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Ciência e arte

Data: 29 janeiro 2013 - Hora: 18:06 - Por: Vicente Serejo

A política é assim, Senhor Redator. Dias há que de tão exata parece uma ciência. Noutros, de tão imprevisível, vira arte. Pensando bem, é melhor. Se fosse só um saber científico seria ensinável e morreria de tédio. Se apenas uma arte, cairia na mão de aventureiros. Nem por isso, ficou livre de falsos mestres e ardilosos prestidigitadores. Mas, pelo menos ainda exige um tanto de talento. É o que basta para não ser tão sem graça como um operoso executivo desses que atendem por senhor diretor.

Ao longo de quarenta e três anos, desde a Rádio Rural, o jornalismo tem sido um exercício diário de percepções que não acabam nunca. Sem glória, mas rico de descobertas humanas, afinal entrevistar é uma forma conhecer pessoas. De tentar conhecer o universo do entrevistado e se deixar conhecer por cada um deles. Mais ou menos o que Edgar Morin chamou dialógico, o nascido de um diálogo, mesmo que na entrevista quase sempre haja a prevalência, digamos, socrática da indagação.

Ora, se a pergunta move o diálogo e este a busca da descoberta, desde a maiêutica, ninguém constrói uma história, principalmente vazada na força testemunhal do visto ou vivido, sem antes ser capaz de erguer e ordenar um bom repertório de dados. Se rico, dele nascerá uma história rica. Se pobre, outra pobre. Daí a riqueza de poucas entrevistas e a pobreza de tantas. O mérito e a culpa estão no repórter. Ou seja: em quem pergunta. A ele cabe – nunca ao entrevistado – o ofício da descoberta.

Isto posto registre-se, ainda, que declarar é também uma arte, afinal a retórica aristotélica é tão nobre quanto a maiêutica. E, quase nunca, é culpa do repórter a reação muitas vezes estapafúrdia do político. O absurdo costuma só ser percebido por inteiro e em toda sua intensidade quando posto na manchete de um jornal, dita ou reproduzida de viva voz na televisão. O erro e o acerto de uma declaração são revelados pelo jornalismo com a mesma intensidade. Se feita, não há como refazê-la.

A política estudantil e o jornalismo foram as grandes escolas formadoras da vocação política e do espírito público. Até a segunda metade dos anos sessenta. De lá para cá, foram substituídas pelo marketing. A repressão militar, temendo uma formação de líderes, desmobilizou as universidades e ocupou cargos com chefes biônicos e sem votos. Além de uma ocupação brutal e vertical do campo político, onde fez nascer novos ricos e não uma verdadeira elite econômica com líderes de verdade.

Resultado: a política no Brasil perdeu a modernidade que teve no passado, fruto da sintonia com as novas idéias que nasciam no mundo civilizado. Conquistou independência, libertou escravos, promoveu a abertura dos portos, proclamou a república, fez revoluções sociais, instituiu o trabalho e o voto secreto, defendeu sua riqueza para seu povo e com a força das raízes foi às ruas reconquistar a liberdade presa das baionetas. Hoje, vive a maior crise liderança dos seus quinhentos anos de história.

 

PERGUNTA – I
O governo, no seu mandonismo, ao invés de contestar a legalidade dos planos de cargos e salários na Justiça resolveu não acatar a sentença. Com quem o governo aprendeu que sentença não se cumpre?

PIOR – II
Em momento nenhum da sentença o desembargador Virgílio Macedo Filho acusa os secretários de qualquer tipo de suspeição. O governo é que ao invés de preservá-los jogou a sentença numa gaveta.

AVISO – III
Na edição de ontem esta coluna, fechada e remetida antes das 9 horas da manhã, antes da divulgação da sentença, avisou que a relações com o Judiciário estavam tensionadas O governo não acreditou.

DÚVIDA – IV
Quem, afinal, por autoritarismo ou incúria, anda disposto a levar a governadora Rosalba Ciarlini a ser personagem de um noticiário de agruras e vexames e o governo a desafiar a lei diante da sociedade?

SIRI
Hélio Rocha já expôs o siri na varanda de sua casa, na Redinha. É sinal de que a banda que completa 25 anos vai alegrar as ruas da vila, embora sofrendo com corte de músicos e só dois dias de desfile.

SUVACO
É assim, com u e não com o, o bloco ‘Suvaco do Careca’ que desfila em Ponta Negra no domingo de carnaval às três da tarde. Sai ali do Mercado de Ponta Negra e vai até a calçada do Praia Shopping.

BAILE
Este ano o baile carnavalesco do Mercado de Petrópolis será uma homenagem, a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. A Prefeitura promete limpar o mercado, banheiros e seu estacionamento, nos fundos.

MORROS
Por entre as floradas amarelas e roxas de ipês e craibeiras, explodem, aqui e ali, diluídos nos verdes dos morros agora tristes com o calor do verão, os lilases mágicos das suas velhas sucupiras em flor.

JOEL – I
Além do documentário programado para sábado, na Globo  News, Joel Silveira será personagem de “Garrafas ao Mar – a víbora manda lembranças’, a partir de roteiro inédito de Geneton Moraes Neto.

MELHOR – II
Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, edição de domingo, Ruy Castro afirma que Joel Silveira foi além de Gay Talese com a reportagem sobre o casamento de Filly, a filha do Conde Matarazzo.

LUTA
Onze escritores já fizeram suas inscrições como candidatos à vaga do poeta Lêdo Ivo na Academia Brasileira de Letras. Entre eles, dois grandes poetas: Antônio Cícero e Marcus Accioly. É uma luta.

TALVEZ
A Global continua as reedições das obras completas de Gilberto Freyre e agora manda às livrarias o ‘Quase Poesia’. Experiência do sociólogo de Apipucos que começou com um poema sobre a Bahia.

ANTOLOGIA
Também pela Global As Melhores Frases de Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, seleção e organização de Fátima Quintas. É uma segunda edição. A primeira é de 2005 pela editora Atlântica.

POESIA
De Wislawa Szymborska, a poetisa da Cracóvia que morreu há um ano: ‘Gosto dos mapas porque mentem. / Porque não dão acesso à dura verdade. / Porque, generosos e bem humorados, / estendem-me na mesa um mundo / que não é deste mundo’.

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