região Metropolitana de Natal. Apesar do susto, nenhum imóvel foi afetado, mas a Avenida Sílvio Pedroza teve que ser interditada novamente por causa da terra que invadiu as faixas da via. O tráfego foi liberado para veículos no final da manhã de hoje (29).

Segundo o diretor do Departamento de Defesa Civil, Eugênio Soares, a galeria pluvial de Mãe Luíza não suportou o excesso de águas das chuvas e um dos canos estourou por baixo da terra, fazendo com que ocorresse o deslizamento no mesmo ponto onde está situada a cratera. Com isso, os detritos desceram a encosta e pararam somente no leito da avenida, que voltou a ficar coberta de terra e areia.

“A água deveria passar por cima da lona, mas como o cano não aguentou a pressão e estourou, ela desceu levando mais terra para a avenida. Felizmente, ninguém ficou ferido e não houve danos para os imóveis próximos ao trecho. Agora pela manhã, pudemos fazer uma nova avaliação do terreno e não há, por enquanto, riscos de novos deslizamentos. Estamos cobrindo novamente a encosta, para evitar mais prejuízos e sustos, mas o terreno está totalmente estável”, afirmou Eugênio.

Enquanto os operários ajeitavam a galeria pluvial e recolocavam as lonas que se rasgaram durante o deslizamento ontem à noite, outros trabalhavam na retirada da terra que cobriu a avenida. Uma retroescavadeira foi usada para o serviço, já que a quantidade de areia deslocada atingiu mais de 50 centímetros de altura. O serviço durou parte da manhã e logo depois, o trânsito foi liberado em uma das faixas, no sentido Via Costeira-Sílvio Pedroza.

O diretor de Trânsito da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), Sebastião Saraiva, disse que enquanto a via estava interditada, o tráfego de veículos entre a Via Costeira e a zona Leste de Natal foi feito através da Avenida João XXII, por dentro de Mãe Luíza. No entanto, por volta das 8h, um ônibus quebrou no local, dificultando a vida dos motoristas. “Conseguimos resolver a situação po volta das 10h”, falou.

Moradores recebem auxílio-moradia

Desde sábado passado (26), as primeiras famílias que tiveram suas casas interditadas ou destruídas pelo deslizamento de terra do último dia 13 de junho começaram a receber o auxílio-moradia pago pela Prefeitura Municipal de Natal. Segundo o secretário de Habitação e Projetos Estruturantes (Seharpe), Homero Grec, cada uma das 125 famílias atingidas irá receber R$ 1.448,00, o correspondente a duas parcelas do benefício.

O funcionário público João Evangelista, que teve a casa interditada desde junho passado, entregou a documentação exigida na última quinta-feira (24) e recebeu a informação de que deve receber o auxílio até o final desta semana. Ele disse que já está procurando imóveis para alugar no próprio bairro, já que trabalha em uma escola pública da região e não quer ficar muito longe da mãe, que mora na Rua Guanabara.

“Minha casa, na Rua Atalaia, foi interditada no dia 14 de junho e saí de lá direto para uma casa no Jardim Lola, em São Gonçalo do Amarante, mas era muito longe do meu trabalho e fiquei na residência da minha mãe, porque trabalho aqui em Mãe Luíza e estava me prejudicando por causa da distância. Já estou quase conseguindo alugar uma casa para mim, pertinho do meu trabalho, graças a Deus, falta só receber o dinheiro”, afirmou.

Canal do Baldo cheio de problemas

Outro ponto bastante afetado pelas chuvas de ontem é o Canal do Baldo, entre os bairros do Tirol e Barro Vermelho, que está com as obras de reconstrução de uma parte da encosta paralisadas há cerca de um mês, de acordo com os moradores próximos à área. Entre os problemas encontrados no local, estão dois pontos de rachaduras nas calçadas, as placas de concreto do canal deslocadas e uma árvore que está com as raízes quase totalmente expostas, com ameaça de queda.

Para a moradora Estela Barcelos, que reside em um condomínio à frente do canal, a situação ficou ainda pior após as fortes chuvas que estão atingindo a cidade desde o mês passado. Ela disse que nos dias chuvosos evita passar pela Avenida Juvenal Lamartine, por medo de que ocorra um deslizamento de terra e o veículo caia no córrego.

“Se eles tivessem concluído essa obra, que está parada há mais de um mês, isso não estaria dessa forma. Eu tenho medo de passar pela calçada e pelas ruas ao lado do canal nos dias de chuva, de que aconteça uma coisa igual ao que ocorreu em Mãe Luíza. Não sei como não aconteceu nada neste sentido ainda, porque a chuva de ontem já levou parte da terra das laterais da encosta”, disse.

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