Clássico das Recordações

O maior clássico brasileiro em apelo popular atendia por Vasco x Flamengo. O Fla x Flu reluzia pela sonoridade atraente…

O maior clássico brasileiro em apelo popular atendia por Vasco x Flamengo. O Fla x Flu reluzia pela sonoridade atraente e o decreto de superioridade estabelecido pelo mito tricolor Nelson Rodrigues. Vasco x Flamengo sempre foi mais emocionante, instigante e arrebatador.

O Clássico dos Milhões, jargão radiofônico dos tempos de Waldir Amaral narrando e João Saldanha nos comentários pela Rádio Globo, apaixonava o país inteiro. Hoje, há uma campanha bairrista exigindo que o cidadão seja destituído do seu direito individual de torcer por um time do Rio Grande do Norte e outro do Rio de Janeiro.

O país está contaminado por autoritarismo e petulância. Ninguém pode intervir na preferência do outro. Se você acha a barba do cantor Benito Di Paula mais formosa do que o rosto do Brad Pitt, é direito seu. E ninguém tasca.

Torço e torcerei por ABC e Vasco e respeito quem prefere América e Flamengo. Somos frutos do costume dos nossos pais, velhos ouvintes dos jogos de Maracanã lotado pelo rádio.

Domingo tem Vasco x Flamengo. A cortina de motivação e expectativa é Olaria x São Cristóvão na Rua Bariri, tão intenso é o processo de deterioração dos dois clubes. Nenhum tem ídolo e sem ídolo, clássico vira pelada.

ABC x América é referência de minha história. Mas os duelos contra o Flamengo me trazem emoções paradoxais. De glória e fracasso. De alegria e fuga de gozações ferinas, típicas dos flamenguistas fanáticos.

Ouvia o meu pai falar do Vasco de 1956 e do seu grane ídolo, o meia Walter Marciano, herói do título impedindo o tetracampeonato do Flamengo. Walter Marciano, segundo meu velho, jogava como a elegância de um crooner de boate e o instinto fatal de um Roy Rogers, herói de faroeste, na hora de matar o adversário fazendo gol.

O poeta François Silvestre, amigo de Rubão, gosta mais do time de 1958, também inesquecível para o comparsa de luta política e porres revolucionários. Foi o esquadrão do supersupercampeonato com Miguel de Lima (nascido em Macaíba); Paulinho e Bellini; Écio, Orlando e Coronel, Sabará, Almir, Valdemar, Roberto Pinto e Pinga.

Alegrias pessoais começaram em 1977, quando Tita perdeu o pênalti defendido por Mazarópi e Roberto Dinamite converteu o dele, fazendo 5×4 e garantindo um título depois de sete anos.. Maracanã com 152 mil pagantes. Hoje, acham o máximo público de 30 mil.

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Sofri castigo grande a partir de uma cabeçada fulminante do zagueiro Rondinelli. Ele subiu mais que Abel e superou o goleiro Leão. Indescritível plasticidade. O pulo gladiador de Rondinelli e o salto esplêndido e inútil de Leão.

A partir daí, porradas rubro-negras. Eles ganharam um tricampeonato (incluído um torneio especial 78/79) impondo ao Vasco o estigma do vice. Vivíamos de vitórias ocasionais. Uma delas, lembro como se fosse agora, aconteceu num domingo de previsível passeio dos rivais.

O Flamengo fez 1×0, o Vasco virou para 2×1 e o árbitro, inescrupuloso de estandarte, fez Zico bater duas vezes um pênalti para o Flamengo empatar. Leão defendera a primeira cobrança numa espalmada rasteira, legítima. O Vasco virou para 4×2 e o melhor foi ver um timeco, formado por Roberto e mais Catinha, Afrânio e Arquino derrubar os invencíveis.

O Flamengo montou duas seleções no período de dominação. De 1978 a 1980: Raul; Toninho, Rondinelli, Manguito (esse era ruim demais), Marinho e Júnior; Andrade, Carpegiani (Adílio) e Zico; Tita, Cláudio Adão e Júlio César. De 1981 a 1983: Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico.

A geração de Geovani e Romário no final dos anos 1980 repôs a auto estima perdida. O Vasco chegou a um bicampeonato fantástico sobre o Flamengo de Zico, Andrade, Renato Gaúcho e Bebeto.

Mais velho, passei a ver o futebol sem tanta paixão. Sofri na maldita falta batida por Petkcovic no minuto final, garantindo o tricampeonato deles em 2001, Zagallo aos berros em sofrimento triplicado.

Chegamos a enfiar goleadas ocasionais e replicantes. Fizemos 5×1 duas vezes em shows particulares de Romário e Edmundo humilhou Júnior Baiano na goleada por 4×1, ápice do título brasileiro de 1997. Eles passaram, desde então, a mandar de novo.

A última vitória fundamental do Vasco é seis anos mais velha do que meu filho. É a da decisão do Carioca de 1988, desmoralizante petardo de Cocada, no minuto final. Em junho, completa 26 anos. Eu começava na aventura do jornalismo e berrei em plena redação com a bola entrando no ângulo do goleiro Zé Carlos.

Acabaram os craques e um duelo épico e passional transformou-se em mansa peleja trivial. Os mais jovens nunca saberão o que foi Vasco x Flamengo, porque até as multidões estão proibidas. Tem Vasco x Flamengo. Tem não, senhor. O jogo, aliás, hoje cabe num circo de recordações.

 

Lucidez de Peres

A lucidez sobre o caos da violência no futebol é do promotor José Augusto Peres, que deverá extinguir as torcidas organizadas. Mesmo assim, o problema não estará resolvido: “A extinção das torcidas organizadas não quer dizer o fim da violência porque acabamos com uma organização, mas não com as pessoas que a integram”.

 

Raciocínio lógico

Raciocínio pragmático o de José Augusto Peres. Já deram fim a diversas torcidas no Sudeste e o pau canta, a bola troa do mesmo jeito. Estando à paisana, podem se tornar piores, mais agressivos e covardes.

 

Risada macabra

Perguntaram-me se tinha visto a foto de um dos presos de quadrilha de estádio pela delegada Alzira Veiga pelo assassinato de um adolescente, ele rindo com deboche ao ser entrevistado. Ele está tripudiando de todos nós.

 

Roberto Fernandes

Roberto Fernandes, insisto, não deve ser demitido pelo ABC. Se sair, a fatura será paga mais tarde. Suas reações temperamentais são discutíveis, mas seu talento é comprovado. Há cheiro de conspiração. Não há revolta brutal da torcida contra ele.

 

Por exemplo

De que adiantará demitir Roberto Fernandes? Trazer quem? De onde? Ele merece crédito pela campanha de ressuscitação na Série B.

 

Maceió

Que na terra dos marechais, o América dê às ordens à boca da noite e volte com vantagem sobre o CRB para decidir em Natal e avançar na Série B.

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