Clima de traição

Por Merval Pereira O que esta crise política está demonstrando, mais uma vez, é que o modelo de “presidencialismo de…

Por Merval Pereira

O que esta crise política está demonstrando, mais uma vez, é que o modelo de “presidencialismo de coalizão” que montamos no Brasil é na verdade distorcido por adaptações que acabam transformando-o em um “presidencialismo de cooptação”, como definiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recentemente.

O que começou com a compra de votos em dinheiro, denunciado o esquema do mensalão que recentemente foi a julgamento e saiu condenado moral e criminalmente, passou a se dar através da entrega de ministérios e cargos em órgãos públicos.

A migração de políticos da oposição para siglas da base, que cresceram à custa desses expedientes, enquanto a oposição míngua, é o resultado dessa distorção. Hoje temos a menor oposição numérica desde a volta da democracia, apenas três partidos assumem esse papel: PSDB, DEM e PPS e, pela esquerda, o PSOL. Os demais estão na base governista.

A desestruturação cada vez maior dos partidos políticos, e a sempre ampliada base governista, formam um agrupamento político sem coesão programática que classifico de uma “maioria defensiva” para evitar convocações de CPIs ou comissões de fiscalização. Como vemos agora, uma rebelião permitiu a convocação de uma comissão para analisar o escândalo da refinaria da Petrobrás em Pasadena, nos Estados Unidos.

Mas a maioria governista já recomposta domina a comissão, o que garante a proteção aos responsáveis, entre os quais se encontra a própria presidente Dilma Rousseff, que aprovou a compra. A desculpa de que não tinha as informações completas sobre o negócio coloca em xeque a atuação do Conselho da Petrobrás, que ela comandava.

O próprio aumento do número de ministérios colaborou para a redução da importância deles, que se transformaram em grande medida em fontes de negociatas. A utilização de parlamentares nos ministérios, prática exacerbada em nosso “presidencialismo de coalizão”, é um desvio de finalidade, como se fossemos um país parlamentarista, onde os programas de governo são defendidos pelos partidos que ganharam a eleição.

Um parlamentar que vai para o Ministério abre mão de exercer seu mandato como membro de um dos Poderes da República geralmente para aceitar papel secundário no outro poder, a maioria das vezes com interesses subalternos, como está se revelando rotineiramente no governo Dilma.

Todos os políticos que se digladiam por uma vaga na Esplanada dos Ministérios deveriam, em teoria, renunciar aos mandatos, como acontece na maioria dos países democráticos.

O que parece uma vitória dos políticos ou recuos do governo central, nada mais é do que resultado de negociações por baixo do pano que inflam ou esvaziam “blocões” à medida que os interesses de grupos são satisfeitos ou não.

E o que está sendo negociado hoje vale muito pouco adiante, pois as decisões formais de apoio a este ou aquele candidato à presidência podem ser contornadas regionalmente de acordo com interesses locais.

A máquina partidária do PMDB do Rio já está trabalhando para a candidatura de Aécio Neves, mas o governador Sérgio Cabral e seu candidato Pezão garantem que apóiam Dilma. Também o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, monta uma aliança com PSB e PSDB no Rio Grande do Norte, mas diz que apóia Dilma.

É possível que a presidente Dilma venha a ganhar os minutos de propaganda eleitoral deste ou daquele partido, mas perca a máquina partidária no campo de batalha eleitoral.

Da mesma maneira, os candidatos de oposição podem também começar a campanha com o apoio velado de grupos políticos estaduais, mas se não demonstrarem capacidade de aglutinar a opinião pública, perderão esse apoio em meio à campanha eleitoral.

Começa a se delinear no horizonte uma traição em massa. (MP nO Globo)

Marajá Paladino

É muito fácil, sequer precisa suar, um cidadão especial, com salário de mais de vinte mil contos, sem satisfação funcional a dar para ninguém, sentado em confortável gabinete refrigerado, todos os dias apontando o dedo para o mundo lá fora, sem olhar o umbigo.

Joio e trigo

Não é producente, para não chamar de patética, a tática de vitimar o Ministério Público como um todo na cobertura da mídia ao elefante podre na Cidade Alta. O jornalismo sério sabe dos muitos promotores públicos competentes e com espírito público.

Vanda da quitanda

O escândalo da Petrobras em Pasadena (mais um), que mandou pelo ralo mais de R$ 1 bilhão do dinheiro do povo brasileiro, revela que Dilma Rousseff continuou na estatal com seu estilo de dona de quiosque de 1,99. Um rombo irreparável e com sua rubrica.

Na Folha

“Maior orgulho nacional, a Petrobras está sob investigação não só por causa dessa esquisita – e cara – compra da refinaria em Pasadena, mas também por suspeitas de recebimento de propina por parte de uma empresa holandesa”. Eliane Cantanhêde.

Mário Quintana revisitado

– Todos estes que aí estão

atravancando meu caminho,

eles passarão,

eu Pasadena!

Marchas

As réplicas da marcha em São Paulo, no sábado, nada têm de saudosismo do regime militar, mas são um ponta-pé inicial para as manifestações ao longo do ano, contra a corrupção (na Petrobras, inclusive), os gastos na Copa, a violência e a choldra lulista.

São Paulo

O Tribunal Regional Eleitoral de SP proibiu o empresário Paulo Skaf de aparecer em publicidades da Fiesp (ele é o presidente), pelo fato dele ser o candidato ao governo pelo PMDB. Os juízes levaram em conta o aparelhamento da entidade empresarial.

Palestra eleições

Para marcar os 50 anos de atuação, o Escritório de Advocacia Rocha promove amanhã palestra com o desembargador Marcelo Navarro e o juiz Marco Bruno de Miranda sobre “Doações e contribuições de empresas para a campanha eleitoral 2014″. Alto nível.

Somos da FIFA

Nenhum brasileiro terá o direito de utilizar o termo “Brasil 2014″ sem a prévia autorização da quadrilha da FIFA, que com o apoio de Dilma se apossou de tudo e detém agora o direito autoral sobre o nome da nação. Quem é entreguista, hein?

Trânsito

Com os motoristas mais barbeiros e mal-educados do país, Natal está com diversas vias travadas por culpa deles e não do poder público. Há filas triplas (eu disse triplas) na Hermes com Alberto Maranhão, Hermes com Potengi e por todos os bairros da cidade.

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