Cintilante pantera
Enquanto restar o craque, a vitória é prerrogativa dele. Sou talvez anomalia. O passado é minha teimosia. A beleza plástica de um clássico cheio de estilistas. A derrota do Vasco para o Botafogo me causou uma indiferença assombrosa. É a irmandade do tempo e da convicção: Time ruim deve perder sempre e seria o triunfo do bagrismo crônico a derrota de Seedorf na decisão da Taça Guanabara.
A cintilante pantera foi solitário brilho na conquista do time que tem uma estrela cravada no coração de sua camisa. É um prazer assistir, aos 36 anos, a força da inteligência comandando o corpo, de Seedorf bailando como os velhos brasileiros de linhagem morta desenhando com os pés, jogadas de extinta magia.
Foram uns 18 pernas de pau e Seedorf na passarela do Engenhão. Seedorf joga sorrindo e quem tem a capacidade de descontrair na ginga, no drible e na viagem dos seus cruzamentos curvilíneos, só pode mesmo vencer no final.
O futebol é um jogo de origem nobre, de pureza em seus movimentos, de superioridade da coragem em detrimento à covardia. O brasileiro é obrigado a engolir com os olhos um jogo feito, pesado, de safanões e caneladas, sem o ritmo compassado dos passes construindo o orgasmo do gol.
O Botafogo quis jogar futebol pela condução vocacionada de seu astro negro da camisa 10. Seedorf, sozinho, conseguiu superar a mediocridade espalhada pelos seus companheiros e ululante no terrível time do Vasco da Gama, que nem consegue me fazer sofrer, de tão previsível o seu fracasso por indigência de conteúdo.
Seedorf chegou ao estágio que qualquer ser humano sonha. De fazer o que quer por divertimento. E o futebol, por lógica, é molecagem, é caneta, bola no meio das pernas do adversário imóvel e inerte.
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Futebol é o toque de calcanhar como o aplicado do imprevisível por Seedorf no lance capital que original a falta. Ele achou Bolívar. Bolívar foi contagiado pela presença do gênio e rolou para a bola colocada com rara perícia pelo lateral-direito Lucas.
Um boleiro mascarado de brinquinho, cabelo moicano e baladeiro(farrista) no Brasil estaria esnobando antipatia e mau gosto visual contasse, por sorte, com o currículo construído pela competência sanguínea do homem de peito estufado, equilíbrio perfeito entre a calma para presidir uma partida e estimular os companheiros.
Imagine um Neymar, um Vágner Love, um Adriano Imperador da decadência com 33 títulos ganhos. Nenhum Torneio Início de Campeonato Estadual de antigamente. Aliás, adorava Torneio Início por minha idade existencial pertencer aos anos 1970 e 1980.
Seedorf, nada demais para alguém sem medo nem soberba para desafios, contava 33 títulos antes de acabar com o jogo no Engenhão. Seedorf, pelo Ajax, Real Madrid e Milan, foi campeão da Champions League quatro vezes consecutivas, ganhou Mundial Interclubes, Liga Espanhola, Copa do Mundo de Clubes, Supercopa da Espanha, só para registrar o essencial.
Entrou para decidir um turno, credencial para a final do Campeonato Estadual como se estivesse jogando uma Copa do Mundo. Ao seu jeito, sereno e pleno de classe, maravilhou de orgulho cada botafoguense, que pode berrar em discurso no porre homérico: “Nós temos o melhor jogador do Brasil, nós temos Seedorf, que entra para ficar na sala de estar onde pontificam Didi e Gerson, os maiores armadores da história nacional”.
Seedorf, o holandês recrutado no Suriname, como um colonizado, mostrou ao mundo que é na verdade um cidadão de sangue azul. É o diferente que já foi corriqueiro em gramados do nosso país infestado por obtusos comandados por retranqueiros.
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É a franqueza pedindo passagem para se juntar ao tempo e à convicção para determinar, em certeza sumária. Com que gosto o vascaíno tomaria a cerveja gelada do título festejando um bando treinado por uma acinte chamada Gaúcho?
Gaúcho tanto ou mais incompetente berrando à beira do campo quando tentava, insistentemente, fazer gols contra evitados por Mazarópi e Leão. Foi o vice(mais um) sem argumentos.
Abuda, Pedro Ken, Renato Silva, Felipe Bastos, Wendel e Thiago Feltri. É a base da farândola do Vasco. Pela ordem, Abuda na posição de Danilo Alvim, Zé Mário e Luisinho. Pedro Ken, um robô em carne e osso, na de Ipujocã, Geovani e Juninho Pernambucano.
Pode ser masoquismo. Renato Silva sucede a Orlando, Mauro Galvão e Daniel González. Felipe Bastos e Wendel mancham o manto de Jair Rosa Pinto, Maneca e Zanata. Thialgo Feltri é genérico de Jorge, Coronel, Marco Antônio, Pedrinho e Mazinho.
Seedorf cintila, de pantera enfaixada, segurando a Taça Guanabara, seu primeiro título no Brasil. Sua consagração soberana é a resistência teimosa e estoica da arte, aquela prerrogativa transformada em supérfluo pelos idiotas atuais.
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Lopes
Fez defesas impossíveis no empate do ABC contra o Baraúnas. O time parecia anestesiado, constrangido pelos problemas internos que estouraram na sexta-feira dramática da semana que se foi.
Defesas
As defesas de Lopes ajudaram o ABC a evitar o avanço da crise financeira que assola o clube e vinha sendo mantida em segredo forçado. As mãos de Lopes pareciam clamar por socorro, desabafando com a força do seu talento e do seu trabalho.
Dinheiro
Dinheiro é o melhor técnico para o ABC. E dinheiro é difícil. A diretoria continua insistindo na desqualificação de quem a irrita e tangencia com indiretas sobre casos nebulosos sobre as finanças do clube. Dá indiretas, mas não abre o jogo para a torcida.
A volta
O resultado valeu pela volta de Roberto Fernandes. A vitória por 2×1 demonstra o quanto foi complicado o jogo contra o Santa Cruz. O América pode se ajeitar na presença de Netinho no meio-campo.
Dona Sali
Solidário à vice-prefeita e ex-governadora Wilma de Faria, a Carlos, Newton e Nelson, a Ruy, a Fátima, seus filhos, aos seus netos. A morte de Dona Sali representa a partida de uma mulher que sabia ser firme sem perder a ternura.
O povo paga
A presidente Dilma age contra o povo de Pernambuco ao segurar dinheiro de projetos ao Estado, após o lançamento da candidatura do governador Eduardo Campos à Presidência da República . É um centralismo nada democrático e uma ação que mancha a biografia de Dilma.


