Cientista da UFRN acredita que derrota em Mossoró é preocupante para Henrique

Professor da UFRN analisa resultado da eleição e suas consequências

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Alex Viana

Repórter de Política

A derrota da candidata Larissa Rosado (PSB) na eleição suplementar em Mossoró pode ter selado, de maneira negativa, o destino político do atual presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB). Pré-candidato do PMDB a governador do Rio Grande do Norte, Henrique não conseguiu que sua candidata vencesse o pleito suplementar mossoroense, mesmo contando, durante a campanha, com os apoios dos ex-governadores Wilma de Faria (PSB) e Garibaldi Filho (PMDB), em quem Henrique confia para vencer o pleito de outubro.

Francisco José Júnior (PSD), apoiado pelo vice-governador Robinson Faria (PSD) e pela deputada federal Fátima Bezerra (PT), surgiu como o “novo” na política mossoroense, destronando a oligarquia Rosado. Além de derrotar Larissa, o prefeito também venceria Claudia Regina (DEM), candidata apoiada pela governadora Rosalba Ciarlini Rosado (DEM).

“Concordaria com o professor Antonio Spinelli, dizendo que a derrota de Larissa pode ser um prenúncio extremamente preocupante para a viabilidade eleitoral da candidatura de Henrique”, afirmou o cientista político João Emanuel Evangelista, professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN, durante entrevista hoje ao Jornal da Cidade (FM 94).

Evangelista é o segundo cientista a confirmar o prognóstico nada animador para Henrique. No último sábado, outro cientista político, Antonio Spinelli, afirmou, em entrevista ao Jornal de Hoje, que a derrota de Larissa não seria um bom prenúncio para Henrique, nas urnas, em outubro que vem.

FATO NOVO

Na visão de Evangelista, a vitória de Francisco José Júnior é “um fato novo”, vez que se trata de “um político jovem, que ficou muito pouco tempo à frente da Prefeitura e conseguiu um feito eleitoral surpreendente no sentido de criar muito material para se pensar o futuro imediato do Rio Grande do Norte”, afirmou, acrescentando que o “sinal amarelo” na campanha de Henrique está aceso. “Mossoró é o segundo maior colégio eleitoral. Se eu estivesse com algum contato, algum canal de comunicação com o comando da campanha de Henrique, eu diria que é um sinal amarelo que realmente preocupa extremamente a condução a campanha. Até porque o deputado Henrique tem um histórico de insucesso em eleição majoritária, a despeito de ser um deputado federal muito bem votado ao longo de quase 40 anos”, avalia.

Henrique tentou duas vezes ser prefeito de Natal. Em 1988 foi derrotado por Wilma de Faria, com quem conta para se eleger governador este ano, e, em 1992, perdeu para Aldo Tinoco. Em 2002, o herdeiro do líder consagrado Aluizio Alves assumiu a Secretaria de Governo (SEGOV), durante o governo Garibaldi Filho (PMDB). O objetivo era tentar se viabilizar como sucessor do primo.

Mas um escândalo nacional o tirou desta candidatura e da candidatura de vice-presidente da República na chapa com José Serra (PSDB) – na época, uma ação litigiosa de autoria da ex-mulher do parlamentar, Mônica Azambuja, vazada à revista Isto É, apontou que o potiguar alimentava contas milionárias em paraísos fiscais. Henrique terminou optando pela reeleição.

Repúdio ao acordão foi tônica da eleição em Mossoró

O repúdio ao acordão, na visão do especialista político, parece ter sido uma das tônicas da derrota de Henrique em Mossoró, segundo maior colégio eleitoral do Estado. “Henrique, na verdade, tentou viabilizar uma eleição em que ele fosse o candidato único. Então, a ideia de candidato único, a ideia de chapão, é uma coisa sempre muito antipática em relação à população”, afirmou Evangelista.

Na avaliação do professor da UFRN, nos últimos dias Mossoró se tornou o “palco principal” da disputa política do Estado. “Todas as lideranças políticas estavam lá durante a semana inteira. Você teve as principais lideranças políticas do Estado envolvidas na campanha de Larissa. Você teve a presença da ex-governadora Wilma, do ex-governador Garibaldi, do candidato a governador Henrique. E você teve uma derrota acachapante, porque o resultado realmente é muito expressivo do ponto de vista da derrota dessas forças políticas”, justificou.

Para o professor, o Rio Grande do Norte sempre teve dois lados. A tentativa de executar palanque único, como teria sido a intenção de Henrique ao organizar o chapão, foi “uma coisa inimaginável”. “O acordo é uma coisa também inimaginável do ponto de vista da política do Estado, que sempre teve dois lados que disputavam e se digladiavam”.

“Vitória pode significar consolidação de Robinson em Mossoró e em Natal”

João Emanuel Evangelista considera, ainda, que a vitória de Francisco José Junior “pode significar a consolidação de Robinson em Mossoró e em Natal, que são os dois maiores colégios eleitorais do Estado”. A deputada federal Fátima Bezerra, pré-candidata do PT ao Senado, também seria beneficiada. O PT indicou o vice de Silveira, Luis Carlos (PT). Para o professor, a vitória da aliança PSD/PT “pode potencializar muito o ânimo dos simpatizantes de Robinson e Fátima”. “Eu diria que você tem um quadro que coloca, em primeiro lugar, uma perspectiva nova para a candidatura de Robinson, que ainda tem muitas dificuldades de se tornar uma liderança estadual. Ele é uma liderança que tem um peso eleitoral em algumas cidades, mas essa derrota de Larissa pode significar uma consolidação de Robinson em Mossoró e em Natal, que são os dois maiores colégios eleitorais do Estado”, analisa o cientista político. Para ele, a vitória de Silveira “dá um ânimo muito grande à candidatura de Robinson e à candidatura de Fátima”. A aliança, vitoriosa, segundo a percepção do professor, “pode potencializar muito o ânimo dos simpatizantes dessas candidaturas”.

Evangelista afirma, ainda, que, embora a candidatura de Henrique seja “mais rica”, a vitória de Robinson em Mossoró equilibra o pleito, em vista de o voto ser do povo. “Eu diria que antes da eleição de Mossoró você podia prever um quadro eleitoral de alta competitividade para o Senado, entre Wilma e Fátima Bezerra. E não para o governo, com a candidatura de Henrique mais forte que a de Robinson. A eleição para o Senado iria ser uma eleição eletrizante e mesmo que a candidatura ou a coligação de Henrique seja potencialmente mais rica, com capacidade de captar mais recursos, e isso é um elemento importante em uma campanha eleitoral, o eleitor não é controlado totalmente. Eu diria que você tem um quadro que coloca, em primeiro lugar, uma perspectiva nova para a candidatura de Robinson”.

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