Chuvas no interior do RN dão o alívio esperado pelo homem do campo

Fetraf pede mais apoio do Governo para os trabalhadores da agricultura familiar

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Depois de praticamente dois anos seguidos de seca, o homem do campo tem motivos, seja por razões religiosas ou científicas, para acreditar que 2014 será diferente. A previsão meteorológica para a estação chuvosa desse ano aponta para chuvas dentro da normalidade, o que tem se confirmado. Além disso, a chuva que caiu hoje (19), dia de São José, em diversos municípios do interior do Rio Grande do Norte alimenta a fé do sertanejo em um ano mais molhado e mais verde.

Segundo o assessor técnico da Federação dos Trabalhadores em Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte (Fetraf-RN), Hildemar Peixoto, mesmo com o indicativo de boas chuvas, de nada adiantará se as ações governamentais permaneceram deficientes. “Os municípios e governos tem dificuldades, muitas vezes, de dar a contrapartida de programas federais e manter uma boa assistência técnica”, avaliou.

Um exemplo dessas deficiências é o programa Compra Direta do Governo Federal, que é operacionalizado pelo Governo do Estado e, segundo Peixoto, atrasou pagamentos no ano passado. “O recurso foi liberado com muito atraso, depois de muita pressão e teve pouco tempo para a execução, o que resultou num gasto de qualidade ruim”, explicou. Nessa iniciativa de estímulo ao pequeno produtor, o governo compra alimentos para distribuição ou estoque.

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Ainda de acordo com o assessor técnico da Fetraf, os produtores que dependem do Compra Direta estão inseguros com a execução do programa este ano. Em São Miguel do Gostoso, a produção de hortifrutigranjeiros de agricultores familiares era majoritariamente absorvida pelo Compra Direta. “Tem família que chegou a receber R$ 4 mil mês no ano passado, mas agora estamos com essa insegurança”, expôs.

Peixoto destaca também a ausência do governo no que diz respeito à distribuição de sementes. “As chuvas já começaram há algum tempo e, pelo menos, em São Miguel, o governo do Estado não distribui nada”, acentuou.

 

CRENÇA

Segundo o meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bristot, não há nada que comprove cientificamente a crença do sertanejo no dia de São José como indicativo para um bom ano de chuvas. No entanto, há uma coincidência. “É porque o dia de São José está próximo da mudança de estação que nesse caso, acontece amanhã, dia 20″. Nesse período a atmosfera fica mais sensível às precipitações.

Hildemar Peixoto, que também é secretário de Agricultura de São Miguel do Gostoso, alimenta esperanças para além das ações governamentais. “Tem que ter fé. Tá chovendo aqui (São Miguel do Gostoso) hoje e o céu promete mais. É claro que é sabedoria popular, mas muitas vezes coincide com a meteorologia”.

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte (Emater-RN) registrou nesta quarta-feira (19) chuvas em diversos municípios. Eis alguns índices pluviométricos de municípios pólos de diferentes regiões do Estado: Acari (açude Gargalheiras), 1,4 mm; Mossoró (posto da Prefeitura) 11,5 mm; Pau dos Ferros (posto particular), 24 mm; Assu (posto da Emater), 4 mm; Caicó (posto de açude Itans), 55,2 mm.

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