Cirurgiões vasculares do WG se demitem e escala terá apenas dois médicos na Copa

São vários os relatos de falta de estrutura, pressão psicológica, assédio moral e descaso que os médicos sofrem da direção do hospital e da Sesap

Foto: Divulgação
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Em um período de aproximadamente um mês, cinco cirurgiões vasculares pediram demissão do maior hospital de urgência do Rio Grande do Norte, o Walfredo Gurgel. O último pedido de exoneração foi entregue a Secretaria de Saúde do estado (sesap) no dia 15 de maio.

São vários os relatos de falta de estrutura, pressão psicológica, assédio moral e descaso que os médicos sofrem da direção do hospital e da Sesap. Estes são os motivos apontados pelos profissionais para abandonarem o trabalho no Walfredo Gurgel, ficando apenas dois médicos no plantão a partir do dia 1º de junho.

De acordo com o médico José Linhares, apesar dos médicos já terem formalizado os pedidos de demissão e não existir obrigação estatutária para que eles permaneçam trabalhando na unidade, os cirurgiões permanecem realizando os plantões da escala de maio normalmente, “por um compromisso ético e moral com nossa atividade”, declara Linhares.

O grande problema será a escala de junho, pois até agora não foi apontada uma solução para o caso. Não se sabe ainda se serão contratados novos médicos, quantos e qual o tipo de contrato.

Falta de estrutura

Os médicos relatam que as cirurgias são feitas muitas vezes no “improviso”, pois não têm salas para as cirurgias vasculares. Existe no hospital uma alta incidência de morte dos pacientes com aneurisma no pós-operatório, por falta de um repouso adequado.

Outro problema da unidade é a inexistência da escala de enfermaria, obrigando assim o médico a trabalhar várias horas a mais que seu período de plantão para atender o paciente da enfermaria.

“Os médicos lá trabalham em condições de guerra e em regime de escravidão”, desabafa José Linhares.

Trecho da carata do médico Gutemberg do Amaral Gurgel após o pedido de exoneração, no dia 16 de abril:

“Caros colegas: ontem pela manha protocolei minha exoneração de médico do estado. Foram 23 anos dedicados a causa da vascular do estado. Para quem não sabe, montei o serviço da vascular do hospital Walfredo Gurgel no final de 1992, com 28 anos . [...].Sinto que cumpri meu papel de médico. No momento não temos mais apoio de nada dos gestores. Cobranças descabidas e falta de tudo. Não vou enumerar, pois todos sabem. Agradeço de coração a todos que nos apoiaram nestes 23 anos. Peço desculpa a Deus pelas minhas falhas, pois poderia ter feito muito mais. No momento me sinto descartável, coagido e pressionado a exercer uma medicina que faz de conta.”

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