Cinco são presos por terem participado da execução dos estrangeiros em Jenipabu

Através de mandado judicial de busca e apreensão, a polícia deflagrou hoje a “Operação Luxúria” que culminou com as prisões

Operação denominada de “Luxúria”, que resultou na prisão dos principais suspeitos de participação na morte de dois estrangeiros numa casa de praia em Jenipabu. Foto:Diovulgação
Operação denominada de “Luxúria”, que resultou na prisão dos principais suspeitos de participação na morte de dois estrangeiros numa casa de praia em Jenipabu. Foto:Diovulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diego Hervani

Repórter

A Polícia Civil, através da Delegacia Especializada em Atendimento ao Turismo (Deatur), Delegacia Especial de Furtos e Roubos (Defur), Delegacia Especializada em Homicídios (Dehom) e o Departamento de Investigação do Narcotráfico (Denarc), prenderam, na manhã desta segunda-feira (17), cinco suspeitos de terem participado da morte do croata Ante Stanic, de 57 anos, e o sueco Faik Nekic, de 78 anos, cujos corpos foram encontrados no último dia 8 (sábado), em uma casa na praia de Jenipabu, na Grande Natal.

Através de mandado judicial de busca e apreensão, a polícia deflagrou hoje a “Operação Luxúria” que culminou com as prisões de Fernando Luiz do Nascimento (31 anos), Fábio Henrique da Silveira (21 anos), Renato de Souza Celino, Brenda Geovanna Fernandes (18 anos) e Ariane Souza (18 anos). De acordo com o delgado da Deatur, Daniel Couto, o motivo do crime foi uma informação equivocada que Ariane teria passado para os comparsas de que os estrangeiros teriam cerca de R$ 100 mil na casa.

“Segundo informações que temos, o Ante, que era o dono da casa, tinha várias namoradas aqui em Natal, já que ele sempre vinha para cá quando o clima no país dele estava frio. Uma dessas namoradas era a Ariane. Ele informou para essas quatro pessoas que ouviu o Ante dizer que teria esses R$ 100 mil em casa. Porém, pelas informações que temos até agora, esse dinheiro não existe. Ela provavelmente escutou errado, já que o Ante, apesar de falar bem português, não falava fluentemente”, explicou.

Segundo o delegado, os cinco entraram pelo condomínio a pé e pela entrada principal, já que o local não tinha segurança. Chegando lá, como não encontraram o dinheiro, eles torturaram e mataram o dois. “Dos cinco que prendemos, quatro já confessaram o crime. Eles entraram lá procurando esse dinheiro. Como não estavam conseguindo encontrar, eles passaram a torturar os dois para que eles revelassem onde o dinheiro estava. Como isso não aconteceu, eles mataram os dois por asfixia”, frisou Daniel Couto, que ainda confirmou que de acordo com os depoimentos prestados, o autor intelectual e acional do crime foi Fernando Luiz.

“O Fernando teria sido o responsável por asfixiar as vítimas com uma toalha. Além da questão do roubo e das mortes, também se qualifica o crime de extorsão”. Em depoimento logo após a prisão, Fernando Luiz, que confessou que participou dos assassinatos, negou que tenha sido o autor da asfixia e explicou como ação foi feita. “Nós entramos na casa por uma janela que estava aberta. Aí encontramos um dos homens acordado. Conseguimos rendê-lo e então pegamos o outro. Eu não sei falar o que aconteceu com ele lá em cima, pois eu estava no andar debaixo tentando encontrar esse cofre, mas não achei. Eu fiquei com alguns objetos, como o aparelho de som. Depois nós fugimos e cada um foi para sua casa”.

Daniel Couto ainda informou que os suspeitos chegaram na casa das vítimas por volta das 00h30 e saído às 3h da madrugada de sexta para sábado. Na casa de alguns dos presos foram encontradas a chave do veículo tomado de assalto, além de alguns objetos roubados da residência como camisetas de times da Europa.

Dos cinco, dois tinham passagem pela polícia. Renato por receptação e Fábio por porte ilegal de armas. Até o início da tarde desta segunda (17), uma sexta pessoa suspeita de ter participado da ação estava prestando depoimento.

O caso

Dois dias depois dos assassinatos, o delegado Everaldo Lemos, que no dia do crime esteve no imóvel onde os corpos foram encontrados (a casa pertencia ao croata Ante Stanic), declarou ao Jornal de Hoje que a principal suspeita era que os dois tinham sido vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte), pois foram levados um Pálio prata de uma locadora de veículos, uma televisão, uma bomba d’água, entre outros pertences.

Pela maneira como foram encontrados e pelo porte físico da dupla assassinada, Everaldo já acreditava que um grupo de pelo menos quatro pessoas foi responsável pelas mortes. “O mais provável é que realmente tenha sido um grupo grande, com pessoas mais fortes, pois caso contrário não teria sido possível fazer tudo o que foi feito com as vítimas. Quando chegamos no local encontramos muitos sinais de violência. Os dois estavam apenas de calção de banho, com as mãos amarradas para trás com muita força, sacos plásticos na cabeça e também amordaçados. Além disso, eles tinham vários ferimentos na cabeça. Os dois estavam sangrando pelo boca, nariz e orelhas. Foi uma violência muito grande”, afirmou Everaldo.

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